A ascensão do Governador, de Robert Kirkman e Jay Bonansinga
(Ou “Até filhos da puta têm uma história para contar”)

Tenho um amigo viciado em mortos-vivos. Para vocês terem uma ideia, ele leu Orgulho e preconceito e zumbis só porque tinha a palavra “zumbi” no título. Teve uma vez que fomos ao shopping e ele, indignado por eu ainda não ter visto Shaun of the dead, contou o filme inteiro para me convencer a assistir. O vício é tanto que até no convite de formatura dele tinham zumbis.
O menino André Buono estudou comigo na faculdade e lá ficamos amigos. E se falo isso de forma simples é porque nossa amizade é assim. Começou sem motivo e se estendeu porque passamos a nos preocupar um com o outro, do jeito natural que uma boa amizade deve ser. Vem das aulas. Vem de quando trabalhamos juntos. Vem das inúmeras viagens. Das furadas. Dos bares. Das conversas pela madrugada. Da vida.
Foi o Buono que insistiu para eu assistir The Walking Dead. A série tinha estreado há um ano e meio e ele encheu tanto minha cabeça que cedi e estou preso a ela até hoje, em uma síndrome de Estocolmo sem fim. Tudo culpa daquele verme. Como hoje é aniversário dele, não há melhor livro para homenageá-lo do que A ascensão do Governador.
Antes, porém, precisamos voltar aos quadrinhos. Sim, porque tem gente que não sabe que The Walking Dead começou como uma publicação mensal, em 2003. Antes de assistir à série, li os primeiros volumes e descobri o quão maravilhosos eles são. Quando vi o episódio piloto, minha cabeça explodiu com o quão fiel era a transposição do quadrinho para a televisão. Depois a série começou a andar sozinha e com um formato característico de tv, mas o primeiro episódio foge de tudo que eu tinha visto até então.

The Walking Dead não é uma obra sobre zumbis, é sobre a natureza humana. Aliás, toda boa obra de zumbi é menos sobre eles e mais sobre como a sociedade se comporta em uma situação extrema, principalmente como reagimos frente a outras pessoas na mesma situação.
É por isso que o maior destaque são os personagens. Por mais que alguns sejam bem caracterizados no seriado, eles são mais fodas ainda nas revistas. Um deles é o temido Governador, que comandava Woodbury e transformou a Terra em inferno para o grupo do Rick. Nos quadrinhos, a história começa com ele já tresloucado, pronto para usar de todas as armas possíveis para atingir seus objetivos. Porra, é ele que corta a mão do Rick! E como ele é um personagem muito querido e que não pode ter seu passado explorado, decidiram trazer essa história para um livro.
Esse passado é mostrado em A ascensão do Governador. Ele nos traz os passos do personagem até chegar a Woodbury e mostra que aquela figura odiável tem motivos para ser como é. As perdas sofridas ao longo do caminho o tornaram uma pessoa mais fria e sofrida. Enquanto o grupo do Rick segue em frente a cada morte, ele decidiu viver cada uma delas de forma intensa, a ponto de mudar a própria personalidade por causa deles. De quebra, o livro ainda apresenta uma reviravolta interessante para a figura que aprendemos a temer.
Na real, o livro é um grande serviço para os fãs. Quem não acompanha os quadrinhos ou a série dificilmente vai se sentir tão imerso na história como me senti. Também faz parte de um plano maior de The Walking Dead de estar presente em todas as mídias possíveis. Não vou entrar no mérito se é para arrancar nosso dinheiro ou contar boas histórias, mas para os fãs é uma delícia acompanhar essa história de formação de um personagem tão instigante.
Ao comprar A ascensão do Governador por algum dos links abaixo, você me ajuda a manter o #365Livros e o canal no YouTube.
A ascensão do Governador: Amazon | Americanas | Cultura | Saraiva | Submarino
