A repaginada de Jurassic World

A ideia de fazer um novo Jurassic Park parecia que não ia sair do papel nunca. Desde 2002, Steven Spielberg e a Universal Studios tentavam dar um quarto filme à essa fenomenal trilogia dos anos 90, mas infelizmente nenhum roteiro agradava ao diretor. Criar o equilíbrio entre explicações cinetíficas e aventura/suspense que Spielberg tão instintivamente domina estava se tornando um objetivo muito dificil para os roteiristas, que buscavam dar à trilogia uma nova faceta. Atores dos filmes originais como Sam Neill, Richard Attenborough, Jeff Goldblum e Laura Dern já haviam mostrando o interesse em retornar aos seus papéis. No entanto, em 2007, a ideia esfriou até congelar.

Para a nossa alegria, em 2011, surge a ideia de fazer uma nova franquia, diferente da proposta dos filmes anteriores, podendo abrir espaço para outra trilogia. Spielberg renunciou a cadeira de diretor, mas se manteve na produção executiva, fiscalizando o projeto, que foi avançando rápido. 22 anos após o original, temos agora a chance de revisitar o parque dos dinossauros. E desta vez em pleno funcionamento.

Em Jurassic World, o parque está aberto para o público há 10 anos e tem que lidar com a queda de público, que já não se impressiona tanto mais com os dinossauros. A ideia inovadora é criar um novo dinossauro, maior e mais feroz, para atrair a atenção do público. Como se não tivessem aprendido nada com o passado, a situação foge do controle depois de criar uma criatura extremamente inteligente e agressiva.

O filme é muito diferente dos seus antecessores. A diferença entre a forma que Spielberg conduziu seus filmes e a que o novato Colin Trevorrow optou é gritante, mas não tira a sua competência de fazer um filme que entrega aquilo que promete. Sentimos falta da construção daquele suspense magistral que só a cachola de Spielberg consegue criar (o cara resumiu o suspense inteiro de uma cena em um copo d’água!!). Porém, como a proposta é outra, as comparações deste filme com os outros é inútil. O primeiro filme mostra a proposta de um parque que cai por terra. Os outros 2 já mostram a Ilha Nublar já totalmente tomada pelos dinossauros, com ruínas do parque, e as pessoas que vão para a ilha tentam sobreviver, lidando com criaturas nunca antes vistas. São filmes de sobrevivência na selva. Jurassic World já é diferente. O parque deu certo (como conseguiram recuperar a ilha?) e a ideia de sobrevivência é pouco explorada. O filme foca mais na possibilidade da relação de lealdade homem-dinossauro, colocando os velociraptores (os vilões que mais davam trabalho nos outros filmes), como um pouco mais dóceis.

Particularmente, eu sou um grande fã de Jurassic Park e acho que o argumento foi uma das melhores ideias da história do cinema. Para mim, o filme não decepcionou, entregando exatamente aquilo que promete. Os tempos são outros, vivemos em uma nova fase do cinema de entretenimento e conseguimos reparar isso no filme, que ganhou uma roupagem diferente. Provavelmente, só Steven Spielberg seria capaz de fazer um Jurassic Park como os 2 anteriores (lembrando que o 3º não é dele), nos mesmos moldes e sem deixar que o novo estilo de fazer filmes interfira na obra, como George Miller fez recentemente com Mad Max. Passando os pirmeiros 20 minutos de filme, que são só de explicações de tudo que acontece; ultrapassando algumas relações humanas extremamente artificiais; e engolindo aquelas mentiradas e clichezões (estamos falando de um filme de dinossauros na vida real ne?), Jurassic World entretém e prende sua atenção.

O elenco acabou me surpreendendo com alguns atores que não sabia que estavam no filme, como Omar Sy (Intocáveis), que ficou com as piores falas do roteiro e Vincent D’Onofrio, que realmente me fez admirar a atuação dele como Wilson Fisk em Demolidor. Chris Pratt é o protagonista e se mostra mais uma vez pronto para se tornar o novo Harrison Ford (é o favorito para ser o novo Indiana Jones), dando um banho de carisma. Bryce Dallas Howard também mostra competência para o seu papel da fria chefe de operações do parque. Quanto aos dinossauros, eu preferia os da franquia anterior. Por mais que a tecnologia fosse mais precária na década de 90, ainda assim eu achava mais real. Sabendo das dificuldades técnicas de construir um dinossauro, Spielberg filmou de forma que as ocultassem, dando mais realidade às cenas. As inovações também não foram muitas, ficando a cargo do novo dinossauro criado, o Indominus Rex, e do Mosassaurus, um dinossauro aquático gigante (muito f*da por sinal).

Jurassic World é um filme que vale o preço do ingresso. As comparações com os anteriores devem ser dispensadas (a não ser quando aparecem alguns easter eggs maneiros ou quando refilmam uma cena icônica de outra forma), lembrando que a proposta é outra: criar uma nova trilogia ou, se for o caso, transformar em uma série. É daqueles filmes que vale a pena assistir nas telonas. Não percam!

#Ads

#Barreto