“Ou fazia, ou morria”
Seu Jorge Transplantado completou dez anos do transplante de fígado e ao longo da década se transformou na causa que defende: da doação de órgãos.
Por Julia Barichello, Lucas Marques e Rebecca Mistura

O olhar não deixa passar batido: seu Jorge carrega a lembrança viva de quem enfrentou uma longa fila de espera. Mas não é qualquer fila de espera. Não era uma fila de banco ou de supermercado. A fila encarada por ele foi uma que ninguém imagina estar — a fila da doação de órgãos. Há uma década, Jorge Santos precisou substituir o seu fígado por outro em funcionamento, em decorrência de uma hepatite.

“Quando alguém passa por uma doença crônica fica tudo difícil. Os colegas se afastam, os amigos afastam, os parentes. Eles têm medo”, desabafou seu Jorge em coletiva de imprensa concedida aos acadêmicos do VI nível de Jornalismo da Universidade de Passo Fundo, no dia 10 de setembro. Se atualmente a comunicação e conscientização sobre a doação de órgãos não é o suficiente, à época da operação de Jorge o conhecimento do processo era ainda mais limitado. “Ninguém sabia o que era trocar um órgão por outro, mas ou fazia, ou morria”, relembra ele.


No Brasil, 95% dos transplantes são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e o caso do seu Jorge não foi diferente: seu tratamento foi inteiramente realizado pelo SUS, que define a ordem do paciente na fila conforme a gravidade da situação. De acordo com reportagem realizada pelo G1 em 2018, o Brasil tem mais de 30 mil pacientes na lista de espera para transplante. A maior parte destes pacientes — aproximadamente 22 mil — aguardam por uma doação de rim, tornando este o órgão mais requisitado para transplante. O fígado, órgão doado para Jorge, possui a terceira maior demanda, com 1.239 pacientes ativos na lista de espera.
A operação de transplantação e a renovação da vida de Jorge dez anos após realizar a operação não seria possível sem um fator, frequentemente mencionado: a fé. “As três palavras que eu mais falo para as pessoas são fé, foco e força”, aponta. De acordo com Jorge, foi a fé pessoal, juntamente com a crença em si mesmo e o apoio de seus familiares, que o permitiram superar este capítulo decisivo de sua vida e tornar-se um propagador da causa.
Para ajudar a entender melhor o desafio da fila de espera que Jorge enfrentou, trazemos um infográfico que mostra quantos pacientes aguardavam por cada um dos órgãos em 2018.

Apesar das muitas histórias de vidas que se perdem em decorrência da interminável espera, seu Jorge demonstra que a esperança é a maior aliada na hora da superação e a disseminação da informação é a chave para que cada vez mais pessoas tenham uma nova chance.
