As histórias de como esse esporte — sim, esporte — fez parte da minha infância e adolescência devem ser parecidas com as suas


Por ALEXANDRE GIESBRECHT | Twitter


Li, pouco mais de quatro anos atrás, um texto escrito por Ubiratan Leal, da Trivela e do site Balípodo, em que ele falava de sua paixão na infância pelo futebol de mesa, mais conhecido como jogo de botão. O texto fez aflorar muitas memórias, e na hora decidi comentar. Comecei, mas rapidamente percebi que o que eu estava escrevendo era mais do que um comentário. Possivelmente ficaria maior até do que o texto dele. Então o espaço ideal para publicá-lo seria o meu blog — e, agora, quatro anos depois, o Medium, atualizado e um pouco ampliado. No fim das contas, ficou um texto bastante pessoal, mas tenho certeza que muitos vão se identificar com vários trechos.

Minhas primeiras memórias do futebol de botão são de fotos que mostram meu irmão e eu brincando na tenra infância, especialmente a foto aí embaixo. Aparecemos deitados sobre o campo para chutar a gol, muitas vezes em jogos com três redes (!). Claro, com três e dois anos de idade não é de se espantar. Eram fins dos anos 1970, ainda morávamos em um apartamento na Rua Bandeira Paulista. A diferença de idade — sou pouco menos de onze meses mais velho — sempre permitiu que brincássemos praticamente das mesmas coisas em pé de quase igualdade.

Corria o ano de 1979 na Rua Bandeira Paulista

Nosso sonho era participar dos campeonatos que meu pai organizava entre seus amigos, quase sempre em nossa casa. Eram campeonatos anuais, mas que duravam vários fins de semana, com uma ou outra rodada no meio da semana, se não me engano. Numa época em que email era coisa de ficção científica, as atualizações da tabela eram passadas por correio, mesmo, depois de a secretária dele datilografar tudo. Era ela também que fazia os resumos dos campeonatos, que estão guardados até hoje.

Não chegamos a conseguir participar, pois ainda não éramos nem adolescentes quando os campeonatos “morreram”. Não sei direito o motivo, mas imagino que tenha sido especialmente por causa da mudança do local de disputa: tínhamos nos mudado para Alphaville. Mesmo sem trânsito (e sem pedágio) na Castello Branco à época, o campeonato provavelmente passou a ser classificado com uma prioridade mais baixa. Ainda houve um ou outro por lá, mas depois nunca mais.

Esta seleção da Alemanha, fabricada pela Crack’s, foi meu time na maioria das “Copas do Mundo” que disputei. O craque do time era o camisa 10, Matthäus, que seguiu como artilheiro mesmo depois de colado com Super Bonder e fita adesiva. Para essa seleção, busquei o maço de cigarros mais bonito da banca, da Lucky Strike. Engraçado pensar que foi vendido para um moleque bem abaixo de 18 anos, mesmo sem o vendedor saber que minutos depois eu jogaria todos os cigarros no lixo.

Mais ou menos na mesma época, meu irmão e eu começamos a organizar campeonatos entre nossos amigos por lá. O primeiro, durante a Copa do Mundo de 1986, obviamente fez do campeonato uma Copa do Mundo. Mas valia imaginar qualquer seleção com qualquer time. O meu, por exemplo, era um Górnik Zabrze, da Brianezi, fabricado nos anos 1970, igual a este do Farah. Por causa das cores, chamei-o de Paraguai. A escalação? Peguei um álbum de figurinhas do Campeonato Paulista de 1978 e “convoquei” alguns dos jogadores, seguramente nenhum de ascendência guarani. Gozado, não me lembro de nenhum, a não ser do “craque” daquele time, o camisa 2: Neca, que jogava no São Paulo (eu escrevi boa parte de sua biografia na Wikipédia). Que não era lateral-direito, mas como é que eu iria saber?

