A teoria da inveja do pênis resumida e revelada

Ilustração: Marion Barraud

mais de cem anos, estudiosos da psicanálise e curiosos se perguntam se a mulher tem ou não tem inveja do pênis, afinal. Este simples pêndulo balançando entre as pernas, uma coisa tão anatomicamente imperfeita, é o que parece dar a segurança que os homens exibem quando andam na rua. Como eu queria andar como um homem anda na rua. Cada passo é um passo certo para a vitória, uma marcha napoleônica, um TUM TUM TUM de gigante que, naturalmente, só pode ser causado pelo peso extra na virilha.

O que passa pela cabeça de um homem quando faz, decidido, sua rotineira caminhada em direção ao trabalho? Jamais saberei. Na minha fantasia, são ideias puras, nascidas da mais deliciosa tranquilidade de ser homem. Coisas como as tarefas do dia, o relatório que está devendo para o Peixoto, a reunião das nove e o Whatsapp da Ritinha. Ai, que delícia o Whatsapp da Ritinha. O meu Homem Hipotético já começa a sentir uma quentura vinda lá de baixo, o peso morto virando peso vivo.

Se ao chegar ao trabalho, HH encontra-se naquele estado crítico, ele nada tem a fazer senão ir até o banheiro e resolver o assunto. Dois minutos bastam, me corrijam se eu estiver errada. Na reunião das nove, ele chega com aquela garra, com aquele brilho nos olhos, com aquela disposição varonil. Se você não sabia, agora sabe. É por isso que qualquer sorte de besteira dita por um homem ganha imediatamente um caráter de importância e genialidade. Só veste esta autoconfiança, minha amiga, quem acabou de verter o líquido da vida no vaso sanitário. Se eu tenho inveja do pênis? Resumindo um século de polêmica em apenas algumas palavras, é o seguinte: se eu pudesse escolher entre ter uma vagina ou ter um orgasmo em dois minutos, eu estaria agora escrevendo esta história dentro de um banheiro.