Marko Gacesa — Screaming silence ©

Silêncio

Silêncios 
Dispersos
Dentro
De um vasto
Quem sou?
Dentro de um vasto
Não sei

Silêncios
Que dizem
Muito sobre
O eterno
Que fica
Nas paredes
Da consciência
No Ser
E Não-Ser

Silêncios
Acima
Como chuva
Infinda
Ascendendo
Tod’alma
Ao tempo
Que passa
Quieto e
Eutímico
Como fel

Silêncios
Em rota
Que ascende
Aos plenilúnios
De universos
Vastos no
Imo dos campos
Onde outras
Vozes podem
Silenciar-se


Silêncios e
Tempo
Em universos
Vastos de vazio
Abismos e vozes
Minhas e suas
Perdidas
No silêncio
Preciso.

Silêncio
Diante do
Gigante Verso
Sem Nome
Sem Rosto
Sem Origem
Sem Meio
Sem Fim
Apenas Essência
No mais pleno
Multiverso


Silêncio de morte
De nada absoluto
De escuridão perpétua
De ausência
Sem cor
Sem sabor
Sem vida


Silêncio dos mortos
Daqueles que não
Velam pelo horizonte
Que quebra as correntes
Entre os véus silentes
D’amor e d’ódio


Todo silêncio
Tudo silêncio
Gritos de silêncio
Ecoando
Até ensurdecer
Aturdir
Fenecer


Tudo silêncio
Todo silêncio
Sem pressa
Sem pedir
Sem surgir
Sem querer


Sem nada
Sem nada
Nada em
Um vasto
Quem sou?
De mil vastos
Por quê?


Por que sou?
Por que serei?
Por que fui?
Há saída?
Há caminho?
Há permanência?
Quem me vê
Na fresta da
Estreita janela
Da sala silenciosa?


Ninguém
Além
Do espelho
De eterno
Reflexo
D’angústia


Ninguém
Mesmo
Próximo
Distante
Existente
Inexistente


Ninguém
Nem mesmo 
Eu


Ninguém
Nem mesmo
Outro Eu

Ninguém.

~

Dueto por: Oanna Selten (Versos em itálico) e Giovani Coelho de Souza (Inominável Ser) (Versos em destaque)

~

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