Outro dos “técnicos” escolheu um time qualquer e chamou de Bélgica, que estava em evidência naquela Copa. Meu irmão tinha um time da União Soviética (igual a este, também do Farah), fabricado pela Crack’s — se naquela época eu imaginasse um lugar chamado Cracolândia, seria muito diferente da que temos hoje em Campos Elíseos — , e usou-o sob o nome correto. Mas batizou cada jogador com nomes supostamente russos que ele mesmo inventou. Uns poucos lembravam até nomes daquele país, mas a maioria não tinha nada a ver. Curiosamente, lembro-me de alguns dos nomes, mais até do que dos do meu time. O goleiro chamava-se Goleress (o cara nasceu para ser goleiro?); o zagueiro central era o Nortov; o lateral-direito era o Vondos; o ponta-esquerda era o Vondoteico, que era o craque do time. Um outro “técnico” simplesmente inventou um país chamado Gray Light. Seu elenco era composto por vários jogadores famosos, como Gary Lineker, tal qual uma seleção mundial.

Nessa primeira Copa do Mundo meu irmão ganhou de mim na final. O jogo terminou 8 a 7, ou algo parecido. As Copas do Mundo seguintes foram vencidas sempre por ele. Fiquei com a maior parte dos vice-campeonatos. Ele às vezes até perdia na primeira fase, quando podia perder, mas nunca nos mata-matas e, especialmente, na final. Apesar desse domínio, todos tinham o maior prazer em participar. Eu, em especial, adorava confeccionar as tabelas e tentar fazer “anuários” baseados em um livro estrangeiro da Copa do Mundo de 1986 que meu pai tinha arrumado. Um dos livros mais legais que já tive. E sumiu. Não sei que fim levou, mas sumiu quando eu ainda era criança.

Não sei se esta foto, batida em 1988 ou 1989, é de uma das Copas do Mundo, mas é mais ou menos da mesma época. Nesse torneio especificamente, havia jogos simultâneos, daí o outro campo no pé da foto.

O grande motivo do domínio do meu irmão certamente era a bolinha. Ou melhor, o disco que usávamos. Eram sempre fichas de War. Se alguma sumia, lá íamos nós até a caixa do jogo para buscar uma nova. Quando, com muito atraso, passamos a jogar com bolinhas, tudo passaria a ser equilibrado, ao menos no que dizia respeito a nós dois. Mas aí as nossas Copas do Mundo já tinham acabado.

A Copa do Mundo de 1986 também me lembra o nascimento do meu primo Fernando. Quando ele veio ao mundo, meu irmão e eu ganhamos como presente um time de botão cada. Não lembro qual ele ganhou; eu ganhei o Grêmio. Era uma série da Gulliver em que os jogadores tinham dois tamanhos diferentes e os adesivos com o escudo do time eram plastificados, algo que eu nunca tinha visto até então. Não me adaptei àquele estilo de botão e pouco joguei com aquele Grêmio.


Acho que eu era o único que fazia paralelamente campeonatos sozinho. Aprendi isso com meu pai. Quer dizer, com um caderno em que ele anotava os campeonatos dele, que duraram entre 1964 e 1974, se não me engano. 1974 foi o ano em que ele se casou — no dia do casamento, ele conta que estava jogando botão até pouco antes da cerimônia. É claro que eu tinha de ter o meu próprio caderno com os meus próprios campeonatos! Então passei a montar meu Campeonato Brasileiro em pontos corridos, algo que eu sempre quisera ver na vida real, mas nunca tinha conseguido. Havia oito times, nenhum deles comprado em loja.

Os times eram os com que meu pai jogava na infância, montados a partir de diversos times que ele tinha comprado. Ele provavelmente vai saber citar a marca de cada um. Eu, como já os recebi “desfigurados”, não saberia dizer. Mas os times eram boas mesclas. Não eram exatamente os mesmos de 25 anos antes, pois, após o advento dos escudinhos de botão na revista Placar, ele passou a decorá-los. Fora isso, era a mesma coisa. Ele guardava cada um em maços de cigarro Minister, com etiquetas adesivas daquelas em relevo para tornar fácil o arquivamento. Não sei o que aconteceu com esses maços. Aliás, não sei nem onde ele os arranjou. Anos mais tarde, eu quis recolocá-los em maços de cigarro e contei com a ajuda de uma amiga da minha tia, que fumava algumas dezenas de cigarros Marlboro por dia. Rapidinho, obtive caixinhas para as dezenas de times. E arrumei também uma etiquetadora para colocar os devidos nomes, da mesma maneira como meu pai fizera duas décadas antes.

