Ruas de Fogo e os injustiçados

(“Streets of Fire”, 1984, Dir.: Walter Hill)

Não dá pra prever o sucesso. Às vezes você ama algo à primeira vista e espera que todo o resto da humanidade te acompanhe, mas isso nem sempre acontece. Quando vi “Ruas de Fogo” pela primeira vez na Tela Quente, eu tinha certeza absoluta de que seu impacto na escola no dia seguinte seria o mesmo de “Top Gun”, que havia passado pouco tempo antes: meninas histéricas apaixonadas pelo mocinho, o romance, as músicas; meninos malucos pela enorme quantidade de atrativos como tiros, socos, brigas, motos e a mocinha gata. Mas nada disso aconteceu. Ninguém veio comentar comigo sobre o filme. Enquanto eu havia passado por uma experiência divisora de águas, o resto da humanidade parecia nem sequer ter notado a sua existência. Senti o fracasso na pele. Levei para o lado pessoal. Foi como se o filme fosse meu. Como se eu tivesse feito meu filme perfeito, com tudo de legal que eu poderia imaginar, e o mundo o tivesse ignorado.

Segui minha vida levando “Ruas de Fogo” comigo, encontrando pelo caminho alguns poucos gatos pingados que compartilham o mesmo sentimento. É uma turma unida, acredite. Filmes cultuados, especialmente os underdogs como “Ruas de Fogo”, não têm fãs — têm defensores apaixonados. Comprar uma camiseta de filme do Kubrick ou uma almofada com estampa de Tarantino na Rua Augusta é fácil. Estou falando de outra coisa. Estou falando de sonhar com uma trilha sonora e esperar até o aniversário pra ir na loja Museu do Disco no Shopping Iguatemi de Campinas pra ganhar o LP de presente, de passar a vida tentando redesenhar a maravilhosa ilustração da capa, apesar de não ter nenhum talento para o desenho. Estou falando de esperar anos por um DVD que demorou demais pra sair, e que saiu sem nenhum extra, e comemorar porque pelo menos a dublagem original da TV está nele. De encomendar uma luminária personalizada que é uma fita VHS do filme pra colocar na sala, dentre tantas outras opções de filmes que eu poderia escolher.

“Ruas de Fogo” é o Cheap Trick do cinema. Eles não têm nenhum hype, não entram em coletâneas nostálgicas e são citados por aí muito raramente. São legais demais, subestimados demais, seus poucos fãs são devotos ferrenhos e suas músicas estão no inconsciente coletivo, embora ninguém saiba de onde elas vêm. Eles não se levam a sério. E eles são muito rock’n’roll. “Streets of Fire”, aliás, é o nome de uma música de Bruce Springsteen de 1978. Infelizmente, o Chefe não liberou a faixa para o filme quando soube que ela seria regravada para a cena final.

“Uma Fábula de Rock’n’Roll” é o subtítulo bem bolado, embora não existam bichos falantes e fadas madrinhas. Mas há a princesa raptada por um ogro cruel e o príncipe convocado para resgatá-la. O filme começa com um providencial “Em outra época, em outro lugar”, dando a dica de que a história se passa em um tempo indefinido. Os figurinos de Giorgio Armani, os neons, os diners, os motoqueiros rebeldes, os penteados rockabilly e os carros são dos anos 50, mas a sujeira das ruas molhadas, a decadência dos edifícios, algumas cores exageradas, ambientes new wave, roupas bufantes e cabelos com laquê não escondem sua origem nos anos 80. O conjunto da fotografia de Andrew Laszlo com o desenho de produção, a edição com transições de quadrinhos, a trilha de pop, rockabilly, blues e soul assinada por nomes como Ry Cooder (“Buena Vista Social Club”), Jimmy Iovine (“U2 Rattle and Hum”) e Jim Steinman (produtor e compositor de Meat Loaf e Bonnie Tyler), a produção caprichada de Joel Silver (“Matrix”) e a direção muito macha de Walter Hill, que já havia abordado a delinquência juvenil no clássico “Warriors — Os Selvagens da Noite”, garantem uma atmosfera cool absoluta em cada quadro. Uma dádiva que a maioria dos filmes da década de 80 não possui: a estética de “Ruas de Fogo” envelheceu muito bem.

