Caro leitor, posso iniciar esse texto lhe fazendo uma pergunta?
Quando você estava aprendendo matemática, quantas vezes você teve que repetir várias operações para entender como elas funcionavam, ou, no mínimo, decorá-las?
Provavelmente, sua resposta vai ser “trocentas”.
Assim, infelizmente (ou felizmente) é a vida. Um compilado de situações que vão se revezando e se repetindo uma após a outra, inúmeras vezes, até que você de fato aprenda o que elas querem te ensinar.
No último ano, a palavra que vem me cutucando é posicionamento. Quantas vezes você já se pegou numa situação na qual precisava se posicionar, precisava falar algo e, por qualquer razão que seja, se calou? Pior ainda, quantas vezes você se deixou levar pelo calor do momento e disse coisas que não eram necessariamente exatamente o que você pensava ou estavam exacerbadas pela raiva?
Apesar de todas essas situações se repetirem e nós ficarmos com a sensação de que precisamos escolher um lado, ser compassivo demais ou sincero demais, a resposta disso tudo vai ser sempre a temperança.
Simples, né? Nem um pouco. Venho aprendendo que, ao menos para mim, tem sido necessário oscilar de um extremo a outro para que eu possa encontrar meu equilíbrio. De muito passiva, passei a sentir raiva demais. De medir muito as palavras, passei a dizer mais do que penso (ainda de forma cordial, porque Libra não me permite diferente). De tentar aparentar algo que não sou, ou uma persona que agradaria melhor as outras pessoas, tenho tentado com suor, sangue e lágrimas ser simplesmente quem eu sou e me posicionar dentro do meu corpo.
É beeeem complicado. Tem dias que dá vontade de chutar todas as portas. Perder tanto como eu perdi e viver na impotência de não poder trazer todas essas coisas/pessoas de volta, essa impotência frente às perdas da vida, me fez perceber que cada dia mais estamos perdendo tempo. Perdendo tempo tentando nos posicionar em qualquer outro lugar que não seja o nosso.
No final as contas, hoje, amanhã ou depois, pode ser tarde. E aí? Você aprendeu a dizer as coisas que precisava dizer? Você aprendeu a ter temperança, mas, mesmo assim, não deixar que as outras pessoas te atropelem com suas confusões? Você aprendeu a viver dentro do seu corpo? Alcançar a terra com os pés e o céu com a consciência?
Como anda o seu processo de autoconhecimento?
Afinal de contas, como foi que você aprendeu que 2 + 2 são 4?
Tome por seu aquilo que já lhe pertence, com muita paciência no caminho com aqueles que ainda não se sentem prontos para habitar seus corpos.
Tudo tem seu tempo.
