O Retorno de Jedi e o impacto de um novo mundo

(“The Return of the Jedi”, 1983, Dir.: Richard Marquand)

Por que “O Retorno de Jedi”? Por que não o revolucionário “Guerra nas Estrelas”? Por que não o impecável “O Império Contra-Ataca”? Por que, na hora de homenagear a saga mais querida do cinema, alguém escolheria justamente o pior filme da trilogia clássica, aquele dos Ewoks?

A resposta é simples: foi o primeiro que vi e foi no cinema, na tela e na idade mais adequadas. Eu não fazia a menor ideia do que estava acontecendo, mas sabia que aquilo tudo era muito, muito legal. Como o Han Solo foi congelado em carbonita? Não importa. Que louco aquele cara ali, congelado por tanto tempo, esperando o resgate dos amigos. Ao contrário do resto da humanidade, aprendi que o Luke era filho do Darth Vader sem nenhum impacto, foi apenas uma informação a mais. Porém, a primeira visão de um sabre de luz, rapaz… não há nada no mundo que estrague esse momento.

Hoje, depois de tantas alterações feitas pelo George Lucas, depois de uma nova trilogia retroativa, mudanças nos títulos e diversas outras lambanças, não parece tão absurdo começar a ver “Star Wars” pelo último episódio. É só mais uma forma de contemplar o grande espetáculo.

Minha maior lembrança da época, depois de todas aquelas informações visuais alucinantes e de todo aquele novo universo que se abriu diante de mim, é a de um amigo na escola, no dia seguinte. No alto de seu conhecimento nerd da 1ª série ele me explicou: “na verdade são 9 filmes”. Uau. E completou: “E eu já vi todos eles!” Como esse amigo era o único da escola que tinha videocassete e ficha na locadora, não contestei. Ele tinha acesso a mais informações do que eu. Levou um tempo até eu descobrir que era mentira.

“O Retorno de Jedi” (por favor, vamos usar a nomenclatura clássica, sem algarismos romanos e tal) começa errando na tradução do título, que obviamente deveria ser “O Retorno do Jedi”. Jedi não é o nome de ninguém, é uma categoria, um cargo, um título, uma classe especial de guerreiros milenares com poderes sobrenaturais. Algo relacionado a religião. “Star Wars” nunca foi tão ficção científica quanto seu concorrente “Star Trek”. Nunca pediu para ser levado a sério. As naves fazem barulho no espaço sim e o sabre de luz é fisicamente inviável, infelizmente.

Os filmes abrem com a frase “Há muito tempo atrás em uma galáxia muito, muito distante” como quem diz “não pense que isso aqui é nossa visão de futuro, porque já é passado”. Se vai acontecer, é futurologia. Se já aconteceu, é mitologia. “Star Wars” é menos ficção científica e mais mitologia como “O Senhor dos Anéis”, uma de suas fontes de inspiração. Por isso é compreensível que alguns malucos levem a sério a “religião” jedi. Sempre achei que todas as religiões fossem mitologias, fantasias, grandes sagas épicas que por algum motivo as pessoas levaram a sério demais.

Feito um pastor ganancioso e oportunista, George Lucas soube ganhar muito dinheiro com a religião que criou. Há quem diga que “Guerra nas Estrelas”, junto com o “Tubarão” do Spielberg, criou a cultura dos blockbusters e matou a arte cinematográfica. Sempre tive dificuldade em abraçar essa teoria porque, se não fossem Spielberg, Lucas e suas obras escapistas multimilionárias, eu jamais teria me interessado por cinema e por toda a arte cinematográfica que fui conhecer depois. Além disso, eu sou publicitário. Faço parte desse sistema capitalista sujo e pago alegremente meu dízimo para a igreja pop desde que me conheço por gente. Brinquedos, navinhas, sabres de luz, bonequinhos, Chewbacca de pelúcia, Darth Vader cabeça de batata. Roupas, chaveiros, adesivo da Aliança Rebelde no carro. Games em diversas plataformas, quadrinhos, desenhos animados dos Droids, dos Ewoks, das Clone Wars. A lista não acaba nunca.

