Volúpia

Quando desperta o sol, com seus brutais desejos,

beija o meu corpo inteiro em seu delírio rubro.

Na limpidez do céu, todo desfeito em beijos

um poema sensual de róseo amor descubro.


Sob este sonho ardente e de sutis harpejos,

a natureza toda é um marmóreo delubro.

Em espasmos de gozo o deus pagão de pejos,

sorridente se impõe pelas manhãs de outubro.


Eu, toda fluido sou, e sou toda elastério,

na ondulação febril de profundo mistério

que vem na voz do vento e na luz do horizonte.


Som que cresce na chama aurífica da aurora,

que é da volúpia a voz veludínea e sonora,

e desliza em meu sangue, em coleios de fonte.


  • Laura Santos, a Pérola Negra (1919–1981)
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