Jules Joseph Lefebvre — Odalisque (1874)

Em Tua Pele Escrevo

Permeias o negrume que há
No cerrar das pálpebras minhas
Como manto do indizível
Idealizado detrás de cortinas

Tua pele prossegue lívida
‘Inda qu’este pigmento febril
Em versos dissimule tua cútis
Vociferando teu ser feminil

Que subtil às minhas mãos tenho
Prevendo a eternidade niilista
Minand’o calvário do raro saber
Por penumbra de volúpia assídua

Qual me deleito e a ti oferto
Em absentismo de nódoas por laços
Amando-te em liberdade deito-me
Osculando-te nos grandes lábios

Pois qu’esta gana real escrita por mim
N’este teu opimo corpo — mel de olivehra
Fácil esvai em água pura e corrente-mar
Mas, oh, como anseio que tu não queiras
Sob chuva, assim, nua, caminhar.


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