Um dos times de que mais me lembro é o Porto Seguro, a escola onde meu pai e eu estudamos, feito quase todo de botões estilo “Canoinha” da Estrela. Ele tinha montado o time tendo seus colegas como “jogadores”, muitos dos quais eu conhecia. O primeiro botão abaixo é um deles, que hoje é o tio da minha esposa. Era talvez o único que, por motivos óbvios, não tinha escudinhos da Placar colados. Como o “escudo” do colégio era razoavelmente simples, canetas hidrográficas de apenas duas cores resolveram o problema. Era também um dos únicos que tinham a escalação “impressa” no próprio botão. Certa vez, sei lá por quê, levei-o à escola. O professor de Artes Plásticas viu e resolveu que a ala masculina da classe faria times de botão como um dos trabalhos, para depois ser organizado um campeonato. Até fiz o meu time, mas, para o campeonato, usei o time do meu pai, com que eu já estava acostumado a jogar. Não me lembro do resultado. Aliás, nem me lembro se o campeonato chegou a terminar.

Outro time que me marcou era o Marília, composto por jogadores transparentes estilo “tampa de relógio”, mas com uma tampa embaixo, o que permitia que se colocasse os escudinhos por dentro do botão. Essa tampa de baixo tinha dois furinhos para que fosse possível desencaixá-la, como se vê no terceiro botão acima. Eu tinha sempre um clipe desentortado para usar quando precisasse abrir um desses botões. O clipe desentortado fazia parte do meu kit para jogar, que também incluía uma caixa de fichas de pif-paf, usadas como palheta.

Outro time de que eu gostava muito era o Londrina, com botões azuis da marca Bolagol, também reproduzido acima. No meio do botão, havia uma depressão onde era encaixado o papelzinho redondo com o escudinho e o número de cada jogador. Algumas dessas depressões ainda tinham uma tampinha transparente para proteger o papel, mas muitas foram se soltando com o tempo. Um dos outros times que tinham jogadores Bolagol era o Sport, nesse caso branco. Certamente influenciado pela campanha do Fluminense no Brasileiro de 1984, o número 6 eu chamava de “Paulo Vítor Entrou na Linha”. Só não me peça para explicar o que o Sport tinha a ver com o Fluminense. Não faço ideia; eu tinha oito anos! Também vale citar que o Grêmio montado pelo meu pai tinha botões “Canoinha” vermelhos. Até hoje, quando penso em cada um dos times, consigo me lembrar de como eram os botões.

Nesses campeonatos, os goleiros eram os mesmos para todos os times: um conjunto com dois goleiros de madeira do meu pai. Acredito (mas não tenho certeza) que foi ele mesmo que os fez. Nos campeonatos entre amigos, usávamos esse conjunto ou goleiros da marca Crack’s, que eram razoavelmente padronizados e com pouca variação de tamanho.

A caixa de fichas de pif-paf que eram usadas como plahetas. Muitas delas já se perderam no tempo e algumas quebraram-se, mas a maioria ainda existe. Como se pode ver, a branca era a preferida.

Quando eu ia ao Rio de Janeiro, ficava muitas vezes no apartamento do meu primo de segundo grau Bruno, que tinha a minha idade, apesar de ser primo da minha mãe. No prédio dele, em Botafogo, havia muita gente com quem jogar. Os botões que eles usavam eram diferentes dos com que eu estava acostumado. Não eram iguais nem aos que chamávamos de “oficiais” (Champion, Brianezi, Crack’s etc.) nem aos do meu pai. Eles eram maciços, com ângulos retos. Lembravam um pouco os oficiais da Federação Paulista que eu conheceria anos mais tarde, mas menores e sem furo no meio. E eles praticavam trocas de jogadores, literalmente, o que eu achava divertido, embora nunca pudesse participar, já que os meus eram muito diferentes. Foi lá no Rio também que, certa vez, fui à Rua da Alfândega procurar times e comprei seis caixas: América, Bangu, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Eram caixas azuis, com botões meio vagabundos, que tinham até uma pontinha que sobrava depois de os moldes serem destacados. O único deles que eu já não tinha era o Bangu, que ficou, pois, intacto; os demais acabaram desfigurados para montar outros times.

A caixinha do Bangu ainda existe, embora não seja mais usada para guardar o time, que tem seu próprio maço de cigarro. O fabricante era a Fábrica de Penas de Aço Brasil, que ficava na Rua Pereira Nunes, 410-A, no Rio de janeiro. Pelo Google Street View, não fica claro se a empresa ainda está lá, mas uma consulta no Google só retornou resultados do Diário Oficial.

