?
questiono-me sobre incertezas.
perco-me toda vez que penso em voltar atrás e relembrar vestígios de qualquer história.
contento-me com a saudade que tem preenchido esses espaços que há dentro desse vão que me ajudou a construir.
percebo que há muita presença na distância obtida,
parece ser sob medida esse espaço que nos cabe tão bem.
“te vejo tão perto que meus braços até te alcançam.”
“te sinto tão longe que meu abraço nem chega perto.”
há um desconforto que me persegue junto ao teu olhar sorrateiro que acompanha sutilmente meus movimentos desengonçados de quem ainda aprende a andar.
vou por entre os cantos,
encolho-me,
inquieto-me,
sorrio
e desvio a atenção.
proponho diálogos sem sentido enquanto mapeio rapidamente o espaço ocupado buscando as possibilidades de fuga.
me faço escorregadia e deslizo por entre as dúvidas.
teu olhar inquieto transita entre o desejo de me olhar e o receio de me enxergar.
nos colidimos algumas vezes,
todo mundo percebeu.
sustentei e me questionei sobre as incertezas.
me despedi com um beijo que não aconteceu e falei: deus benza!
em silêncio clamei: chegue bem onde quer que seja.