[para quem perdeu o contexto: postei no instagram umas reflexões sobre usos problemáticos da categoria “mãe” em alguns feminismos; depois postei o mesmo conteúdo como fio no Twitter, que viralizou; as reações foram em sua maioria horríveis e diversas, com muito assédio, ódio, etc. e em quase todos os casos, as pessoas replicaram em cima de distorções sobre o que estava sendo dito — porque é, sim, um assunto difícil — e aí fiz uma live sobre o tema passados alguns dias].

Não preciso dizer que essa semana está puxada, acho. A coisa maravilhosa de ter conseguido chacoalhar um pouco…


Uma mãe que dá a luz é mais mãe que outras mães? Uma criança com material genético de pelo menos um dos pais é mais “filho” do que uma criança adotada ou gerada totalmente com gametas de doadores? A criança gerada na barriga da mãe de registro com gametas de doadores é mais “filha” do que uma criança adotada? O que algumas reflexões da Antropologia nos permitem questionar, quando pensamos em “maternidade”?

[Texto publicado originalmente no Mulher Alternativa em 08/11/2011]

A novela das nove ilustra bem o drama, mas ele vem da vida real. Muitas mulheres desejam ter filhos e, se deparando com uma barreira biológica como um problema com os gametas (sejam seus próprios óvulos ou os espermatozóides do companheiro), questionam-se sobre o que seria biologicamente a maternidade. Uma mãe que dá a luz é mais mãe que outras mães? Uma criança com material genético de pelo menos um dos pais é mais “filho” do que uma criança adotada ou gerada totalmente com gametas de doadores? …


Os casos de corrupção do Brasil (como a Lava-Jato) são retratados no país e fora dele como um escândalo da política brasileira. No entanto, um estudo mais aprofundado do assunto nos dá alguns caminhos para inquirir sobre a relação entre o Estado e as empresas privadas, tanto no Brasil quanto fora dele.

[texto publicado originalmente no jornal francês Cité Unie, em 26/05/2017. Tradução de Yudae Costa e revisão de tradução da autora. Os trechos entre colchetes foram adicionados na revisão, em Janeiro de 2019]

Lendo os jornais franceses, é possível ter a impressão de que a corrupção no Brasil é…


Georgina Orellano, secretária geral da AMMAR (Associação das Muheres Meretrizes da Argentina). Foto: Virginia Robles.

Puta, feminista e peronista. Foi candidata parlamentar e hoje dirige o sindicato AMMAR, que congrega mais de 6500 trabalhadoras sexuais ao redor do país [Argentina]. Entrevista com uma das vozes emergentes e mais potentes da nova onda feminista.

[Texto publicado originalmente em El Grito del Sur, 17/02/2019. Tradução de Marília Moschkovich para o português brasileiro. Grifos da tradutora]

Santino, 12 anos, dorme em seu quarto. Passou a noite jogando Fortnite enquanto aproveitava o último dia de férias antes de começar o sétimo ano. Desde os seis anos Santino sabe que sua mãe é a secretária geral de uma associação, mas não de uma qualquer: Georgina Orellano é a dirigente máxima da AMMAR (Associação de Mulheres Meretrizes da Argentina), a representação institucional das trabalhadoras sexuai argentinas, um sindicato com mais de 6500 filiadas em todo o país entre mulheres…


Ao comentar o caso de um ator pornô especializado em retratar pedofilia, uma reflexão que fiz sobre a complicada relação entre desejo e práticas sexuais teve uma repercussão gravemente reacionária entre jovens de esquerda. Às vésperas da posse de um presidente que ataca diretamente a autonomia sexual das pessoas, o debate é sério e merece atenção: para que nós, que lutamos deste lado, não sejamos tragados pelo obscurantismo que nos leva de volta ao século XIX e possamos enfim construir o socialismo do século XXI.

