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Incomodada ficava a sua avó! Saiba como o sangue menstrual pode substituir o exame Papanicolau e revelar muito sobre a saúde reprodutiva da mulher.

Todo ano é aquele martírio para mulheres em idade fértil ou com vida sexualmente ativa: passar pelo exame Papanicolau. Pra quem não sabe do que se trata (hum…sorte a sua!), é um exame também conhecido como esfregaço cervicovaginal que tem como objetivo detectar células cancerosas no colo do útero. Deve ser feito em todas as mulheres entre 21 e 65 anos de idade. Com uso de um espéculo, instrumento de tortura da Idade Média, oops, instrumento que dilata a cavidade vaginal. Com as pernas abertas em posição de frango assado, deixando suas vísceras totalmente arreganhadas para o seu ginecologista, uma sorrateira espátula contendo uma escovinha em sua ponta adentra o seu corpo e dá uma raspadinha nas células do colo uterino que depois são encaminhadas para análise. Trata-se de um procedimento que previne doenças, determina níveis hormonais, diagnostica inflamações vaginais e DST´s. Ou seja, algo importante e que por mais incômodo que seja não deve ser evitado.

Por isso muitas de nós consideramos esse momento anual uma espécie de mal necessário, dado o seu desconforto. Mas incomodada ficava a sua avó!

Fonte: HuffPost U.K

Já ouviu falar da NextGen Jane? Sempre dá pra fazer as mesmas coisas de um jeito diferente.

Em tempos de biotecnologia associada à inteligência artificial, de laboratórios “maker” que colocam na mão de pesquisadores amadores a possibilidade de hackear biologicamente a sequência genética de variados seres vivos, incluindo os humanos, há que se ter alguma vantagem efetivamente real nesse avanço acelerado que quebra fronteiras entre ciência e ética como um elefante numa loja de cristal. Pois bem, um serviço que está se desenvolvendo de vento em popa nos Estados Unidos, a NextGen Jane, promete usar o sangue menstrual para investigar a saúde reprodutiva da mulher. Sua criadora teve a seguinte sacada: pra quê submeter a mulher a exames torturantes ou mesmo à coleta de sangue para investigar seu estado geral de saúde se todo mês o sangue menstrual está lá à disposição, oferecendo fluidos corporais importantíssimos para quem quiser esmiuçá-los com os devidos conhecimentos e equipamentos? Então: com o uso de um absorvente interno oferecido pela empresa, a mulher o coloca num dispositivo de análise clínica imediatamente após seu descarte, remetendo-o ao laboratório em temperatura ambiente e de lá são extraídos os dados necessários para saber a quantas anda seu corpo, a partir de sinais genéticos que todas nós mulheres descamamos mensalmente. Não é genial??

Uma revolução feminina e “sangue bom”

Um outro gol da equipe do NextGen Jane é justamente entregar para a mulher que se submeter à análise do seu sangue menstrual a possibilidade de fazer a gestão da sua própria saúde, tendo acesso imediato aos dados. Uma das criadoras da empresa, Ridhi Tariyal, que é engenheira, cientista, empresária e escritora teve o insight para essa iniciativa após ficar extremamente irritada com seu ginecologista que se recusou a fazer testes genéticos com ela para verificar seu grau de fertilidade. Ela não apresentava nenhum problema de saúde, era jovem e por essa razão o ginecologista decidiu que não era a hora e que os exames ainda eram pouco conclusivos. Por sua formação, Ridhi sabia que era possível realizar esse tipo de exame com o avanço da biomedicina e chegar a conclusões muito relevantes para a mulher que quer escolher a hora de ter um filho, certificando-se que estará apta para tanto em termos biológicos.

Seu próximo passo é aprimorar o exame para detectar precocemente a endometriose. Muitas mulheres só descobrem o problema quando há pouco o que se fazer além de cirurgias invasivas e eventualmente enfrentar a infertilidade.

Conhecendo essas experiências e iniciativas que empoderam a mulher e facilitam sua vida, fico torcendo pra que a Medicina seja cada vez mais um campo do conhecimento ousado, inclusivo, acolhedor e criativo! Pra mim, é pra isso que a Ciência existe.

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