#024 - Os três mosqueteiros, de Alexandre Dumas

(Ou “Como assim três mosqueteiros se eles são quatro?”)
No livro de Alexandre Dumas, Os três mosqueteiros, dois deles se chamam Athos e Porthos. Qual o nome do terceiro mosqueteiro?
(A) Aramis
(B) Cardeal Richelieu
(C) D’Artagnan
(D) Planchet

A pergunta de um milhão de dólares em Quem quer ser um milionário? traz a clássica confusão sobre d’Artagnan ser um dos três mosqueteiros. Eu também fazia essa confusão quando era mais novo, admito. Sempre me perguntei o porquê do livro se chamar Os três mosqueteiros quando, na verdade, eles são quatro. Só descobri a verdade quando tive a obra do Dumas em mãos.

Por ter sido adaptado para tantas mídias diferentes, todo mundo acha que conhece a história. Em linhas gerais, conhecemos mesmo. O livro, porém, tem uma força que nenhuma adaptação conseguiu passar até hoje. Feito no formato de folhetim, cada capítulo tem sua importância para manter o público fiel à história. Isso o torna uma aventura dinâmica, sempre com algo importante para acontecer.

Aliás, aventura é a palavra certa para descrever esse livro. Tudo começa quando o d’Artagnan tenta entrar para a ordem dos mosqueteiros, mas consegue apenas uma briga com aqueles que, mais tarde, seriam os seus melhores amigos. A partir desse incidente, eles se envolvem em uma treta com a aristocracia e precisam até mesmo enfrentar uma guerra juntos. É uma história que termina em aberto, com o caminho livre para as duas continuações existentes.

Para completar, esse foi meu segundo livro da coleção de clássicos da Zahar (o primeiro tinha sido Aventuras de Alice no País das Maravilhas). Isso aconteceu em 2011, período de maior movimentação do Pra Ler, um site de literatura pelo qual tenho um carinho imenso de ter participado. Em uma de nossas reuniões, levei o livro e todo mundo ficou babando. Não é por menos. É nessa coleção que a Zahar mostra todo o seu capricho editorial, com edições em capa dura e com belas ilustrações. As versões tradicionais, então, trazem uma série de notas de rodapés e textos teóricos sobre a obra que ajudam na hora da leitura. Minha edição de Os três mosqueteiros é de bolso e mais simples, mas gostaria bastante de ver o que fizeram com a padrão.

Enfim, esse foi o primeiro livro que li do Dumas em toda a minha vida e já fiquei louco para ler O conde de Monte Cristo, um calhamaço maior que Os três mosqueteiros. E mesmo sabendo que o Dumas usava ghost writers para seus livros, a vontade não diminuiu nem um pouco. O fator entretenimento é muito importante e isso o autor consegue nos trazer muito bem, mesmo mais de um século depois. Os três mosqueteiros foi entretenimento puro e me deixou muito melhor depois de ler. Isso é o mais importante.


Sobre a pergunta do início do texto, é bom deixar claro que nem mosqueteiro o d’Artagnan é. Pelo menos não em boa parte da obra do Dumas, embora suas habilidades como espadachim sejam notáveis. A história dos quatro amigos está tão presente no imaginário popular que é como se ele fosse. Aramis é a resposta certa, embora ele seja mais chegado ao clero do que aos mosqueteiros.


Ao comprar Os três mosqueteiros por algum dos links abaixo, você me ajuda a manter o #365Livros e o canal no YouTube.

Os três mosqueteiros: Amazon | Americanas | Cultura | Saraiva | Submarino