Há alguns dias, quase como um presente de Natal para a tradicional Família brasileira (inclusive as de esquerda, que podem ser bem tradicionais também, como discuto mais adiante), escrevi um post curto no Facebook sobre o caso de um ator pornô que, tendo 1m de altura e parecendo criança por causa de uma condição física, se especializou em pornografia com temática de pedofilia. No post, eu propus uma reflexão sobre como a lógica da fantasia, do espetáculo, do imaginário é uma — e a lógica da ação concreta, da prática, é outra. …


Nasci na madrugada seguinte a uma manifestação política, em 1986, provavelmente de campanha antes das eleições de 15 de novembro.

Uma das minhas memórias mais antigas é estar nos ombros do meu pai (que é um cara alto) e enxergar um palco, luzes, uma multidão, e um mar de bandeiras vermelhas. Era 1989.

Outra, um pouco depois, é sair de casa com a camiseta do impeachment de Collor — eu, minha irmã e meu irmão, os três iguaizinhos. …


Parece que muita gente ficou impressionada ontem com o debate, e consideram agora votar no Boulos no primeiro turno. Porém, como fazer com o medo do avanço do fascismo e do fascista? Acompanhem aqui uma observação fundamental sobre o voto útil no primeiro turno.

1) Tirando Bolsonaro de uma possível vitória em primeiro turno

Para ter segundo turno basta que o Bolsonaro não chegue a 50% dos votos válidos. Para contribuir com isso, basta seu voto ser válido, e em qualquer outro candidato.

É um princípio simples da estatística: quando você dá um voto válido em qualquer outro candidato que não o Bosto, você aumenta o total de votos válidos, diminuindo o quanto cada voto dele representa percentualmente do total. Até aqui tudo certo? Certo. Então seguimos.

2) Ciro, Haddad e campanhas de segundo turno

Temos dois candidatos cujas campanhas têm mais recursos, dinheiro, tempo de TV, etc. que estão disputando entre si um segundo lugar - Ciro e Haddad. É importante…


Em Berlim, 1933, a sede do Parlamento era queimada — um fato que foi usado para exacerbar o anticomunismo e o sentimento de medo que conferiria poderes excepcionais a Adolf Hitler. No Rio de Janeiro, em 2018, o incêndio no Museu Nacional denota assustadoras semelhanças com o início da Segunda Guerra: é porque chegamos à Terceira.


Era o ano de 2005, em algum dia entre Agosto e Setembro. Eu tinha quase dezenove anos. Quase. Saía do país pela primeira vez, para participar de um fórum mundial de jovens. Superexperiência. O local? Tunísia, no norte da África, país muçulmano considerado um dos mais ocidentalizados entre os países árabes. Muitas histórias, muita coisa nova, muito aprendizado cultural — e era só a segunda metade do meu primeiro ano do bacharelado em Ciências Sociais. Imagino se eu voltasse lá hoje, como tudo seria diferente…

Fato é que eu estava no país fazia alguns dias já, quando conheci a primeira…


Neste Dia da Visibilidade Trans* de 2018, reavivo alguns bons textos que encontrei em meus blogs desativados de épocas outras — sobretudo aqueles de quando estávamos apenas começando a debater esse tema pela internet. Este é um deles, publicado originalmente no Outras Palavras em 2014.

Quem é a mulher?

A questão parece boba, a princípio. Mas é justamente quando paramos pra pensar nas categorias mais óbvias do nosso entendimento do mundo que conseguimos enxergar os mecanismos de divisão, segregação e opressão da sociedade em que vivemos. “Mulher” é uma dessas categorias: tão óbvia, a princípio, mas que causa tanto sofrimento.

Esta é a pergunta que estrutura todas as divergências internas do movimento feminista a partir da segunda metade do século XX: quem é a mulher?

Montagem: Beuavoir, Butler, Lorde. Três autoras cujas obras são fundamentais para construir a pergunta-chave do feminismo contemporâneo: quem é a mulher?

Quando Simone de Beauvoir disse que ninguém nasce mulher, era isso mesmo que ela estava querendo dizer: somos ensinadas a sermos mulheres. Judith Butler…

Marília Moschkovich

socióloga, escritora, poeta, feminista, comunista, relações livres.

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