Mutação

A gente passa uma vida achando que já se conhece o bastante, chega um dia e:

BOOOM!!!!

Caralho… Eu realmente não me conheço. E agora? Eu me enganei esse tempo todo?!? Vai se foder, Eloysa, todo dia isso.

Escrevendo aqui este devaneio, me veio a resposta: o ponto não é que eu não me conheço. O ponto é que eu mudo. Mudo muito, o tempo todo, muito rápido, e nem percebo.

Me deixo livre e as coisas mudam, de repente eu mudei tanto quanto meu corte de cabelo em um semestre. Mas no fundo, na essência, eu continuo sendo eu, mutante e o mundo continua sendo o mundo, mutável.


Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu e confiaria o futuro ao futuro.

"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido.

(Trecho de “Se eu fosse eu”, Clarice Lispector)

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.