A maior parte dos campeonatos de que eu participei na minha infância e adolescência envolveu, além do meu irmão, o Zé e o Gui, dois irmãos que moravam quase ao lado da nossa casa. Eles tinham entre si uma rivalidade ainda maior do que a nossa, acentuada por uma diferença de idade de quase três anos. O Zé, o mais velho, é um dia mais novo que o meu irmão. Eu já briguei com meu irmão por causa de jogos de botão, mas nunca cheguei a comer uma tabela após uma dolorosa eliminação, só para impedir a continuação do campeonato — a medida funcionou melhor que qualquer tapetão. Esses campeonatos geralmente tinham fórmulas de fazer a CBF morrer de inveja, incluindo uma primeira fase de grupos em que todos os times se classificavam.

O Zé também foi parte integrante dos campeonatos que eu fazia sozinho, embora ele provavelmente nunca tenha presenciado um jogo. Afinal, eu publicava uma revista semanal sobre os torneios e precisava de alguém para desenhar as capas, já que minhas habilidades para desenho só são aceitáveis para uma criança de oito anos, e olhe lá. O pessoal da minha classe na escola sempre queria ver as revistas, claro que não pelo conteúdo, mas pelas capas e por um ou outro desenho que ele fazia a mais para preencher um eventual espaço vazio. As revistas em geral vinham com pôsteres (!) dos times posados. Esses eu mesmo fazia, usando os próprios jogadores como moldes e depois desenhando uma versão bem minimalista dos escudos com régua e compasso.

Foi graças a essas revistas, escritas a mão, que minha letra melhorou bastante e eu passei a escrever em letra de forma. O nome da publicação, Escore, foi descaradamente baseado na Placar, que, àquela altura, já não era mais semanal. Era a minha maneira de suprir essa, digamos, “carência”. A revista durou uns cinquenta números. Eu, que sempre tinha gostado de fazer revistas em quadrinhos, nunca tinha conseguido chegar tão longe numa numeração. Essas revistas foram a única coisa que procurei, mas não achei para ilustrar este texto. Sei que elas estão em algum maleiro na casa dos meus pais, só não consigo encontrá-las em nenhuma visita.

Em 1992, a Placar chegou a organizar a Copa Placar de Futebol de Mesa, no Shopping Ibirapuera. Eu fiquei sabendo em cima da hora, já no último dia das inscrições. Como morava muito longe de lá, pedi ao Conrado, um amigo de escola que morava razoavelmente próximo do shopping, para fazer minha inscrição. Graças a ele, consegui participar. Quase vinte anos depois, ele surpreendeu-se quando lembrei essa história. No torneio, parei na segunda fase, após ficar em segundo lugar no meu grupo na primeira.

A Ulysses Cup em 4 de março de 2001. Não dá para ver direito na foto, mas, além da imagem de Ulysses Guimarães, todos os campeões estão imortalizados ali, em decalque coberto por esmalte incolor.

Um pouco mais tarde, criamos a Ulysses Cup, um troféu de posse transitória a ser disputado em um campeonato de botão. Àquela altura, já tínhamos sido apresentados aos times oficiais da Federação Paulista, por meio de uma matéria publicada na Placar em dezembro de 1991. Fomos atrás do Lourival, um dos fornecedores citados, no Belenzinho, e compramos um time cada um. O meu foi um time azul e vermelho, que batizei como Nacional. O do meu irmão foi um verde e branco, batizado de Werder Bremen. E foi com esse time que ele ganhou a primeira Ulysses Cup, em 1993. O nome, cuja ideia não foi minha, era uma mistura de Ulysses Guimarães, então recentemente falecido, com a Copa Stanley, troféu máximo do hóquei no gelo, o mais antigo ainda em disputa por times profissionais.

Das cinco Ulysses Cups, conquistei duas, uma com meu time do Pittsburgh Penguins (um clube de hóquei no gelo, esporte pelo qual minha fascinação estava começando), outra com a minha seleção alemã de 1974 (cujo “craque” era o número 8, Grabowski). Meu irmão ganhou aquela primeira e mais uma. A edição que sobrou foi vencida pelo Zé. Detalhe: meu irmão e eu suspendemos um ao outro daquela edição, devido a problemas distintos que nem lembro mais. Um deles possivelmente teve a ver com uma vez em que atirei vários jogadores da minha Alemanha contra ele. Muitos deles têm sequelas até hoje: pequenos “dentes” embaixo. O motivo? Deve estar perdido em alguma sinapse desfeita em meu cérebro.