Não é exagero dizer que todo dia encontro algo da franquia por aí. Todo dia algum diálogo é relembrado, aparece uma referência em algum lugar, um novo meme na internet. Um filme de sucesso como “Tropa de Elite” é capaz de gerar memes para uns 6 meses até esgotar seu potencial. “Star Wars” vem gerando assunto desde 1977 (ano em que eu nasci) e não dá sinais de que vá parar tão cedo, principalmente agora que a Disney entrou na brincadeira e retomou a saga. Algo com essa força (opa), sem dúvida merece o meu dinheiro.

Existe aquela outra crítica que diz que “Star Wars” é responsável por uma geração de adultos infantilizados que se recusam a crescer. Um monte de marmanjo Peter Pan beirando os 40 e ainda jogando videogame, lendo quadrinhos e gastando parte do salário com máscara do Darth Vader que muda a voz. Dessa crítica não tenho como fugir, assumo meu lado infatilóide sem problemas. Um adulto maduro e responsável não se lembraria dos sentimentos despertados pela sessão de “O Retorno de Jedi” em 1984, ou da estreia da Tela Quente em 1988, ou do relançamento com os fatídicos ajustes digitais em 1997. Ele não valorizaria tanto o fato de seu pai ter viajado do interior a São Paulo para comprar os VHS da trilogia clássica na 2001 da Paulista para que ele pudesse rever todo ano, na sequência, religiosamente, até que o formato VHS caísse em desuso.

Um adulto maduro gastaria sua memória interna com outras coisas, satisfeito em compartilhar um powerpoint com seus ícones de infância como se ele de fato se importasse com eles, investindo tempo e dinheiro em coisas supostamente mais importantes.

Dar dinheiro para o titio George a cada mudança de mídia faz parte da grande piada interna que é ser fã de “Star Wars”. Por incrível que pareça passei ileso pela era do DVD, não resistindo aos encantos do box em blu-ray, agora já com os 6 filmes. Em 2014 revi tudo na ordem pela primeira vez e foi bem menos traumático do que eu imaginava. Não é que essa bagunça toda faz sentido no final?

E o final é justamente ele, o meu querido “O Retorno de Jedi”. Um filme com um enredo simples: primeiro os heróis devem resgatar Han Solo (Harrison Ford) das garras do repugnante gangster Jabba e depois destruir a nova Estrela da Morte, enquanto Luke Skywalker (Mark Hamill) encara seus demônios para se tornar um jedi completo. É isso. Nada de embargos comerciais, deliberações do senado, aquela politicagem insuportável dos episódios I a III.

O filme do diretor de aluguel Richard Marquand apresenta suas armas com calma, para que alguém que estivesse entrando em contato com a série pela primeira vez, como eu, não se sentisse muito perdido. Primeiro Darth Vader (corpo de David Prowse, voz de James Earl Jones), que vai supervisionar as obras da Estrela da Morte com o Imperador (Ian McDiarmid). Depois R2-D2 (Kenny Baker) e C-3PO (Anthony Daniels), enviados pelos rebeldes para abrir caminho na fortaleza de Jabba. Logo Han Solo será descongelado, revelando um Harrison Ford mais velho e mais astro do que nunca, tendo feito Indiana Jones e “Blade Runner” desde que fora congelado no filme anterior.

O número musical com a banda alienígena adicionado em 1997 é bastante deprimente e todo o plano mirabolante dos rebeldes para resgatar Solo não faz muito sentido. Primeiro eles enviam os droids, depois entram disfarçados aos poucos, parece que a ideia é que todos sejam apanhados para que Luke possa salvá-los de uma vez. É claro que a bela imagem da princesa Leia (Carrie Fisher) escravizada faz valer tudo isso. A imagem da Slave Leia, primeiro fetiche de toda uma geração, repousando em trajes minúsculos aos pés de Jabba com drois e demais bichos exóticos de Tatooine ao redor parece uma pintura renascentista.

Quando Luke finalmente aparece, antecedido por sua fama, ele já é reconhecido como um herói consagrado, autoconfiante e arrogante como todo bom jedi. Ele se impõe diante de Jabba e seus capangas. Ele mata o monstruoso Rancor. Ele salva todo mundo de Sarlacc, o monstro que digere suas vítimas por mil anos. Ele tem uma roupa preta com capa e capuz e um sabre de luz verde, ele é cool demais para Tatooine. Luke volta para Tatooine como um cara bem sucedido na capital volta para sua cidade natal para que todos que o desprezavam saibam que ele se deu bem. Luke é o caipira que se deu bem na cidade grande. Luke é o Frank Sinatra que venceu em Nova York, o Bruce Springsteen que deixou New Jersey para trás.

