Débora Garcia
Jul 30, 2017 · 4 min read
Dwight perdendo a linha na série "The Office"

Chegou o tradutor de Corporativês Tabajara!

Se você frequenta reuniões, congressos, palestras e workshops de negócios e sai desses encontros com a cabeça confusa, flutuando entre jargões ditos em Português e o Quase-Inglês-Corporativo — idioma oficial falado por essa galera -, seus problemas acabaram! Chegou o tradutor de Corporativês Tabajara. Use-o sem moderação e entenda de uma vez o quê aquele(a) executivo(a) de sucesso quis realmente dizer.

Call to action: Se alguém fala isso pra equipe, provavelmente está com a faca nos dentes, sangue nos olhos, batendo as mãozinhas enfaticamente e querendo dizer: simbora mulambada. Vamo fazê esse troço funcioná agora e chamá geral!

Reputação sólida: respire aliviado: você (ou sua marca/projeto) são “o cara”. Quem não te conhece, deveria. Beijinho no ombro total.

Remarketing: seu cliente vira um cabra marcado pra consumir. Pois é. Descobre-se quem são os usuários do seu site e depois é só não dar mais sossego jorrando novos “ads” do seu produto sempre que as vítimas acessarem a internet e o ambiente permitir esse tipo de propaganda. Tática igualmente usada por Testemunhas de Jeová ou atendentes de telemarketing no mundo analógico.

Dashboard: gente, pára. É só o bom e velho painel onde você vê os dados organizadinhos e desenhadinhos da sua empresa, pra dar aquela falsa sensação de controle do mundo. E falar em Inglês agrega valor, evidentemente. Depois brasileiro vem com o papo “Viva a Cultura Nacional, Halloween é o #%ˆ*)(ˆ”.

Taxas de abandono: aqueles que entraram no seu site/ambiente, deram uma espiadinha, não se interessaram por nada, sumiram, escafederam-se. Foram comprar cigarro e nunca mais voltaram.

Benchmarking: ato ou efeito de xeretar o seu concorrente e tirar disso vantagens para o seu negócio. Estilo vizinha fofoqueira de cidade do interior.

Cena do filme "Office Space"

Performar: Desempenhar, fazer direitinho o que foi previsto. Ou, num bom Português, não fazer mais do que sua obrigação, como diria minha mãe. Mais um daqueles neologismos vindos do Inglês: to perform. Até parece que a Flor do Lácio é uma língua pobrinha, desprovida de bons vocábulos para explicar o que nos rodeia.

Converter: Não. Nada a ver com religião ou adotar uma nova crença. Basicamente você conseguiu efetivar uma “venda”, seja de serviço ou produto. A igreja aqui seria a do capitalismo mesmo. E o pastor, o vendedor de boa lábia.

Projeto aderente: projeto que cola. Literalmente. Algo que sai do papel e dá certo. Ou simplesmente um sinônimo pomposo pro projeto que a chefia queria que acontecesse.

Roadmap: basicamente um jeito colonizado de dizer pra onde você quer ir e como. Usar o termo “mapa” em Português daria no mesmo, mas não agregaria tanto charme, elegância e sofisticação.

Disruptivo: Tudo aquilo que a empresa acha que é diferentão, que nunca antes foi tentado. Mas só deveria ser aplicado mesmo para algo revolucionário, tipo o carro elétrico da Tesla ou o próprio Google. Não pra qualquer projetinho mequetrefe que apareça.

Job rotation: as funções na empresa estão dispostas num jogo de xadrez. Aí vem um espírito de porco, sacode o tabuleiro, as peças caem pra qualquer lado (quando não saem de vez do jogo) e aí quem fazia “x”, passa a fazer “y”. How exciting! Porém, não necessariamente “performando” ou “convertendo” nessa nova função. Mas já não se pode dizer que a monotonia impera na firma.

Outplacement: você foi demitido(a). Mas com carinho. Rolou um KY corporativo, pois vão te ajudar numa possível recolocação ou vão te dar a sensação que ir para o mercado é o grande lance, coisa de empreendedor que pensa fora da caixa, que se reinventa.

Downsizing: agora o bicho pegou. Vai rolar demissão. A barca vai passar. O tradicional passaralho tá se aproximando. Vai atualizando o currículo…

Networking: ter amiguinhos, contatos, redes, ter parças, estar no meio da brodagem, botar a sororidade pra funcionar naquela hora que dá ruim e você precisa ter a quem recorrer.

Espero que depois da call to action desse texto eu não seja gentilmente levada a um outplacement e precise fazer networking para reconfigurar meu roadmap e performar disruptivamente em outras bandas…

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3Devi

Crônicas, contos e reflexões da mulher contemporânea

Débora Garcia

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Editora do https://medium.com/3devi. Tenta entender que mundo é esse e contribuir pra que a passagem por aqui valha a pena.

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