Como Ali me ensinou a ter amor-próprio

Por Fábio Gomes

Nos anos 60, o racismo dividia os EUA e enquanto uma parte branca se via como a raça superior um moleque de 20 e tantos anos, NEGRO, apareceu na televisão gritando para quem quisesse ouvir: “Eu sou o melhor, eu sou o mais rápido, eu sou o mais BONITO e ninguém pode me vencer”. Muitos ficaram aterrorizados, como alguém poderia ser tão arrogante? Mas o futuro maior boxeador da história não gritava pela sua arrogância, gritava para lembrar a todos a importância de ter orgulho de quem você é.

Independente de raça, gênero, cor… Ali me ensinou a ter amor-próprio, aceitar quem sou e brigar pelo que eu acredito, sem baixar a cabeça para ninguém. Um homem que preferiu abandonar o auge de sua carreira para não participar de uma guerra que não acreditava: “Por que eu deveria matar vietnamitas se nenhum deles me chamou de preto?”, ele disse na época. Acima de tudo, me ensinou a respeitar o ser humano.

“Eu não tenho me do de ser quem eu sou e me recuso a ser o que esperam que eu seja”
Muhammad Ali

A carreira toda duvidaram de sua capacidade — é muito novo… muito velho… inexperiente… ultrapassado — mas a confiança que tinha em si o fez superar qualquer questionamento e para provar os outros do contrário treinava feito um louco. Garante que odiou todos os dias na academia, porém sabia que o caminho para glória é esburacado e não chega de graça.

Resultado disso: foi campeão três vezes, bateu o imbatível Sonny Liston, o gigante George Foreman, teve lutas épicas contra Joe Frasier e criou um legado que trouxe diversos campeões. Mas nunca, nunca haverá outro Ali — Um homem que, acima de tudo, brigou pelos direitos do próximo

Conheci Ali ao assistir “Quando Éramos Reis” e sei que mostrarei o legado desse homem para os meus filhos.

Descanse em paz.

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