Desafio de férias, atividade 5: ir ao Parque Guinle, estender uma toalha e ler um livro

Atividade patrocinada pela Daniela Kopsch

Quinta-feira, 10 de março

Das atividades que fiz até agora, essa foi a mais difícil. Sério. Dois motivos: aves e o tempo de não fazer nada.

Primeiro, as aves: eu nunca tinha ido ao Parque Guinle na vida, não sabia que um dos atrativos eram cisnes, patos, marrecos, gansos. Eu tenho certo medinho de aves, não confio nelas — exceto nas corujas, que têm os olhos no “lugar certo”. De resto, tento evitar contato com esses seres que estão há muito mais tempo do que meu DNA neste mundo. Só que eu demorei até encontrar um canto livre de patos para estender minha toalha (para meu horror, há um pato que é A CARA do Trump, se isso não faz você tremer de medo, não sei o que faria… O próprio Trump, talvez). Vencida essa barreira, veio a segunda.

A segunda é uma questão de hábito, de falta dele ou de algo mais profundo.

Há algum tempo notei que não consigo mais fazer coisas sem garantir uma distraçãozinha. Um Facebook, um WhatsApp, um tempo para selecionar a playlist do Spotify ideal. Um café, um biscoito — isso no trabalho. No meu tempo livre, eu escuto música enquanto leio livro enquanto converso no WhatsApp enquanto aceito um evento enquanto comento uma publicação e prometo assistir uma série. Eu faço qualquer coisa bem? Não. As coisas são feitas, as contas são pagas, as pessoas são mais ou menos vistas, as obras mais ou menos lidas. Mais ou menos. 50%-70%. Aprovada por média.

[Não estou dizendo que as redes sociais, o Spotify ou — Deus me livre! — o Netflix sejam vilões. É só uma reflexão pessoal de como estou lidando com meu tempo.]

E lá estava eu, pronta para fazer UMA COISA SÓ, e céus, como foi difícil. Eu não tinha me tocado como se tornou difícil me sentir confortável em uma situação com tempo, sombra, água fresca (eu carrego uma garrafa d’água comigo) e um livro que tem me instigado. Se isso não são as condições ideais, o que são? Droga, ansiedade, pare de falar comigo, eu quero ler.

Ai eu lembrei de algo que a Julia tinha falado na terça, de ouvir a respiração, e tentei do meu modo fazer isso enquanto observava as nuvens. Depois disso, a coisa fluiu.

E, olha como são as coisas, o livro encaixou com essas coisas todas, de uma maneira muito viva. Não consigo explicar bem porquê agora, mas há algumas pistas: a protagonista resolveu explorar o passado sozinha, fazendo um percurso que não foi determinado por ela, mas ainda assim escolhido por ela. Vocês revirem os olhos o quanto quiserem com o que vou dizer (“ai, lá vem ela, a super significadora das estrelas #diferentona”), mas naquele momento eu fiz um paralelo com esta lista de atividade aqui. Alguma coisa para me tirar da navegação pelo marasmo, e me recolocar nos meus lugares. Será que faz sentido? Se não fizer, me perguntem mais, eu tento explicar.

Aí, olha que fofo, eu quase perdi a hora (15 minutos de atraso, quase nada em termos cariocas) de visitar a Dani e o Leonardo Machado na mansão deles (ha!). O que foi um presente maravilhoso, porque, céus, por que a gente fica tanto tempo sem ver as pessoas que a gente gosta?! Leo, me explica isso? Você sempre foi mais lógico e certamente vai organizar uma resposta em menos parágrafos que eu. :-)

Monstros e monstros à parte, um dia fascinante!

Cisnes, mas não lembram pequenos monstros de Loch Ness? Hein?
Like what you read? Give Gisele do Nascimento a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.