#30 O Conto da Aia

Autor: Margaret Atwood
Páginas: 368
País de Origem: Canadá
Editora: Rocco
Compre: Amazon
1. Por quê escolheu ler este livro?
Porque desde que ele apareceu no Clube de Leitura Feminista da Emma Watson, o hype tem sido enorme. Ela escondeu unidades do livro em Paris para que outras mulheres o encontrassem e tudo isso sendo feito em paralelo à eleição do Trump, que, bem, não tem um histórico lá muito gentil com as mulheres, fez com que o discurso a respeito do nosso papel na sociedade ficasse mais e mais urgente. O sucesso da série adaptada também fez com que a história fosse exaltada mais uma vez e mais do que nunca, eu precisava conhecer esse futuro distópico.
2. O quê valeu a pena nesse livro?
Assim como em Black Mirror, o mais assustador da história contada aqui é que ela é muito próxima da realidade. Não se passa em um futuro longíquo, mas sim em um amanhã que já é presente em muitos lugares do mundo, infelizmente.
[spoiler aqui]
Acho que o mais que me chocou de toda a história é quando a autora conta como aconteceu a transição da mulher livre que trabalhava e saía com as amigas para o novo regime. O momento em que ela é demitida do trabalho e sua conta no banco congelada simplesmente porque mulheres não podem mais trabalhar ou acessar dinheiro foi o ponto que mais doeu em mim, porque pareceu uma realidade terrível e possível. E é aí que tudo começa a ruir. É doloroso demais.
3. Para quem indicaria esse livro?
Para todas as mulheres do mundo.
4. Qual é a dica de escrita que você tira desse livro?
O estilo de escrita da Margaret é incrível, com poesia em cada frase e uma construção de agonia e até tédio maravilhosa. Porém, mais do que isso, esse livro é importante para lembrar que só nós, mulheres, somos capazes de colocar no papel com vividez os sentimentos que a vida nos proporciona. Tanto as dores como as pequenas alegrias. Precisamos falar a respeito. Precisamos desses registros. Precisamos escrever. Portanto, um dos papéis dele é nos lembrar da importância de registrar histórias pelo ponto de vista das mulheres.
Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano.

