Navegar, navegar num grande barco à vela

A The Tall Ships Races marcou presença no Ílhavo Sea Festival, que decorreu entre 5 a 8 de Agosto no Terminal Norte do Porto de Aveiro, na Gafanha da Nazaré, Ílhavo. A 4 Ventos “velejou” até lá e esteve à conversa com Carolina Coimbra, uma dos cerca de 500 jovens portugueses a embarcar nesta aventura além mar.


Foram cinco inesquecíveis dias a bordo do “Statsraad Lehmkuhl” — um veleiro norueguês de três mastros, com cerca de 85 metros, a funcionar também como navio-escola. Carolina tem 21 anos e é natural de Aveiro, por isso escolheu a rota Cádis-Ílhavo. A ela se juntou o pai Nuno, já habituado a estas lides marinheiras — há oito anos ingressou num navio holandês para participar na Regata Comemorativa dos 500 anos do Funchal -, voltando a participar este ano, na The Tall Ships Races, a bordo do português Santa Maria Manuela.

Statsraad Lehmkuhl

Com o objetivo de promover o treino de vela e as atividades marítimas junto dos jovens, a regata dos grandes veleiros acolhe jovens voluntários como a Carolina que se juntam à tripulação para vivenciar o dia a dia e participar nas rotinas destes gigantes dos mares.

“Embarquei com o espírito de querer fazer um pouco de tudo”

Apresentações feitas e turnos orientados, Carolina percebe que há mais quatro portugueses a bordo. Estão juntos no mesmo barco e têm em comum o gosto pela aventura e o desejo de aprender a velejar. “Embarquei com o espírito de querer fazer um pouco de tudo”, adianta. Por isso não houve nenhuma tarefa que a surpreendesse.

Na proa ou na popa, ao leme ou em manobras de velas, Carolina lá foi interiorizando os ensinamentos, ao mesmo tempo que usufruía do convívio entre todos. Apesar da grande diversidade de nacionalidades, as barreiras de comunicação nunca se fizeram sentir. E se entre a tripulação se ouvia falar em dinamarquês, norueguês e sueco, entre todos os trainees, originários de Espanha, Alemanha, Polónia, Escócia e Portugal — a língua oficial era o inglês.

Depois de pisar terra, a frase “Are you the portuguese gang?” é lembrada por todos e já há quem desabafe que a vontade de voltar é infinita. Antes do navio soltar as velas e partir em direção à Corunha, Carolina e os amigos aproveitaram bem os três dias do Ílhavo Sea Festival — iniciativa da câmara municipal que acolheu no Porto de Aveiro 15 veleiros de sete nacionalidades diferentes, que puderam ser visitados, entre muitas outras atividades paralelas.

A família da Carolina também usufruiu da oportunidade da visita ao navio. “Subam quatro de cada vez!”, comandava lá do alto a cicerone. Entre pai, irmã, tios e primos, lá embarcaram todos na visita. À media que ia mostrando o navio, Carolina ia respondendo às perguntas dos mais curiosos. Mostrou tudo o que podia, pois que há zonas restritas à tripulação, como sejam a casa do carpinteiro e a cozinha.

No dormitório as redes estão penduradas. “Neste tipo de camas não se sente tanto a ondulação!”. “A minha cama era aquela!”, diz apontando para uma das janelas redondas. “Mas não vias nada lá para fora, pois não?”, pergunta a tia. A resposta foi, no mínimo, romântica: “Não existindo as luzes da cidade, consegue-se ver as estrelas todas e até perceber a diferença entre o mar e o céu. A lua faz com que o branco das ondas se veja muito bem”. E continua: “Como um dos meus turnos era das 4h às 8h, tive o grande privilégio de assistir, todos os dias, ao nascer do sol em alto mar.”

Esta será, certamente, uma experiência a repetir. Conselhos para quem quiser embarcar numa aventura desta envergadura? “Levar roupa fresca e roupa bem quente e bastante protetor solar. Mas acima de tudo aconselho a levar sempre boa disposição, uma mente aberta e vontade de trabalhar”. Está dito.

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