Esquadrão Indeciso

Sobre vilões, heróis e clichês. O novo filme da D.C. deixa a desejar.

El Diablo, Capitão Boomerang, Crocodilo, Pistoleiro, Arlequina, Coringa, Katana.

Muita expectativa rondava o novo filme da D.C. Comics. Certamente em uma das estreias mais esperadas do ano, todos lotaram os cinemas na vontade de reencontrar o Coringa. Ainda mais pra ver o que Jared Leto poderia fazer depois da assombrosa, digna de Oscar póstumo, atuação de Heath Ledger.

Além disso, a grande motivação do filme seria a apresentação dos novos personagens, principalmente o caso da Arlequina, a paixão de Coringa, representada por Margot Robbie. Dona de uma beleza arrebatadora e de uma atuação segura, a Arlequina é puro carisma e graça. Ela levita pelas cenas e conquista quem ainda não havia conquistado só pelos teasers, trailers e tudo mais, que foi o que não faltou para aumentar o clima de expectativa.

Sendo assim, dividiremos a análise do filme em alguns quesitos importantes do longa: Trilha Sonora, Will Smith, Enredo, Coringa & Arlequina, Viola Davis e a Magia.

Trilha Sonora

Um dos aspectos mais importantes de um longa, a trilha sonora de um filme está longe de ser só bom gosto musical, o que foi indiscutível no filme. Clássicos da música e do Rock do nível de Sympathy for the Devil dos Stones e Paranoid do Black Sabbath foram utilizados, sem falar em Bohemian Rhapsody do Queen. Tudo bem, músicas consagradas e indiscutíveis. Mas, será que elas contribuíram para as cenas ou foram apenas escolhas aleatórias sem muita conexão com elas? A trilha sonora é exatamente isso, a conexão da cena com a música e a troca de sentimentos e fatos que absorvemos sem precisar de falas ou roteiros. Faltou isso no filme. Nós tivemos uma seleção excelente de música, não uma trilha sonora. Alguns diretores chegam a declarar inclusive que pensam primeiro na música para depois pensar na cena que ela vai representar. É o caso de Tarantino ou Scorsese por exemplo, que já declararam isso. Certamente os diretores desse filme não fizeram isso e ficou um pouco esquisito algumas vezes.

Will Smith

Uma das figuras de maior carisma do show business mundial, Will Smith interpreta o líder do esquadrão. Um assassino de aluguel que tem uma mira mais precisa que uma máquina calibrada. O Pistoleiro é um bom personagem e Will tem seu carisma de sempre. Entretanto, o destaque dado ao personagem é excessivo. É aquele caso do ator falando mais alto que o personagem. O Pistoleiro não é tão legal assim se formos avaliar só o personagem. Por ser um nome tão pesado quanto o de Will, o personagem dele ficou em evidência demais, ficou um pouco forçado. Continuamos gostando do Maluco no Pedaço, mas ficou exagerada sua participação. Mais culpa de quem dirige do que dele propriamente, já que ao menos temos um personagem divertido.

Enredo

É aqui que o filme deixa de ser um filme e passa ser mais um filme. Enredo mais do que batido de vídeo-game, sem nada que surpreende. O filme todo é excessivamente previsível, desde a aparição final do Coringa até a Arlequina buscando a redenção, fato que vem sendo criticado por alguns fãs mais fiéis dos quadrinhos. “A Arlequina nunca faria isso, ela só pensa no Coringa e não iria ligar para seus supostos novos amigos”. Bem, entendemos que é uma adaptação e isso pode ocorrer. O que não dá pra engolir é a indecisão entre a definição do que os protagonistas são. No papel do filme eles estão muito mais para mocinhos. São poucas as vezes que cometem atitudes de vilões. O filme prega a honra entre bandidos e acaba que todos ficam como mocinhos no fim. Fica meio estranho e indeciso. O que o filme quer passar afinal? Faltou um pouco de traição, de crueldade, de maldade mesmo, entre eles. Entendemos que o filme é para crianças e infanto-juvenil, mas a D.C. já fez coisas piores. Não deixarei de comentar também a cena final, mais batida impossível. Você e eu já vimos aquilo antes. O tiro certeiro no timing perfeito gerando a explosão final. Clichê de ação e aventura. Com um enredo indeciso, simplório,previsível, é aqui que o filme perdeu mais.

