Volúpia
Aug 29, 2017 · 1 min read
Quando desperta o sol, com seus brutais desejos,
beija o meu corpo inteiro em seu delírio rubro.
Na limpidez do céu, todo desfeito em beijos
um poema sensual de róseo amor descubro.
Sob este sonho ardente e de sutis harpejos,
a natureza toda é um marmóreo delubro.
Em espasmos de gozo o deus pagão de pejos,
sorridente se impõe pelas manhãs de outubro.
Eu, toda fluido sou, e sou toda elastério,
na ondulação febril de profundo mistério
que vem na voz do vento e na luz do horizonte.
Som que cresce na chama aurífica da aurora,
que é da volúpia a voz veludínea e sonora,
e desliza em meu sangue, em coleios de fonte.
- Laura Santos, a Pérola Negra (1919–1981)

