Desafio de férias, atividade 4: cervejinha na mureta da Urca

Atividade patrocinada pela Manu Nóbrega

Quarta-feira, 9 de março

Eu adoro a Urca. Estudei, fiquei bêbada, tive encontros na Urca mas, principalmente, eu passei muito tempo caminhando pelo bairro e pensando na vida. Acho que a geografia ajuda. Olhar o Rio quase de fora, todo o contorno, os prédios altos, o Cristo, o Centro lá no final, as favelas — uma cidade enfiada entre a montanha e o mar, de quem foi essa ideia?

[Lembrei de uma crônica do Veríssimo sobre isso:

“O Rio é uma cidade pouco provável. Se recusa a acreditar que às suas costas há um continente para ser ocupado e fica ali, entre as montanhas e o mar, pagando caro para não sair. Porque o Rio é bonito. As pessoas falam de Israel, que fundou uma civilização no deserto, mas o milagre do Rio é maior: fundou uma civilização na paisagem. Tudo no Rio é luxuriante, o deserto do Rio é a luxúria. Copacabana é uma espécie de Kibutz ao contrário, tentando sobreviver ao excesso de fertilidade. O Rio não tem mais o poder e está rapidamente deixando de ser o centro cultural do país, mas se apega à paisagem e ao jeito carioca de ser — que não é mais do que um jeito de se adaptar à paisagem — como suas últimas resistências ao continente”

A ideia era só ir à Urca, mas acabei escolhendo um dia em que eu precisava ir ao Centro, e que teve umas notícias que me deixaram pensando na vida, e depois foi melhorando rapidamente — por volta das 12h, eu já estava alegrinha novamente e meio que tive dois almoços. E aí continuei resolvendo coisas, e quando estava bem cansadinha, fui relaxar na Urca.

Enquanto eu estava na mureta, tomando cerveja e comendo empada, eu lembrei das quinhentas vezes que andei por ali, em momentos muito distintos. Quando eu estava angustiada pela faculdade, quando tive conversas sobre tudo e nada, quando quis ficar sozinha porque estava triste, quando bebi e coloquei uma mensagem dentro de uma garrafa, quando peguei chuva de propósito na Praia Vermelha… E eu me senti muito grata, especialmente por tudo o que foi confuso e doloroso, e ainda será.

Aí eu mandei fotos do momento pelo WhatsApp e recebi muito afeto do povo que estava trabalhando na hora:

Como eu ia dizendo, muito grata. :-)

Like what you read? Give Gisele do Nascimento a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.