Stuttgart 0 x 2 Schalke 04

No último sábado o Schalke 04 conseguiu expressiva vitória sobre o VfB Stuttgart em jogo válido pela 20ª rodada da Bundesliga. Expressiva não pelo placar ou pelos números em geral, e sim pela postura da equipe e comportamento tático principalmente no primeiro tempo.

O time foi à campo com um 3–1–4–2, variando apenas a posição de Konoplyanka, que não concentrava tanto as ações na área adversária, participando mais como ponta esquerda, por vezes recuado.

Disposição do XI inicial

O time manteve suas características principais, como a pressão na saída de bola adversária e a variação de esquema do 3–1–4–2 para um 5–3–2 quando sem a posse de bola.

O Schalke se movimentava bem, principalmente com Harit e Meyer conseguindo se livrar da pressão da marcação adversária, pressão essa que já virou regra em toda partida. Apesar de não possuir um 10 de ofício, o Schalke trabalha bem com jogadores velozes e versáteis. Meyer é preciso nas roubadas de bola e distribuição de jogo, principalmente para Harit, que com dribles rápidos e ótimas arrancadas, consegue boas penetrações no campo adversário.

Marcação tripla sobre Meyer

Tedesco aplica ao time um modelo de jogo “respiratório”. Variando da compactação à amplitude, da proximidade à abertura, o time consegue se agrupar ou ocupar toda a extensão do campo com facilidade. Em duas bolas paradas, com 19 minutos do primeiro tempo o placar de 2 a 0 já estava construído, fazendo o técnico do Schalke mudar o modelo de jogo.

Como funciona a “retranca” de Domenico Tedesco? Com 3 atacantes. Isso mesmo. Três atacantes e uma linha de cinco jogadores na defesa. Funciona?

XI pós 2 a 0
Formação 5–2–3: Goretzka-Meyer / Kono-Di Santo-Harit

Com 2 a 0 no placar, o Schalke apostou no bloqueio ao jogo do Stuttgart. Uma linha de 3 marcando a saída de bola e Meyer e Goretzka alinhados na contenção, todos ou fechando linhas de passe ou pressionando o portador da bola. Com isso, o Stuttgart não conseguiu passar da intermediária.

Ou seja, o time se defende com uma postura ofensiva, sempre apto a contra atacar. É o exemplo clássico do “jogar sem a bola”, provando que o futebol não se resume a atacar e defender, mas suas variáveis incluem impor o jogo mesmo sem a posse. Time organizado atrás e pressionante na frente, sempre mantendo as posições, aparecendo então outro ponto interessante e novo no esquema de jogo do Schalke.

Nas vezes em que o Stuttgart conseguiu avançar pela nossa lateral direita, o jogador à dar combate não era Caligiuri, ocupante original da posição, e sim Thilo Kehrer, que em uma movimentação diagonal pressionava o portador da bola, recuperando ou obrigando o recuo. Mesmo abandonando sua posição, o time não ficava vulnerável graças a sua disposição tática. Esta ação, uma visível determinação expressa, provavelmente vem do fato de que nas partidas anteriores, como já falado, a linha de defesa do Schalke, ao ser ultrapassada deixava o time em situação de extrema vulnerabilidade, ocasionando sempre cruzamentos ou finalizações.

Kehrer sai em diagonal para pressionar o portador da bola na lateral.

Outro exemplo claro da disciplina do time na organização tática se deu em uma das saídas do Naldo à intermediária. Ao perder a bola, a transição defensiva ocorreu rapidamente, mas com um fato curioso. Goretzka ocupando automaticamente o espaço deixado pelo brasileiro.

A linha de 5 com Goretzka no lugar de Naldo, provando a atual disciplina tática do Schalke 04

Tedesco resolve o problema do elenco reduzido utilizando um modelo de jogo volátil. Com as mesmas peças, pode ser extremamente ofensivo (chegando com até 7 jogadores) ou retranqueiro, a depender do momento do jogo.

No segundo tempo a própria disposição do time em campo antes da bola rolar já entregava que o Schalke faria o mesmo jogo do primeiro tempo, o 5–2–3 pressionante que garantiu os 2 a 0.

Porém, o time tem uma enorme queda de ritmo e, consequentemente, de rendimento, apresentando lentidão e diversas falhas, perdendo a concentração e ficando por várias vezes excessivamente desorganizado.

Com 10 minutos, a saída de Goretzka para a entrada de Stambouli é o indicativo de que Tedesco iria fechar ainda mais o time apesar da manutenção do esquema tático, o que prova mais uma vez que os número pouco dizem sobre a forma que determinada equipe joga.

Com isso, o Stuttgart ganhou volume de jogo, com o Schalke lançando mão apenas de contra-ataques, o que mesmo assim se mostrou uma boa alternativa, conseguindo ainda três chances claras de gol, uma delas com Konoplyanka e o gol vazio, chutando pra fora.

Fim de jogo, placar dos 19 minutos do primeiro tempo, 2 a 0.

São três pontos significativos que mantém a fé em uma classificação direta à UCL, bem como o amadurecimento de um modelo de jogo cada vez mais sólido e adequado às nossas limitações técnicas e de elenco. A próxima partida será em casa contra o Werder Bremen.