A Cabana: bateu ponto e entregou

Na próxima quinta-feira dia 6 de Abril teremos a estreias do filme A Cabana nos cinemas brasileiras. O longa é baseado no best-seller de mesmo nome, livro que a princípio parecia uma história de suspense mas que na verdade procura discutir questões filosóficas sob a perspectiva cristã. Com o lançamento de filmes como Deus não está Morto, Hollywood percebeu que existe um mercado latente para esse tipo de produção, que deve figurar cada vez mais nas salinhas. Temos aqui um elenco pesado, com figuras como Octacvia Spencer, Sam Worthington e até nossa querida Alice Braga.

Sinopse Relâmpago: Mack Phillips é um homem que vive uma vida digna de comercial de margarina. Tem um bom relacionamento com sua esposa, três filhos que ama e uma boa casa. Porém, em um trágico acidente sua filha mais nova é sequestrada e brutalmente assassinada. Mack entra em luto e vê toda sua vida desabar, até que um dia ele recebe uma carta chamando-o para a visitar a cabana aonde o corpo de sua filha fora encontrado.

O filme começa bem, o primeiro ato é bem interessante. Ele apresenta de forma suficiente os personagens, mas o enfoque é no relacionamento pai-e-filha, que é construído de forma muito bonita. Como sabemos o fim trágico da menininha, as cenas alegres entre os dois personagens se tornam muito tocantes. Após sua morte, o filme parece buscar inspiração em Manchester à beira-mar, principalmente a atuação de Sam, que mesmo esforçado não consegue reproduzir nem de perto o que fez Casey Affleck. Entretanto, não podemos culpá-lo, não dava pra salvar muito o roteiro.

O segundo e terceiro apresentam uma nova dinâmica na qual Mack interage com a trindade. Acima de tudo, é bem legal ver que houve preocupação com a representatividade, temos uma mulher negra, uma mulher asiática, uma mulher latina e um homem árabe representando as entidades. As ideias de discussão são boas, mas a execução é preguiçosa. A trilha sonora, fotografia, câmeras, nada é ruim em si, porém esses elementos nunca contribuem pra trama.

Algumas pessoas criticam a unilateralidade dos personagens e outras questões teístas da história. Entendo que nessa história o autor estabelece uma visão específica e vai desenvolver a trama a partir dela, portanto não parece justo julgar o universo e suas regras, mas sim a forma como isso é construído. Tendo dito isso, o roteiro é a parte mais fraca do filme. Diálogos totalmente fora de tom, conversas expositivas e até um narrador totalmente sem propósito, só pra citar alguns exemplos. Existe um jargão do cinema que é desrespeitado várias vezes: “mostrar é sempre preferível a contar”. Os sentimentos e ideias devem ser expressados visualmente, utilizando linhas de falar para reforçar um ponto ou expressar algo muito complexo. O roteiro de A Cabana é muito falho nesse sentido, o que acaba criando diálogos pouco imersivos e explicações repetitivas.

A Cabana tinha potencial para ser muito tocante e um marco no seu gênero, infelizmente a impressão que passa é que houve preguiça da equipe de produção. A maioria dos elementos técnicos é apenas suficiente, mas sem qualquer ousadia ou inspiração. Ainda assim, existe um bom material bruto e conceitos bem interessantes. Se você é alguém que se interessa por temas espirituais ou por questões de luto, vale a pena conferir o filme.

Nota: 2.5 Salsichas

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