Ao longo dos anos é curioso notar a diferença entre a obra viva na mente dos fãs e o plano original dos realizadores. Vejamos o exemplo do mercenário Boba Fett (Jeremy Bulloch), um personagem mais do que secundário que por algum motivo ganhou notoriedade entre os fãs a ponto de inventarem todo um passado para ele na trilogia nova. Em “O Retorno de Jedi”, Solo o mata sem querer, uma morte completamente estúpida, indigna para um vilão que evidentemente não nasceu para ser tão importante. A saber: nos quadrinhos já deram um jeito de ressuscitá-lo. Lógico.

Terminado o ato inicial no sistema Tatooine, entramos em preparação para o ato final no sistema Endor, com um breve intervalo no sistema Dagoba. Ali Luke vai se despedir do Mestre Yoda (Frank Oz) que, cansado aos 900 anos de idade, vai partir desta para melhor e se tornar parte da Força. Não sem antes confirmar a paternidade de Luke e fazer mais uma revelação: existe mais um Skywalker solto por aí. O espírito de Obi-Wan Kenobi (Alec Guinness) aparece para explicar rapidamente os filmes da nova trilogia que ainda seriam feitos (spoiler) e completar a informação que Yoda deixou no ar: Luke tem uma irmã gêmea, Leia. Trata-se de uma óbvia tentativa de repetir o impacto da revelação final de “O Império Contra-Ataca”, sem o mesmo sucesso. A Força corre forte na família Skywalker, mas não dá nem tempo de Leia demonstrar algum poder em “O Retorno de Jedi”.

De volta à ação, o Almirante Ackbar (Tim Rose) explica como a Aliança Rebelde vai proceder: a equipe de Han Solo vai desligar o escudo defletor da Estrela da Morte na lua de Endor, para que a equipe de Lando Calrissian (Billy Dee Williams) ataque e destrua a maior arma do Império. De novo, tudo bem simples e bonito. Lando usará a Millenium Falcon, a nave mais rápida da galáxia. Antes de partir, Solo dá uma última olhada para ela, com aquele pressentimento de que nunca mais vai vê-la, algo que eu sempre sinto quando estaciono meu carro em algum local ermo. A ideia original era destruí-la no clímax, mas alguém desistiu, graças a Deus.

Costumo recorrer a “Star Wars” em outras ocasiões relacionadas ao trânsito de São Paulo, como quando a sinalização, o GPS ou o Waze parecem não fazer sentido, desligo os aparelhos e confio nos meus instintos; quando um maluco aparece costurando o trânsito em alta velocidade eu costumo apelidá-lo de Millenium Falcon Na Estrela da Morte; motoboys paulistanos devem muito às speeder bikes, precursoras da alta velocidade em espaços limitados e protagonistas de uma das melhores cenas de ação da série, quando Luke e Leia perseguem os troopers no meio da floresta. É muito legal encaixar Star Wars em todas as situações da vida.

É no meio do mato que nossos heróis encontram os Ewoks, ursinhos carinhosos responsáveis pelas maiores críticas a “O Retorno de Jedi”. A infantilização da saga atinge seu ápice com os bichinhos de pelúcia de Endor, antecipando em décadas o futuro contrato com a Disney. Tenho certeza de que George Lucas criou o insuportável Jar Jar Binks anos depois só para provar que os Ewoks não eram tão ruins assim. Eles eram simpáticos, fofinhos, tinham um desenho bacana na Xuxa e ganharam um filme próprio reprisado até a exaustão na Sessão da Tarde: “Caravana da Coragem”.