Com times oficiais em mãos, resolvemos “nos profissionalizar”. Isto é, inscrevemo-nos na Federação Paulista de Futebol de Mesa. Quando do cadastro, cada um teve de escolher um apelido. O meu foi simplesmente o sobrenome do meio, Linhares. Em meados de 1994, participamos, meu irmão, o Zé e eu, de nosso primeiro campeonato, um torneio aberto no Círculo Militar de São Paulo. Nesses torneios abertos, era permitida a inscrição de jogadores avulsos, sem clube, como nós. Foi lá que recebemos o convite para defender o Nacional, cujo departamento de futebol de mesa estava começando.

Acabamos não fazendo nada a respeito, mas, no ano seguinte, quando praticamente já tínhamos nos esquecido, ligaram para a minha casa — celulares ainda eram raridades — perguntando se ainda estávamos interessado em treinar no Nacional. Sim, eu estava, assim como meu irmão e o Zé. Passamos a defender a equipe de aspirantes do clube. Num dos jogos fora de casa, contra a Sociedade Amigos de Vila Maria Zélia, a reportagem do Estadão estava lá, para escrever matéria sobre o botonismo naquele bairro. Acabamos saindo meio que sem querer na reportagem, publicada no caderno “Seu Bairro Leste” de 15 de agosto de 1996. A foto da equipe do Nacional, inclusive, foi a maior da página Z6, mas acabou bastante manchada por um anúncio quase todo preto na página oposta. O Nacional venceu o jogo, por 46 a 26.

Na matéria sobre o botonismo na Vila Maria Zélia, a equipe do Nacional (sou o último à direita) ganhou um indevido destaque. A foto do time da casa saiu na capa do suplemento. Um dos times em campo, à direita, é meu e tenho-o até hoje.

Participando de praticamente todas as competições a que eu tinha direito, consegui subir no ranking da Federação e fui convocado até para a quarta divisão do Paulista Individual, realizado em um fim de semana no Clube Atlético Indiano. Para essa competição, eram convocados anualmente os oitenta melhores no ranking, sendo vinte em cada divisão. Não cheguei nem perto de vencer, mas também não fui um dos últimos.

Eu tinha um estilo bem característico. Enquanto a grande maioria dos federados aproveitava ao máximo os doze toques a que tinha direito em cada lance, eu chutava do meio da rua, mesmo, muitas vezes não passando do terceiro ou quarto toque. E com uma pontaria realmente boa para a distância. Esses chutes ficaram conhecidos no Nacional como “pombos sem asa”. É claro que, com esse estilo, eu não teria como ir muito mais longe do que fui. Eu não gastava todo o tempo que podia, o que gerava uma média de gols (tanto pró como contra) mais alta nos meus jogos, isso sem falar que mais de uma vez tomei gol do goleiro adversário devido à potência dos meus chutes.

Eu não sabia no dia, mas esta foto é da minha última partida pelo Nacional, em 14 de setembro de 1997, contra A Hebraica. Em pé: Espel, Ceará, Peron e Linhares. Agachados: Roni, Miltinho, Bueno e Mazinho.

Minha última participação na Federação Paulista foi em 1997. O Nacional já não tinha mais jogadores suficientes para formar uma equipe de aspirantes, então só havia o time principal, do qual eu passei a ser titular. Mas, naquela época, minha vida profissional começou a colocar obstáculos demais para seguir comparecendo em todos os finais de semana, e deixei de ir. Desde 1997, meus únicos jogos foram um minicampeonato com parentes da minha mulher em 2000 e um campeonato escolar em 2007, quando atuei em dupla com o primo da minha mulher, então no colegial. Fomos campeões ganhando as duas partidas por W.O.

Depois de ler o texto do Ubiratan, resolvi comprar um Estrelão para meu filho Guilherme, que estava por completar dois anos e meio. Não me parecia cedo, não. Na primeira foto deste texto, meu irmão, debruçado sobre o campo, tinha acabado de fazer dois anos. Na foto que fecha, Willi começava a aprender a jogar. Nos quatro anos desde então, ele ainda não virou um fanático pelo esporte (muito por culpa minha), mas agora comprei times melhores na Botões Clássicos, que devem dar um novo impulso.


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