
Febre e Efemérides
No céu o azul ensaia finalmente um retorno, nos olhos dele o convite para alargar profundidades que ainda não sei. Depois de uma semana meu corpo em tumulto deixa de resistir aos novos contornos, depois de meses o preto ainda marca no chão o lugar da fogueira do dia 26. Seguimos.
Eu que raramente via sentido na aspereza organizada dos dias agora me descolo ainda mais de relógios e compromissos — derretida escorro para o centro do mistério perigoso de ser. Entrega, o nome que me veio em sonho era ao mesmo tempo sentença, resposta e oração. Entrega. Minhas palavras-vontades têm voado mais alto e longe, faz frio mas as esquinas da pele acordaram lavadas de novidade e suor. Levanto quieta sem saber em qual gaveta deixar os demônios de ontem, o sol já vai alto e no andar de baixo alguém está passando um café. Seguimos.