Como não poderia deixar de ser, o filme abre com um show de rock. Ellen Aim and the Attackers estão se apresentando em Richmond, um distrito decadente de alguma megalópole indefinida. E como bom show de rock, ele abre com um sucesso de levantar estádio. A música é “Nowhere Fast”, supremo hit de aulas de aeróbica e um marco esquecido dos anos 80. Ellen Aim é interpretada por uma linda e jovem Diane Lane, que no ano anterior havia encantado Francis Ford Coppola em dois filmes sobre juventudes transviadas: “Vidas Sem Rumo” e “O Selvagem da Motocicleta”. Ellen Aim é a minha maior sex symbol do cinema e não tem pra ninguém. Trata-se de uma estrela pop fabricada, superficial e ambiciosa. Em um determinado momento do filme ela revela a uma fã que nunca compôs nada, que seu empresário compra ou rouba as músicas. Ela trocou a paixão de sua vida, um bad boy galã e briguento a la Marlon Brando, pela segurança de um empresário inescrupuloso, feio, baixinho e coxinha vivido por Rick Moranis. Ela renega seu passado humilde, ela só pensa na carreira. Do lado de cá da tela, cada música que Ellen canta é interpretada por uma cantora diferente. Em alguns casos, são várias cantando junto para dar voz à diva — em “Nowhere Fast”, as vozes são de Laurie Sargent, Rory Dodd, Holly Sherwood e Eric Troyer. Ellen Aim é uma fraude e a interpretação blasé de Diane Lane fora dos palcos é discutível, mas eu a amo mesmo assim. Porque em cima do palco, seu habitat natural, Ellen Aim é uma deusa.

O show parece correr bem, mas vemos a fã Reva (Deborah Van Valkenburgh) apreensiva na plateia. Motoqueiros maus estão se aproximando. A dupla de policiais formada por Ed Price (Richard Lawson) e Cooley (Rick Rossovich, o parceiro de Iceman em “Top Gun”) está preocupada. A gangue dos Bombers é um perigo, liderada pelo feio, mau e nojento Raven Shaddock, um dos primeiros papéis de destaque de Willem Dafoe. Os Bombers invadem o show, sequestram Ellen Aim e botam fogo nas ruas de Richmond. Outro novato promissor, Bill Paxton, é o barman Clyde, que tenta impedir a ação da gangue e leva uma surra. Reva, preocupada, envia uma carta para seu irmão Tom Cody (Michael Paré), o cavaleiro solitário que volta à cidade. Paré e sua pinta de galã não tiveram a mesma sorte do restante do elenco. Ele acabou em filmes de ficção B daqueles que saem direto em vídeo, ao lado de outros nomes de peso da época, como Rutger Hauer e Tom Berenger. Canastrão e limitado, Paré foi o que mais sentiu o fracasso de “Ruas de Fogo”, sua grande chance de alcançar o estrelato. Pobre Tom Cody. Aqui, os letreiros iniciais nem terminaram e ele já aplicou um corretivo, sozinho, em uma gangue de arruaceiros que atazanava o diner da irmã garçonete. Não sem antes estraçalhar umas vidraças e demonstrar uma técnica invejável com o canivete, é claro.

Assim como Ellen, Tom foi criado na vizinhança, é o garoto rebelde sem causa que todos conhecem, que volta à cidade e encontra as coisas diferentes. A primeira coisa que faz no retorno é arrumar uma briga. A segunda é pegar o carro dos arruaceiros, um Mercury 1951 vermelho, customizado e conversível, pra dar um rolê com a irmã. E quando ela conta que sua ex foi sequestrada e que ele deveria resgatá-la, o bom senso atua:

“Você quer que eu vá salvar uma ex-namorada que está transando com outro cara? Corta essa!”