Toda a interação dos heróis com os Ewoks em Endor acaba sendo meio chata, mas é preciso valorizar o seguinte: trata-se do grupo em sua formação clássica (Luke, Leia, Solo, Chewbacca, R2-D2 e C-3PO) tendo tempo e espaço para se meter em confusões e simplesmente desfilarem carisma, como uma boa matinê anos 80 com muppets e senso de humor exigiam. Temos as tiradinhas sarcásticas de Han Solo, as presepadas do C-3PO e toda a personalidade de R2-D2 e Chewie, dois personagens que nem precisavam falar nossa língua para serem compreendidos. Todos muito queridos e muito à vontade. Quão singela é aquela cena em que Han dá um tapinha nas costas do trooper e corre para o outro lado, levando o oponente até uma emboscada? Digna dos melhores filmes dos Trapalhões.

Luke e Leia, os mais sisudos, têm assuntos mais sérios para tratar. Ele conta que é seu irmão e ela conta que se lembra vagamente da mãe, uma mulher triste. Um grande erro proporcionado pela nova trilogia, que matou mamãe Amidala (Natalie Portman) no parto. A reunião familiar continua na sequência, quando Luke se entrega ao papai Vader. O conflito entre os dois é o núcleo da trilogia clássica e neste clímax um vai tentar levar o outro para o seu lado. O lado negro da Força (ou sombrio, se você for da nova geração politicamente correta), vai pra cima de Luke na figura do Imperador, que aplica nele a mesma estratégia que deu certo com Anakin: o despertar do ódio, o apelo de uma parente próxima em perigo (Amidala vs Leia), o velho golpe do “se você me matar eu terei vencido”, a sensação de que ele armou toda aquela guerra como uma armadilha para capturar o jedi. O Imperador, ele é um grande filho da puta.

Bizarro então que toda a bem bolada estratégia do Imperador maquiavélico seja destruída pelo elemento-surpresa proporcionado por, sim, eles mesmos, os Ewoks. São as simpáticas bolas de pelo que definem a batalha em Endor, possibilitando aos rebeldes o sucesso no seu Dia D contra a Estrela da Morte. Lá vão Millenium Falcon e esquadrões de X-Wings, entre outras naves incríveis, percorrer a obra do mal e mandar tudo pro espaço mais uma vez, exterminando, como bem observou Kevin Smith em “O Balconista”, uma porção de pais de família trabalhadores que estavam ali apertando parafusos e levantando as paredes da estação bélica. Isso a Globo não mostra.

Tanto a Estrela da Morte quanto as naves envolvidas na guerra nas estrelas são um primor de design, assim como figurinos e adereços como os capacetes de Darth Vader e dos troopers são sempre marcantes. Grande parte do fascínio exercido por “Star Wars” está ali, seja no design clean quase nazista do Império, seja na decadência da resistência, a Aliança Rebelde com suas naves sucateadas e tecnologicamente inferiores. Esse visual em si é mais importante que os efeitos visuais, que inevitavelmente ficam datados em algum momento. Os sons dos beeps de R2-D2, da respiração ofegante de Vader e dos sabres de luz acendendo ou se chocando uns contra os outros são outros elementos tão importantes quanto a inesquecível trilha de John Williams, tão cheios de identidade quanto o lettering em perspectiva e o logo da série na abertura. “Star Wars” é uma aula de publicidade não por George Lucas ter feito ótimos contratos de merchandising e royalties, mas porque tudo que ele criou para a série é, no jargão da área, top of mind.

Então tudo se resolve como sempre: em um duelo de sabres de luz. Dessa vez um duelo mais psicológico do que físico, com o Imperador ao lado fazendo o papel do demônio tentador. O sabre verde de Luke Skywalker encontra o sabre vermelho de Darth Vader, ambos vestidos de preto nas sombras com uma batalha estelar pegando fogo do lado de fora da janela. A sequência é toda linda e tem seu ápice quando Luke, cheio de raiva, vai para cima do pai até decepar seu braço, vingando-se da mutilação que ele próprio sofrera no filme anterior. Mas Luke se recusa a matar o pai, acaba sofrendo nas mãos do Imperador e é salvo por um Vader já debilitado, que joga o demônio no abismo e, enfim, restabelece o equilíbrio da Força, concluindo a profecia que Yoda anunciava há tempos.

