Preteou o Olho da Gateada
Sempre fui fã de futebol, minha primeira lembrança sobre esse tema, é a propaganda da Globo “Futebol 93”, depois veio a Copa de 94 (me apaixonei pelo esporte ali, vendo a Itália jogar — não sei o porque, mas a figura do Roberto Baggio se destacava, Romário, Bebeto, Hagi, Maradona, Stoichkov, eram coadjuvantes — essa paixão pelo esporte com o final da Copa (torci e muito pelo Brasil, mesmo sendo fã do 10 da Itália) foi se direcionando para o cenário local, em 1º de maio de 94 dia que o Senna morreu, fui no Colosso da Lagoa ver Ypiranga X Inter SM (se minha memória não me engana), jogo que o visitante de camiseta vermelha e calções brancos ganhou de 1x0. Bueno, eu no alto dos meus bem vividos seis anos de idade, comecei a acompanhar o Inter com mais afinco, times sofríveis (vendo o Inter pós Aguirre, depois do segundo semestre de 2015 aos dias atuais, acho que nem eram tão sofríveis assim) com jogadores questionáveis, despertavam sentimentos que eu não entendia, ganhando ou perdendo eu queria ver próximo jogo…
Ai é que entra Pablo, a figura que todo colorado sempre amou odiar, eu despertei meu coloradismo na fase em que o Grêmio ganhava de todo mundo, e ele amava cornetear o “meu” Inter, herege!!!
Acompanhar o Jornal do Almoço, programa “sagrado” na hora do almoço (não entendia porque não podíamos ver desenhos ao invés de ver Paulo Santana, Lasier Martins, Lauro Quadros e Maria do Carmo) sempre gerava uma curiosidade para ver os comentários ácidos do Pablo, principalmente nos dias posteriores às rodadas futebolísticas que estremeciam essas plagas. Que figura odiosa que caçoava do “meu” Inter quando perdia, e que desmerecia os feitos alvirrubros que raramente aconteciam.
Período tenebroso, nem a vitória maiúscula no GreNal de 97 com atuação de gala do Fabiano Souza (Fabiano Cachaça) naquele 5x2, nada amainava a acidez de Pablo.
Minha ira foi diminuindo quando comecei a entender o papel da rivalidade e a importância dela para o fortalecimento das agremiações (abrindo um parêntese, dentro de um parêntese, acho que se o Atlântico FC tivesse mantido suas atividades futebolísticas o Ypiranga seu arquirrival estaria melhor das pernas, e o Atlanga seria mais concorrido que o GreNal por aqui), a gangorra vivida pela dupla e motivo da famigerada corneta move uma indústria, uniformes, bonés, toalhas e todos os tipos de souvenirs que caibam o logo do da Agremiação, são usados para alfinetar o rival e demostrar sua paixão pelo time.
Na vida adulta, parei de acompanhar o JA, o Pablo adoeceu, mas volta e meia lia ou assistia seus comentários ainda mais ácidos que eu lembrava. Mesmo debilitado continuava sendo ícone do gremismo. Passei a pesquisar sobre futebol, e percebi que pessoas como ele ajudam a manter viva a rivalidade em tempos que o esporte se tornou uma mercadoria preocupada em gerar lucro.
Ontem, 19/07/17, coincidentemente no dia do futebol, preteou o olho da gateada, Pablo deixou órfãos gremistas e colorados.

