O primeiro sorriso

Eu tinha três anos e estava no colo da minha avó quando fomos atropeladas enquanto ela atravessava uma avenida perto da minha casa.
Um vizinho não esperou pelo socorro, me pegou no colo e me levou de moto para o hospital. Como não fui imobilizada e transportada corretamente, sofri uma lesão na coluna que me deixou paraplégica.
Lembro da noite em que recebi a carta do Ceir me chamando para comparecer ao Centro. Fui a primeira paciente! Lembro que eu e minha mãe ficamos muito felizes!

Passei por quase todas as terapias: fisioterapia, terapia ocupacional, arteterapia, psicologia, etc. Os momentos que mais me marcaram e me fizeram sorrir foi quando fiquei de pé pela primeira vez, o dia em que dei meus primeiros passos com a ajuda de um andador e o dia em que nadei sozinha durante a natação.
Passei cinco anos no Ceir, até que recebi alta. Mas, mesmo assim, ainda continuo sendo paciente e acompanhada em consultas.
No começo, fiquei triste por ter saído. Eu já estava acostumada com a rotina. Ganhei bastante independência, aprendi a trocar de roupa sozinha, mudar da cadeira de rodas para a cama. Ah, foi no Ceir que aprendi a engatinhar!
Eu passava o dia todo no Centro, vinha todos os dias. E me sinto com bastante responsabilidade por ser o começo e representar muitas pessoas além de mim.
Hoje estou no segundo ano do ensino médio, quero ser advogada e adoro desenhar e ouvir música.
Andrea Eduarda, 16 anos