Darth Vader, maior vilão da história do cinema, conclui sua trajetória tirando a máscara para ver o filho com seus próprios olhos e se revela um homem frágil (Sebastian Shaw, terceiro ator a fazer Vader no mesmo filme). Ao contrário de Yoda e Obi-Wan, ele não desaparece na Força, mas tem o corpo cremado. O que não impede que seu espírito apareça ao lado de Obi-Wan e Yoda no final, na última versão com o rosto e o corpo de Hayden Christensen, o Anakin da nova trilogia e quarto ator a fazer Vader no mesmo filme. Talvez porque no mundo etéreo da Força o lado negro não tenha vez. Talvez por algum outro motivo que só o George Lucas conhece. Crie sua própria teoria e tente explicar por que Qui-Gon Jinn (Liam Neeson) não está ali entre eles.

O filme termina com uma festa em Endor, que na última versão ganhou uma música nova muito pior que a original. Agora também vemos festa em outros pontos da galáxia, com direito a um Jar Jar sendo Jar Jar, ou seja, irritando na festa de Naboo. Essa perspectiva de que existem grandes megalópoles superpovoadas na galáxia e de que todas elas dependeram dos primitivos Ewoks para se libertarem do mal me deprime um pouco e eu prefiro não pensar muito nisso. Só mais um dos muitos legados negativos da nova trilogia.

Mas os novos filmes tiveram um lado positivo também. Quando o Episódio 1 (“A Ameaça Fantasma”) foi lançado em 1999, cercado das maiores expectativas da galáxia, eu estava morando e concluindo um curso de cinema em Campinas. Nossa turma produziu um curta bem safado, porém motivo de orgulho, que calhou de ser “lançado” no mesmo dia em um evento para amigos e parentes. O apresentador do telejornal local anunciou “dois lançamentos hoje em Campinas”. Um deles era o nosso e o outro era o do George Lucas, naquilo que foi o auge da minha breve carreira cinematográfica. Quando acabou nossa première, deixamos amigos e parentes bebendo sozinhos e corremos para um cinema de verdade ver a pré-estreia do nosso concorrente com direito a cosplayers, duelos de sabre na fila e tudo mais. O filme, hoje sabemos, foi uma porcaria. Mas aquela noite foi incrível.

A saga continuou no cinema e em várias outras mídias e eu nunca consegui, nem sequer tentei, acompanhar todos os seus desdobramentos. Durante um tempo tive medo de ver “Star Wars” perder sua Força e se tornar um mero item de colecionador saudosista. Esse medo sumiu principalmente depois da venda da marca para a Disney e do anúncio do novo filme, "O Despertar da Força" de J. J. Abrams, que chegou em 2015 trazendo alegria, surpresas e lágrimas para todos nós, ainda que seja quase uma refilmagem do Episódio IV. Agora teremos novos filmes deste lindo universo todo ano e esse clima de expectativa constante por um novo “Star Wars” é uma delícia. Além disso, animações para a TV como "Rebels" e "Clone Wars" são provas de que esse universo não vai morrer tão cedo.

Meu novo termômetro de popularidade é o meu sobrinho que nasceu em 2010 e ainda não entende direito a história dos filmes, mas, com algum incentivo do tio, já é apaixonado pelo Darth Vader e acha tudo muito, muito legal. Tios têm a obrigação de ensinar os sobrinhos, como Luke fez com Kylo Ren, você sabe. Isso me diz que vai dar tudo certo, que vai ficar tudo bem, que não vamos deixar o Harry Potter e os super-heróis da Marvel dominarem o imaginário infantil. Quando tinha 4 anos, ele me mostrou uma HQ de “Star Wars” que eu nem sabia que existia e fiquei doido para comprar. Quer dizer, é questão de tempo até meu jovem padawan me ultrapassar e levar a Força adiante.

Como último ensinamento antes de passar meu sabre a ele, vou tentar explicar que todos os diálogos que decoramos, os bonequinhos com os quais brincamos, os jogos que jogamos, as amizades que fazemos e as discussões inúteis que temos nos revelam que não se trata de um simples filme, ou de uma simples trilogia, duas que seja, nem das três do meu amigo mentiroso ou dos infinitos filmes que a Disney promete fazer. Parece que passamos a vida em busca de outro “Star Wars” e tudo que consumimos e adoramos na chamada cultura pop é resultado dessa busca incessante por algo que no mínimo se compare à sensação de ver um sabre de luz sendo ligado pela primeira vez. Alguns às vezes chegam perto, a maioria morre no caminho, mas é essa busca que importa e ela valeu a pena até aqui.