Política pra um.

(Foto: Jota Eurípedes/O Popular)

Ao inicio desse texto, restam pouco mais de 12h para o inicio das eleições municipais. E citar as 28 mortes em campanhas eleitorais nos últimos 4 meses é uma boa forma de destacar a importância desses tempos.

No começo eu achei uma merda, mas ter trabalhado em três eleições acabou se tornando uma das experiencias mais interessantes que eu já tive. E não foi só porque eu tive a chance de ver o Kiko do KLB fazendo campanha como vereador na minha frente.

É que dentro daquele ambiente, ficava cada vez mais difícil enxergar o voto como um mero numero, ou só como uma parte minima de um todo. Quando eu menos percebi, se tornou algo muito maior.

Há 15 anos, comum era ouvir: “Política e religião não se discutem”. Mas ali estávamos. Eu e você. Você entra na sala, me fala seu nome. Eu seguro a sua identidade e seu titulo. Passadas rápidas, ou lentas até a urna. Você acaba bem rápido, mas as vezes demora um minuto.

Lembra daquela vez que você nem sabia o numero do seu candidato? Ou daquela que eu ameacei chamar a policia por causa da boca de urna?

As vezes a memoria falha, é normal você não lembrar. Mas era ali que o seu voto tomava cor. Ganhava personalidade. Eu gostava dessa personalidade? Isso é irrelevante. Saber que ela existe já é o bastante pra mim.

E por trás de toda a exposição barata, ruas cheias de lixo, propagandas irritantes e debates tendenciosos, o que importou no fim, foi mesmo aquele nosso momento.

O que você não pode esquecer, meu velho amigo, é que política não é pra um. E nós, juntos mais uma vez, vamos recolher o lixo. Ou colher os louros. Talvez você seja daqueles que colhe os louros enquanto eu recolho o lixo!

Mas isso agora não importa.

Sentado eu te observo, passadas rápidas, ou lentas até a urna. Você acaba bem rápido, mas as vezes demora um minuto.

Esse voto é seu…e também é meu.