Coringa & Arlequina

Vamos primeiro analisar os personagens separadamente para depois analisarmos a relação abusiva que os dois tem.

A participação da Arlequina é toda positiva. A única crítica que ficou é sua excessiva sexualização, com roupas muito pequenas e por aí vai. Isso sim é digno de crítica, mas mais uma vez culpa de quem dirige e não de quem atua. Margot Robbie não é lá uma diva da atuação mas cumpre o que promete e está muito bem no papel, além de ser inebriante sua beleza. O humor e a loucura estão na medida certa e a personagem é o grande ponto positivo do filme.

Sobre o Coringa, considerado um dos maiores vilões de toda a Cultura Pop, fica mais difícil analisar. Não é o filme do Coringa, é o filme do Esquadrão Suicida e são poucas as cenas nas quais ele aparece. Foi um erro lançar um personagem desse tamanho num filme que ele não pode ter destaque. Dito isso, Jared Leto é um grande ator, não há duvidas quanto a isso. Apesar de ter achado que a loucura imprimida foi um pouco artificial demais, todos os fãs dos quadrinhos estão aprovando o Joker, que está muito parecido com o das HQs. Não cabe comparação com o Coringa de Ledger, uma das interpretações mais geniais já vistas. É injusto com Leto, que colocou sua vida nesse papel e deu um resultado que se não foi brilhante, foi bem interessante.

A relação dos dois no filme vem recebendo algumas críticas por ser abusiva. A Arlequina se entrega sem volta para o Coringa e o mesmo não parece acontecer com tanta intensidade de volta. Mesmo se tratando de dois malucos que não estão lá para serem vistos como bons exemplos, é sempre importante enxergar que personagens com tanta relevância podem ser mal interpretados por quem não tem discernimento na sociedade e sempre criticar essas posturas quando possível. É papel do diretor mostrar o Coringa como ele é e nosso papel entender o quão errado é isso, e o relacionamento com a Arlequina é um desses casos.

Viola Davis

A estrela de “How to Get Away With Murder” continua fazendo um papel de uma badass boss— Amanda Waller —e parece que ela nasceu pra isso. Extremamente pragmática e cerebral, a atuação de Viola Davis é elogiável. A única crítica aqui fica a cargo de que sua personagem não é tão respeitada como deveria ser pelas autoridades. Ela é meio que vista como uma maluca com planos inatingíveis, mas depois é levada a sério. Ela não se importa com o que pode acontecer se der errado e é uma prática da filosofia Maquiavélica. Para ela, os fins justificam os meios, e indo até o final para conseguir o que quer. Bela atuação.

Magia

A grande vilã do filme mete medo. A D.C. é conhecida por fazer bons vilões (afinal, o filme só tem vilões, teoricamente) e no caso ficamos divididos. Por um lado, Magia assusta com o poder que pode assumir. Por outro, ela é muito exaltada, todavia é derrotada com facilidade. A maquiagem e o figurino da personagem estão absolutamente impecáveis e foi mais um acerto do filme. Aprende a fazer vilão, Marvel, por favor.

Veredito

Com tudo isso, concluímos que o filme poderia ter sido mais. Claro que a expectativa e o hype que rodeiam a estreia atrapalham e muito, mas mesmo assim, o clichê do enredo, a indecisão na motivação dos personagens, o roteiro médio e a trilha sonora inexistente acabam criando mais uma decepção. O filme merece ser visto por ser uma super produção. Não deixa de ser divertido e entreter, principalmente aos mais novos. Mas fica aquele gostinho de que tinha mais potencial e não entregou o que podia. Uma pena. Seguimos torcendo e acompanhando essa nova fase da gigante D.C. nos cinemas. Até a próxima!

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