A terceira coisa que Tom Cody faz é se enfiar em um bar, onde reencontra o barman Clyde e conhece McCoy (Amy Madigan), a primeira personagem autenticamente lésbica com a qual tive contato na minha vida cinematográfica. Ao longo do filme ninguém menciona sua orientação sexual. McCoy se apresenta como uma “soldado”. Mais pra frente, quando já se tornou a melhor amiga de Cody e ele está abrindo seu coração, McCoy confessa que também se decepcionou com um namorado uma vez.

“Mas isso antes de eu ser soldado.”

Ou seja, antes de sair do armário. O personagem foi concebido como homem, mas a atriz Amy Madigan convenceu Walter Hill a reinventá-la assim, de forma ambígua. McCoy deveria ser símbolo de uma era. Uma era onde um filme de aventura podia se dar ao luxo de incluir uma espécie de versão GLSBT do Han Solo entre os protagonistas. E veja, se é normal uma mulher ter um melhor amigo gay, Tom Cody tinha uma melhor amiga lésbica. Ponto para o vanguardismo em um filme concebido para ser retrô.

Então Cody está em casa pensativo e, vendo uma foto velha de Ellen Aim (com cara de foto da sua avó quando era jovem), ele muda de ideia e decide resgatá-la. Motivação do personagem é coisa de estudante de teatro da USP, meu filho. Cody segue seu coração e decide aproveitar pra tirar uma grana do empresário da ex, o inacreditavelmente covarde, falastrão e arrogante Billy Fish (o eterno Rick Moranis). E mais: Cody escala Fish para ir junto na missão, já que ele conhece a área dos Bombers, o longínquo distrito de Battery. Pausa para contestar o roteiro. Por que simplesmente eles não avisam a polícia? Vai saber… Mais um dos mistérios do texto não muito coeso de “Ruas de Fogo”. Além de diálogos que abusam do “Cala a boca” e do “É o seguinte…”, não sabemos nem por que diabos Raven sequestrou Ellen Aim. Ele não pede resgate, pede apenas pra que ela fique com ele umas duas semanas, posando de namoradinha. O ideal é encarar o filme como um western, uma versão rockabilly sem cérebro e sem pretensões de “Rastros de Ódio”. Os índios sequestraram a mocinha e o mocinho tem a missão de salvá-la. Ponto.

O grupo de resgate formado por Cody, Fish e McCoy trava diálogos incríveis na longa viagem até o Battery, especialmente na nossa divertida versão dublada. Coisas como:

“Eu compro e vendo pessoas mais valiosas que você todo dia.” (Fish) 
“É difícil saber o que é mais patético: a maneira como você fala ou as roupas que você usa.” (McCoy)

O roteiro exagera para mostrar Billy Fish como um sujeito escroto insuportável, que graças à figura de Rick Moranis se torna cômica. Sua interação com Amy Madigan rende o bom humor que não caberia na figura extremamente cool do casal principal.

Eu divido “Ruas de Fogo” em capítulos. A introdução mostra o sequestro de Ellen e o retorno de Cody. O capítulo I é a missão de resgate, a viagem até o inferninho em Battery, o show da banda The Blasters com direito a strippers e motoqueiros sujos e o resgate em si, com McCoy chamando para si a responsabilidade da partida e Cody literalmente botando fogo na rua. A missão é um sucesso, mas Raven jura vingança em uma bela cena em meio a chamas com Tom Cody fazendo pose de sobretudo em uma moto turbinada.

O capítulo II envolve o retorno da turma para casa, numa espécie de road movie urbano no melhor estilo “Uma Noite de Aventuras” ou “Depois de Horas”, filmes da época onde uma porção de coisas bizarras aconteciam a um grupo de pessoas em apenas uma noite de correria. Algumas revelações novelescas acontecem: McCoy conta a Billy que Tom e Ellen já tiveram um tórrido romance. Billy conta a Ellen que ele está sendo pago pelo serviço. Tom e Ellen discutem a relação. Tom joga na cara de Ellen que se tornou mercenário igual a ela. Uh! Ponto para os meninos.

