Era uma vez um blog…

Era uma vez um blog, que começou querendo falar de lugares que comia e receitas. Criei a ideia do ANF em 2013, mas só tive coragem de lançar em 2014, no final do mês de setembro, na primavera. No início dessa jornada, eu que achava que entendia algo sobre comida e escrever, descobri que não entendia nada, nem de uma coisa, nem de outra.

Foto Anette Alencar

Escrever virou muito uma forma de me expressar e dizer o que sentia sobre as coisas que comia. Brother, eu gosto disso. Sou mesmo capaz de falar sobre isso horas. Sem parar. Só que rapidamente, virei pica nas laricas pra uns, consultora de jantares românticos pra outros, sabedora dos achados cariocas. Hambúrguer confesso que cansei de ficar provando, já escolhi os que eu gosto e repito eles. Rs. Riscos deixo de correr. Já a coxinha, sigo na busca, mas aqui no Rio não tá nada fácil. Rs.

Receitas, postei poucas. Mas teve muito “vi e taquei!”

Descobri, nesses anos, como funciona meu processo na cozinha. Eu até sigo receitas, mas uso um método que minha mãe chama de “vi e taquei”. Olho algo, acho que combina, taco na panela. Então, não anoto as quantidades quando mudo, erro, adoro fundo de panela quase quemado e um bom desafio. Por essas e outras, desisti de mostrar receitas. Fora que não vejo muita criatividade nessa área, muita cópia e vídeo com queijo derretendo. Vejo tudo meio Jamie Oliver ou Tastemade, né?! Tá chato pacas.

Barriga de porco que fiz no fogão de lenha, passei mal de tanto que comi nesse dia
Mas como avaliar uma comida? Como dizer se ela é boa?

Como postar receita ficou fora de cogitação, comecei a desenvolver o meu lado de crítica gastronômica. Referências iniciais foram péssimas, mas ainda bem que curiosidade tem de sobra. Comecei a estudar, a conhecer pessoas e a comer sem parar. Percebi que pouco a pouco, eu não era só uma esfomeada. Eu gostava daquilo. Eu queria falar e pensar em comida o dia inteiro. Mas para continuar sendo crítica gastronômica e começar a me dar bem com isso, ou eu ficava endividada ou eu virava jabazeira. Como essa segunda opção fere a minha ética, eu esfriei o blog. Mas não parei de comer e fui produzir eventos de gastronomia (vou contar essa jornada num outro post).

Então veio o estalo: “Vou viver de comida!”
Um pouco da minha coleção de livros
Se a comida não mudar o mundo, eu não sei mais o que vai.

Nesse crescente e pulsante caminhar, entendi que a comida é a única forma de mudarmos o sistema que vivemos e nós mesmos. Colocamos o garfo na boca mais do que escovamos os dentes ou vamos ao banheiro. Logo, pra mim, se você mudar seus hábitos alimentares, consequentemente mudará o sistema econômico, a sua saúde, qualidade de vida e assim vai.

Você acha tranquilo comprar uma maçã que viaja da China pro Brasil?

E comer algo que tem ingredientes como: glutamato monossódico, inosinato dissódico e guanilato dissódico, antiumectantes fosfato tricálcico e dióxido de silício?

Um brinde aos recomeços!
Foto durante a Temporada Gourmet do Shopping Tijuca quando fui apresentadora

Então, é nesse viés que esse vou andar, compartilhando aprendizados. Mas com duas coisas que acho fundamentais: qualidade na informação e sinceridade. As críticas vão começar do zero, sem jabá e amizade, não vai ter arrego. Rs. Prometo mesmo me esforçar pra ser menos anarquista e seguir receitas pra postar. E a novidade é que vou compartilhar as minhas descobertas de ingredientes, sabores e técnicas. Esses achados realmente me transformaram como cozinheira e mudaram meu paladar.

Ou seja, teremos um espaço, agora aqui no Medium, dedicado a comida verdadeira, sincera e sem frescura. Se você curte um mimimi, procura outro. O Facebook e o Instagram continuam e voltarão a ativa. Que comece essa nova jornada, meio pesquisadora e ativista, mas sempre E-S-F-O-M-E-A-D-A!!!