Dupla falta, de Lionel Shriver
(Ou “Como perder um grande amor em 5 sets”)

Minha kriptonita se chama “canal de esportes”.
Já me obrigaram a sentar de costas para a televisão por culpa de uma partida da segunda divisão do Campeonato Paulista. Assisti a jogos de hóquei na grama sem um narrador para me falar quais eram as regras. Perdi boa parte de um rolê por uma luta do UFC feminino. E eu nem gosto de UFC!
É involuntário, juro.
Isso vale para qualquer esporte. Vôlei, handebol, atletismo, ginástica artística, arremesso de peso, tiro, pentatlo moderno, cuspe à distância. Não faço distinção. Para piorar, existem três que me fazem até desmarcar compromissos. Futebol é um deles. Fórmula 1 e tênis são os outros dois.
Tenho o Atlético Mineiro tatuado na minha alma desde os seis anos de idade. Aos dez já acordava de madrugada para assistir corridas de Fórmula 1. Completei dezoito e virei consumidor diário de notícias sobre tênis. Hoje, por exemplo, acontece a final de Wimbledon. Como não tenho intenção de perdê-la, escolhi um livro para combinar com a data.
Encontrei-o por acaso em uma banca de promoção no shopping. A capa tinha uma rede rasgada e uma quadra de cimento mal acabada. Era sobre tênis, não tinha dúvidas. Só depois descobri que ele foi escrito pela Lionel Shriver, mesma autora do aclamado Precisamos falar sobre Kevin. O que era só um livro sobre esporte ganhou contornos psicológicos não esperados.
Era uma vez um casal de tenistas profissionais. A mulher trabalhou a vida inteira para atingir o sucesso. O homem descobriu por acaso que era bom e se aprimorou nos treinos. Enquanto ela lutava para subir alguns degraus no ranking da WTA, ele escalava rapidamente as posições do ranking da ATP. Mesmo velada, há uma competição tóxica no casal. Não existe um felizes para sempre.

Ao falar sobre o mundo do tênis, o livro extrapola as quatro linhas e levanta perguntas pertinentes para qualquer um que tenha sonhos ambiciosos. Até onde estamos dispostos a ir para atingir nossos objetivos? Estamos preparados para ser mais um dos milhares que falham no caminho? Nosso psicológico está preparado para isso? Conseguiremos abrir mão do nosso sonho em favor de quem amamos? Essas foram apenas algumas perguntas que ficaram na minha cabeça após a leitura.
Dupla falta não me pegou em um bom momento psicológico. Na época, minha cabeça estava confusa. A sensação era a de ter errado o primeiro saque. Aquele em que pode-se arriscar tudo. Estava em um processo intenso de autoconhecimento (e ainda estou). Foi complicado lidar com as dúvidas que surgiram.
Agora estou na linha de saque, pronto para o segundo serviço. Não posso errar.
Caso contrário é game, set, match.
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