Quando o grupo cai na noite sem carro, aperece a personagem mais chata e descartável do filme, a loirinha tiete Baby Doll (Elizabeth Daily). Já revi “Ruas de Fogo” umas mil vezes e continuo sem entender qual é a sua função na trama. Em compensação, logo na sequência aparecem os Sorels, um sensacional grupo de soul no melhor estilo Motown, da linhagem dos Four Tops ou Temptations. Como curiosidade, a presença de Mykel T. Williamson, o Bubba de “Forrest Gump”, entre eles. No mais, os transtornos da viagem de volta contam com pneu furado, suborno de policiais e mais brigas internas com Billy Fish. Em determinado momento, Cody solta mais uma pérola:

“Eu só não acabo com a sua raça agora mesmo porque seria fácil demais.”

Como é normal nesses road movies urbanos, as confusões acabam colocando tanto a polícia quanto os bandidos atrás dos nossos heróis. E como também é normal nesses filmes, tudo se resolve quando eles chegam em casa. Ellen é recebida com festa em Richmond, mas Cody avisa que a bagunça está só começando. Um mensageiro dos Bombers está esperando e agenda um encontro de Raven com o policial Price. Em um depoimento no melhor estilo de um boxeador antes da luta, Raven chama Cody para o pau.

O capítulo III mostra os momentos que antecedem o duelo e o confronto em si. É quando “Ruas de Fogo” assume seu lado faroeste de vez. Chove em Richmond. A jukebox do diner toca alguma mistura de country com blues. O xerife chama Cody para dar a ordem: saia da cidade. Pegue o trem hoje à noite. Sem mais nada a perder, Tom Cody acaba fazendo as pazes e mais algumas coisas com Ellen Aim, após um romântico e clássico beijo na chuva. Com o amor da sua vida e sua melhor amiga ao seu lado, Cody ameaça sair da cidade. Mas a moral, a honra e o espírito rebelde o fazem voltar para enfrentar o bandido, feito Gary Cooper em “Matar ou Morrer”. Não adianta fugir dos problemas, eles vão te perseguir para sempre, então é melhor resolvê-los logo. Para que Ellen não atrapalhe seus planos, Tom tem uma saída bem pouco sutil: abatê-la com um soco na cara. Por essa e por outras, “Ruas de Fogo” foi acusado de misoginia quando lançado. Não que isso deva ter tirado o sono de Walter Hill, herdeiro da escola Sam Peckinpah de cinema. “Ruas de Fogo” é filme de macho, como queríamos demonstrar.

Tom Cody volta e encontra Richmond isolada pelos Bombers. As ruas estão em chamas novamente. Os bandidos, com motos no lugar dos cavalos, aparecem em peso. A população sai às ruas armada para se defender. Entre o duelo dos dois delinquentes e uma guerra civil, a polícia obviamente escolhe o primeiro. Tom Cody e Raven Shaddock travam uma brutal luta de marretas. A briga termina em socos e no final, é claro, nosso herói arrebenta o vilão.

Sem muito tempo para comemorações, o epílogo nos leva direto para mais um show de Ellen Aim em Richmond, agora com os Sorels como banda de apoio. Eles abrem o show com “I Can Dream About You” (na versão do disco cantada por Dan Hartman, no filme por Winston Ford), ainda hoje um sucesso nas rádios de easy listening e faixa mais bem sucedida de toda a trilha. Nos bastidores, Billy Fish tem sua primeira atitude sensata em todo o filme, dizendo a Cody:

“Ela precisa de mim, mas ama você.”
“Isso passa.”

Tom e Ellen se despedem. Um último beijo e ele parte em meio à plateia, enquanto ela sobe ao palco para o gran finale com “Tonight Is What It Means To Be Young”, um dos finais mais emblemáticos de todos os filmes que marcaram minha infância e adolescência.

