O homem de 1,2 bilhão de reais
De acordo com Romain Collet-Gaudin jornalista do Canal Plus e da Eurosport France, Neymar Júnior selou o acordo com o Paris Saint Germain e se tornará o jogador mais caro da História do futebol mundial, pulverizando o record anterior que pertencia ao francês Paul Pogba que trocou a Juventus pelo Manchester United em agosto de 2016 pela bagatela de 105M€.
Abaixo os dados surreais da possível transferência:
Les détails du transfert de #Neymar au #PSG :
Transfert : 222M€
Salaire : 30M€/an
Contrat : 5 ans
Prime à la signature : 100M€.
Somados os 222M€ da multa rescisória aos 100M€ que ele receberá como prêmio por assinar com o PSG, o seu custo em real será, de acordo com a cotação de hoje (R$3,66450044): R$ 1bilhão 197 milhões. Para se ter uma ideia deste valor, ele equivale a 4,22 vezes a arrecadação prevista pela Lei Orçamentária Anual (LOA) 2017 de Erechim (R$283 milhões) para o ano todo de 2017.
Cabe aqui uma reflexão acerca da mercadorização do futebol. As transferências de atletas vêm atingindo quantias estratosféricas, irreais para um período de crise econômica global, com índices de desemprego alarmantes na Europa, de acordo com o Tradinng Economics, na Bósnia 39.65% da população economicamente ativa está desempregada, no Kôsovo o índice bate 27.5%, na Macedônia 22.9%, na Grécia 21,7%, Montenegro 20,16, e na Espanha, para finar nos 6 primeiros, 18,75%.
Na contramão desta crise os novos acordos de patrocínio e direitos de transmissão da Premier League e da Bundesliga injetam centenas de milhões de euros nos cofres dos clubes, que torram esse dinheiro como se não houvesse um amanhã, qualquer jogador “meia boca” está custando pelo menos 15 milhões de euros, jogadores de nível internacional pelo menos 30 milhões de euros, jogadores de classe mundial (ou nem tanto) 50 milhões, e tem o Neymar, custando 322 milhões de euros (caso os dados não mudem).
Outro elemento que vem inflacionando esse mercado, é a compra de equipes por sheiks e conglomerados chineses, os russos perderam o terreno, talvez o dono do Chelsea Roman Abramovich, seja o único que esteja apresentando balanços honrosos, Manchester City, PSG, Milan, Internazionale maquiam as contas com receitas oriundas de marketing, e o Fair Play financeiro faz vistas grossas à essa manobra.
Nenhum jogador vale 1,2bi, na modesta opinião deste pesquisador, ademais, estes valores irreais seriam capazes, se aplicados coerentemente, eticamente e honestamente (no Brasil duvido muito), resolveriam inúmeros problemas sociais que têm assolado até mesmo os países desenvolvidos, desemprego, miséria e fome, já não são mais cartas de apresentação exclusivamente de países subdesenvolvidos da África, América Latina e Ásia.
Enquanto gritamos gol do “Menino Neymar” (ler isso imaginado a voz do Galvão Bueno), impostos, reformas, PECs são enfiadas goela a baixo da classe trabalhadora por aqui e por acolá…

