Divertida Mente

A mais nova obra-prima da Pixar


A fase da Pixar não era das melhores, os lançamentos Universidade dos Monstros (2013) e Valente (2012) não atingiram o patamar Pixar de qualidade, apesar de serem bons filmes. Tendo percebido isso, os próprios produtores resolveram dar uma freiada nas produções e só lançar o filme seguinte dois anos depois, o que provou ser um grande acerto. Divertida Mente é uma verdadeira obra-prima da animação, possivelmente um dos filmes mais importantes da história do estúdio. Confira o trailer:

O longa nos conta a história da menina Riley, ou melhor, da mente dela. Tendo se mudado recentemente, ela tem que lidar com as dificuldades de uma nova cidade e a frustração de deixar a antiga. Nesse tempo, a Alegria e a Tristeza personificadas acabam saindo da central de controle da mente de Riley, causando grandes transtornos.

Alegria, Raiva, Medo, Tristeza e Nojinho são os sentimentos humanizados na cabeça da menina Riley

O pilar fundamental da genialidade desse filme está na criatividade. A Pixar já nos mostrou diversas vezes que é capaz de dar sentimentos a objetos inanimados (brinquedos, carros..). Mas dar sentimentos à sentimentos foi uma experiência totalmente nova e acertada. Somado a isso, temos a exibição de diversos conceitos abstratos e complexos como subconsciente e sonhos, de forma totalmente lúdica.

As Ilhas de Personalidade, que junto com as memórias base são fundamentais para a construção do caráter da Riley

A Pixar sempre pincelou temas complexos em seus filmes infantis, mas Divertida Mente é certamente o filme mais profundo do estúdio. A não-vilanização do Tristeza é um dos pontos mais marcantes, o filme nos mostra que é normal e importante ficar triste às vezes, que isso faz parte da vida e podemos superar.

Cabeça do Pai
Cabeça da Mãe

Outro ponto interessante é que todos as memórias da Riley tem somente uma cor (cada cor representa um sentimento), mostrando que as crianças tem sentimentos muito puros e intensos. Isso fica claro quando vemos a cabeça dos pais dela, aonde na sala de controle todos os sentimentos tem seu botão e as memórias tem cores misturadas.

Abordada de forma mais sútil, o longa tenta explicar a depressão, representada como a falta de controle dos sentimentos, além da destruição das ilhas de personalidade.

Bing Bong, o amigo imaginário da Riley

Como de costume, temos o curta antes do filme. Lava You é um divertido musical inspirado em “Somewhere Over the Rainbow” que conta a história de um vulcão solitário em busca de sua parceira. O curta contribui muito para o longa, nos preparando para compreender os sentimentos de forma mais abrangente. Confira a música:

O filme é agradável e divertido para as crianças, mas me arrisco a dizer que é praticamente um filme adulto. Emocionante, cativante e muito bem feito, tem tudo para se tornar um clássico e divisor de águas. Não abordei aqui a parte técnica, mas acho que nem precisa, é nível Pixar. Destaque para a dublagem brasileira, que como sempre, faz um papel espetacular em animações.

Pequena homenagem ao filme ‘Um Corpo que Cai’

Eu poderia ficar horas discutindo aqui as metáforas e referências espetaculares do filme, mas vou me conter e recomendar que qualquer um assista Divertida Mente, com seus filhos, sem seus filhos e até mesmo se você não gosta de animação.

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