Se o filme/show começou com um sucesso, ele termina com catarse. A música de Jim Steinman lembra sim seus outros sucessos, especialmente “Total Eclipse of the Heart”, mas é muito melhor. A banda que a gravou, batizada de Fire Inc., agora conta com três vocalistas: Holly Sherwood, Rory Dodd e Eric Troyer, e é quase uma ópera, um hino à juventude perdida, aos amores impossíveis, aos sonhos esquecidos. Talvez ela tenha envelhecido mal, talvez o pessoal de hoje a considere cafona e exagerada, mas eu não consigo não me emocionar desde a primeira nota. Ajuda o fato de Walter Hill e sua equipe criarem a melhor cena de show fake que já vi em um filme. Iluminação, posicionamento de câmera, coreografia, edição, condução da plateia e principalmente a interpretação intensa de Diane Lane, sentindo cada verso como uma punhalada no peito, fazem da performance de Ellen Aim um momento mágico. Fazem o subtítulo de fábula fazer sentido.

Em meio a essa profusão de imagens e sons bombásticos, três planos específicos acabam comigo, não importa quantas vezes eu assista. Ellen Aim, desgastada emocionalmente e sabendo que seu amado está partindo, olha para o fundo da plateia enquanto canta com os Sorels ao lado. Corta para Tom Cody, que sente o olhar, vira-se e sai pela porta. Volta para Ellen, que agarra o microfone com força e abaixa o olhar, triste. Nenhuma outra cena representa melhor o fim de um relacionamento. Porque são só olhares e uma música, ninguém precisa dizer mais nada. Acabou.

Logo na sequência a câmera se afasta, mostrando Ellen com os outros músicos, sua carreira continuando, sua vida seguindo em frente, a plateia delirando. E Tom Cody mais uma vez solitário caminhando pela rua debaixo de um luminoso com o nome da moça, indo encontrar seu destino. Para não acabar completamente triste, McCoy aparece no Mercury vermelho oferecendo uma carona, e os dois amigos vão embora juntos. O início de uma grande amizade. O “Casablanca” do rock’n’roll.

Ainda me lembro do impacto deste final na primeira vez que vi, era difícil acreditar que algo pudesse ser tão bacana. Até hoje, quando bate aquela saudade, corro rever no YouTube. Só aquela cena da despedida, que começa com Reva na plateia, vendo seu irmão indo embora enquanto vibra com Ellen no palco, com os olhos cheios de lágrimas. Ao longo da vida, já estive no papel dos três personagens: o que escolhe ir embora, o que vê seu amor partindo, ou o observador que vê de longe um amor se acabando. Sei como cada um deles machuca.

O legado de “Ruas de Fogo” no mundo exterior não é tão fabuloso quanto na minha vida pessoal. Mais tarde descobri que a ideia original era uma trilogia com as aventuras de Tom Cody, que não vingou devido ao fracasso do episódio I. O II se chamaria “The Far City” e o III “Cody’s Return”. Mas o mundo é injusto, a vida é cruel, e o cineasta B Albert Pyun fez uma sequência não oficial e pra lá de trash chamada “Road to Hell”, que tem cara de um “Sin City” sem talento e sem dinheiro, com Michael Paré e Deborah Van Valkenburgh repetindo seus personagens e uma atriz desconhecida no papel de Ellen Aim. Um triste fim para Tom Cody, muito pior do que perder a mocinha para o Billy Fish. Não vi e nem pretendo ver.

No encarte do LP da trilha, Walter Hill revela que quis incluir em “Ruas de Fogo” tudo que ele achava legal quando adolescente e que continuava achando legal enquanto adulto: carros customizados, beijos na chuva, neon, trens pela noite, perseguições em alta velocidade, brigas, estrelas do rock, motocicletas, piadas em situações difíceis, jaquetas de couro e questões de honra. Quando li isso pela primeira vez, não me identifiquei tanto quanto me identifico agora. “Ruas de Fogo” é como tudo isso aí. Era muito legal na minha infância e continua muito legal agora. É isso aí o que significa ser jovem.