A Monogamia e Suas Loucuras

Independente da cultura ou do lugar, todos um dia se questionam sobre relacionamentos, amor e fidelidade. Exploradas em todas as formas de arte, as relações humanas em suas esferas afetivas e sexuais são o cerne de nossa breve passagem pela superfície da Terra. Por isso, somos fadados a nos perguntar, a monogamia é uma realidade ou apenas um conceito? De certa forma, é isso que o filme Tommaso vem nos responder.
Essa película italiana narra a história de Tommaso, um ator de pouco sucesso que possui problemas evidentes com sua vida atual. Ao mesmo tempo que está procurando entrar no ramo de diretor, nosso protagonista tem grandes dificuldades em seu relacionamento com sua namorada Chiara.
Com pouco tempo de tela, o previsto término com Chiara acontece e Tommaso, inicialmente devastado, é estimulado a seguir seus instintos primitivos e desbravar seus mais profundos desejos. Entretanto, qualquer motivação inicial desaparece com as dificuldades e a falta de esperança inerentes a nossa geração. Como descobrimos em suas consultas com seu “terapeuta” pessoal, Tommaso é uma espécie de pervertido monogâmico que é obcecado com mulheres e sonhos sexuais quando em um relacionamento e obcecado pela ideia de uma alma-gêmea quando está solteiro. Essa dualidade faz com que essa comédia filosófica seja tão interessante e verdadeira para qualquer público.
Simultaneamente a essa loucura em sua vida pessoal, sua vida profissional parece ainda mais confusa. Após escrever um filme inteiramente baseada em cenas oníricas, uma sequência puramente de sonhos existências, Tommaso entra em desespero com a iminente possibilidade de fracasso. Uma grande ironia dessa situação é que o ator que o interpreta, Kim Rossi Stuart, é também o diretor do filme, demonstrando uma certa dimensão autobiográfica no longa.

É nesse clima “Woodyaliano” que podemos nos divertir com as diferentes experiências do nosso protagonista peculiar. Entre brigar com sua mãe que gasta sua pensão como uma criança, tentar destruir um ninho de vermes que infestam seus sonhos e buscar alguma verdade em seu relacionamento com as mulheres, ficamos encantados com como todos temos um pouco de Tommaso.
Em meio a esse enredo original e divertido, a filosofia da monogamia moderna parece apenas uma grande loucura, pois parece sempre haver um conflito interno entre o desejo moral e o desejo sexual. Assim, mesmo quando confrontados com uma situação de poligamia eventual, a lembrança da procura para o sentimento de “amor eterno” é suficiente para que abandonemos tudo nessa jornada. Mesmo que o filme não traga respostas para todos, existe uma reflexão necessária e divertida sobre nossa sociedade.

Apesar de não ter sido lançado no circuito usual no Brasil, o longa pode ser conferido no Festival do Rio. Se você gosta do gênero ou apenas pretende conhecer um pouco mais o cinema italiano, Tommaso vale cada centavo! A última sessão ocorre nessa quarta-feira, dia 12/10, às 18:00 no Kinoplex São Luiz.


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