Fique onde está e então corra, de John Boyne
(Ou “Quando essa guerra idiota terminar”)

28 de junho, 1914. Com o assassinato do príncipe Francisco Ferdinando, a Áustria-Húngria deu o Ultimato de Julho para a Sérvia. O recado era claro, ou cumpriam as 10 exigências ou entrariam em guerra. A história todo mundo conhece. Em 28 de julho, há exatos 102 anos, o império austro-húngaro deu início à Primeira Guerra Mundial.
Enquanto os países se mobilizavam para proteger seus aliados, um jovem inglês de cinco anos comemorava o pior aniversário de sua vida. Os rumores da guerra eram terríveis e seus vizinhos estavam com medo. Por isso nenhum dos amigos foi à sua festinha. Para completar, o pai seguiu a onda de patriotismo e se alistou ao exército no dia seguinte.
Este é Alfie Summerfield, que durante os quatro anos seguintes precisou amadurecer e ajudar a mãe na tarefa de manter a casa em pé. E o pior, parou de receber notícias do pai. Não sabia mais se ele estava vivo ou morto, só tinha a incerteza da guerra. Agora ele só quer descobrir o que aconteceu e vai fazer de tudo para conseguir.
Essa é a história de Fique onde está e então corra. Ficcional, eu sei, mas ela é tão humana que com certeza poderíamos encontrar diversos casos parecidos nos países em guerra. Famílias desmembradas, preconceito contra imigrantes, jornadas de trabalho exaustivas e uma pobreza constante da população. Mesmo nos países onde não houve confronto direto, como é o caso da Inglaterra, os efeitos foram sentidos e foram pesados.

E esse é um livro do John Boyne de ponta a ponta. Sabe o autor de O menino do pijama listrado? Pois é, ele tem mais livros, todos de qualidade. Fique onde está e então corra, aliás, é um dos meus preferidos. O meu fascínio vai por ele explorar bem os cenários históricos e fazer com que a gente se sinta lá dentro. Ele fez isso com a Segunda Guerra Mundial, com a queda do czarismo na Rússia, com o motim do Bounty e, lógico, com a Primeira Guerra.
Nesse caso, a gente acompanha as pessoas que ficaram para trás. As mães que precisaram fazer de tudo para sustentar filhos sem pais. As famílias sem maridos, tios, filhos. O medo constante e a certeza de que a Guerra acabaria antes do Natal. Sempre antes do Natal, mas nunca de um ano específico. Sem falar que, comparando com a Segunda Guerra, encontrar literatura de ficção sobre a Primeira é bem mais complicado. O John Boyne contorna esse problema e não faz só um livro bom, faz dois (O pacifista é assunto para outro texto).
Além de tudo que falei, nutro um carinho maior por esse livro porque foi com ele que comecei o meu canal no YouTube. Queria fazer um conteúdo diferente, com mais informação do que apenas uma mera opinião de alguém que ainda está aprendendo a criticar livros. Hoje, dois anos depois, ele é um dos vídeos mais vistos do canal. Assistir de novo é um exercício constante para ignorar meus defeitos da época e que precisei melhorar com o tempo. Tenho muito orgulho dele.
Se quiserem me ouvir falar mais sobre esse livro, com detalhes e paixão, recomendo o Livrocast 60.
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