Não há ceticismo que lide com "Até o Último Homem"

Mel Gibson está de volta! E ele fez um filme de arrepiar!

O novo filme de Mel Gibson

Mel Gibson é um cara diferente. Um diretor de marca registrada, que costuma fazer um drama como ninguém. Ele estava longe da direção desde 2006, quando lançou o épico sangrento Apocalypto. O vencedor do Oscar de 1996 por Direção e Filme com Coração Valente era portanto cercado de expectativas em Hollywood. E ele correspondeu, se não superou essas. Um ator já competente, mas um diretor sensacional.

O enredo

Até o Último Homem conta a história, baseada em fatos reais, de Desmond Doss, um jovem americano de Virgínia que decide se alistar na Segunda Guerra, mas que se recusa a sequer encostar em uma arma.

O filme é então, primeiramente, uma história muito bem contada, já que ele desenha muito bem a trajetória e a motivação de seu protagonista. Você é capaz de entender tudo que ele faz.

Inicialmente temos um flashback que mostra o contexto de vida de Doss. Ele vivia sob o mesmo teto de uma pessoa completamente frustrada e amarga, que não havia superado suas perdas na Primeira Grande Guerra, o seu pai. O Agent Smith de Matrix(Hugo Weaving) tem atuação inspirada e é fundamental para compreendermos a motivação de Doss, já que ele mantinha a violência presente na sua casa. Agressões à esposa, mãe de Doss, eram rotineiras. O filme retrata portanto esse como o maior trauma de sua vida e aliado com sua crença na religião e seu humanismo intrínseco, compreendemos perfeitamente a "guerra" que Doss trava durante o longa.

A atuação

Andrew Garfield já havia se mostrado competente como o célebre Peter Parker. Mesmo que os filmes tenham ido mal, sua personificação do Homem-Aranha foi consensualmente aprovada. Mas é em Até o Último Homem que ele mostra o que consegue fazer. Garfield transita entre o humor e o drama com facilidade. Cria empatia, tem carisma e foi fundamental para o filme. A sua indicação ao Oscar é absolutamente merecida.

O questionamento

O filme tem essa preocupação em te colocar dentro dele. Seja durante as cenas de guerra propriamente ditas ou não. A impressão é que estamos participando, chamados a responder, questionados. Escancara o orgulho e o caráter hierárquico do exército americano à época, que coloca o poder e a burocracia acima de qualquer racionalidade. Foi preciso que o pai de Doss precisasse intervir para que ele não fosse preso. PRESO! O rapaz seria preso sob uma única justificativa: ele não cumpria uma ordem, apenas uma, que era não matar pessoas. Isso é uma mensagem muito forte.

A Fé

Muito interessante a maneira com a qual o filme trata a questão da Fé, seja ela na religião mesmo ou na força do acreditar por acreditar que vai dar certo. O longa mostra que isso foi um fator determinante para a batalha. O fator psicológico é, naturalmente, essencial dentro de uma guerra e o filme retrata isso perfeitamente. Os personagens são extremamente humanizados, mesmo estando em uma guerra, e conseguimos sentir na pele o desespero que é participar disso tudo.

E aí, Mel Gibson mostra o poder da Fé, em cena de arrepiar a mais cética das pessoas. Doss, contra todos os prognósticos, salva um bom número de soldados da morte, no meio de um cenário totalmente dominado pelos japoneses, os inimigos na Batalha de Okinawa. Trilha sonora, slow-motion, Garfield, tudo contribui para uma cena absolutamente épica, que não sairá do imaginário coletivo. É um clímax dos mais bem feitos.

"Please, Lord, help me get one more"

O som

"Até o Último Homem" foi indicado nas duas categorias principais de som no Oscar

Necessário uma seção para comentar isso. O som do filme está absolutamente incrível. E ele é um grande fator em filmes de Guerra. A impressão que dava no cinema era que a bala estava passando na sua frente. Pouco admira que o filme tenha sido indicado nas duas categorias de Som do Oscar desse ano.

A convicção

Comovente a coragem e a nobreza de uma pessoa que chega no exército com o intuito de salvar e não destruir. Mais corajoso ainda foi ter que enfrentar os próprios amigos, a instituição, absolutamente tudo que se opunha por uma razão íntima. Doss não afinou em nenhum momento. Seguiu com o que acreditava mesmo nas mais drásticas das situações. O filme executa muito bem a tão famosa jornada do heroi e Doss é contemplado como um, uma redenção fantática em meio aos parceiros do exército depois que salvou metade da corporação da morte em uma batalha perdida. A convicção que Doss tinha sobre não matar era também uma convicção para seus comandantes que ele não estava certo, que ele iria falhar e não iria se adaptar áquele ambiente sem se "render" a isso. O fato é que todos mudaram suas convicções, menos Doss. O americano ganhou a Medalha de Honra sem nunca ter disparado um tiro.

O erro

O filme cometeu um erro que foi não expressar propriamente como Doss se tornou um médico. Ele menciona que não teve muito estudo no filme e…?? São algumas cenas dele lendo livros, mas, foi muito pouco para que acreditássemos que ele é um médico, o que é fundamental pro filme já que a honra de seu trabalho é exatamente essa:salvar vidas com socorros imediatos. Essa área do filme ficou superficial demais, e era muito importante que não ficasse.

O saldo

Bom, o filme recebeu 6 indicações ao Oscar(veja aqui).

Mel Gibson chegou chutando a porta de Hollywood com força. Ele provou mais uma vez ser um diretor de muito talento.

A Guerra é muito bem retratada. São alguns minutos sequenciais nos quais você esquece que está vendo um filme e acha que está no meio de uma batalha sangrenta, tamanha é a verossimilhança que o filme produz. É uma história real, inspiradora e de muitas lições. Um filme que prende, interessantíssimo. Um grande acerto de Gibson. Não pensaremos duas vezes mais em ir assistir um filme desse cara. Por mais cético que você seja, quando sair desse filme, vai entender um pouco mais do poder e da complexidade da Fé.

Até a próxima resenha!

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