#034 - Os homens que não amavam as mulheres, de Stieg Larsson

(Ou “Sou um porco sádico, pervertido e estuprador”)

Há todo um falatório literário a respeito dos romances policiais escandinavos, calcado na forma como eles se diferenciaram da tradição inglesa/norte-americana. Nomes como Joe Nesbo, Henning Mankell e o casal Alexander e Alexandra Ahndoril (que assinam como Lars Kepler) ganharam traduções para o português e fazem um relativo sucesso por aqui. Mas, confesso, li pouco sobre o assunto e sou um ignorante quando se trata de literatura escandinava. Stieg Larsson foi minha única experiência.

Assisti ao filme de 2011 por motivos de David Fincher. Clube da luta, Se7en e A rede social eram um bom currículo pra me obrigar a assistir o novo filme policial no cinema. Sabia apenas que ele era derivado de uma trilogia de livros sueca, só isso. Então fui de peito aberto e me surpreendi demais com a qualidade da história. A personagem da Lisbeth Salander me cativou de tal forma que saí do cinema decidido a comprar os livros. Fui à livraria, vi o preço e pensei: “Melhor esperar uma promoção online”.

Demorou até comprar o box com os três volumes e demorou mais ainda até começar a lê-lo. Quando comecei, porém, não consegui largar e entendi o fascínio que eles geraram. Me chamou a atenção o fato do Stieg Larsson ser um jornalista e isso refletir no trabalho dele. Pode até passar despercebido por quem não produz matérias com frequência, mas está muito claro na forma meticulosa como ele organiza os dados para contar a história. Sem falar que toda a trama envolvendo a revista Millenium é a prova final que temos um jornalista por trás da trama.

Porém isso é apenas o estilo de escrita, quase ofuscado quando se tem um personagem tão instigante quanto a Lisbeth Salander. Ela é uma jovem hacker, pálida e anoréxica, cheia de piercings e tatuagens. Porém é uma das melhores em seu serviço, apesar de todo o passado sombrio e um presente mais problemático ainda. A despeito de todas as dificuldades, ela faz o seu próprio caminho e se alia ao jornalista Mikael Blomkvist para descobrir o mistério que cerca a família Vanger e o desaparecimento/possível assassinato da jovem herdeira Harriet.

Foi um livro que mexeu demais comigo por tocar em pontos tão sensíveis de uma forma dura. Os problemas são resolvidos com violência proporcional à que os iniciou. A pesquisa detalhada me agrada bastante e foi bem usada. Apesar das mais de 500 páginas e de conter uma história mais ou menos fechada, terminei com vontade de devorar o segundo. Isso é uma qualidade muito grande para o primeiro livro de uma série, então todos os méritos para o Stieg Larsson.


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