
UEO, nada. Aqui o lance é OEU.
Tá. Eu sei. O título é estranho, à primeira vista. Mas me deixa tentar esclarecer.
Pra quem não sabe, UEO significa User Experience Optimization ou, em português, algo como “Experiência Otimizada pro Usuário” e vem a ser a disciplina que avalia e aplica os conceitos de UX (User Experience).
Alguns usam a sigla UXO, que em tese significa a mesma coisa, mas se suprime o “E” pra se aproximar da sigla da disciplina de UX. Cá entre nós, isso é meio burro porque, usado fora de contexto, vira Unexploded Ordnance, que significa “dispositivos explosivos não detonados” e pode causar um grande mal-entendido. Por mim, dane-se. Mas tem quem não ache legal. 😜
Voltando ao assunto, essencialmente a UEO é aplicada pra saber e/ou corrigir a facilidade de uso do seu site/aplicação, sua velocidade de carregamento, resposta e nível de interação que ele gera.
Ela é o princípio fundamental do SEO (Search Engine Optimization = Otimização para Mecanismos de Busca). Com ela, o usuário se sente impelido a interagir, é agraciado com uma bela experiência de navegação e tem o impulso de voltar sempre.
É como se o seu produto ou serviço entrasse, sem querer, numa espécie de memória afetiva, entende? Ou como entrar numa loja e encontrar um ambiente limpo, aconchegante e ser muito bem atendido.
Vai dizer que você não volta?
Tecnicamente, existe uma variedade de pontos-chave do desenho do seu site, da criação do seu conteúdo e da sua estratégia de marketing digital que farão com que ele seja encontrado mais facilmente e navegado de forma fluida, intuitiva e agradável.
Vou tentar explicar os seis que eu, pessoalmente, considero essenciais.
Como foi tão difícil decidir e dar peso a cada um desses pontos, mudei a sigla UEO pra OUE, que significa Ogre’s User Experience ou “Experiência de Usuário do Ogro”. 😜
Vamos lá:
1) Seja responsivo, porra!
Segundo o Google Trends, 88% dos acessos e buscas realizadas na internet se dão através de algum dispositivo móvel.
Por conta disso, de um ano pra cá, passou a ocultar sites que não forem otimizados nos resultados de busca.
Os usuários confirmam. Temos um projeto aqui na Humans, por exemplo, que percorre a região norte do país. Conhece Cruzeiro do Sul? Nem eu. Só sei que fica no Acre e tem uma população em torno de 80 mil habitantes (tipo um Maracanã).
Sei também que, naquela região, 80% dos acessos ao site do projeto são via smartphone e, não por acaso, depois de implementarmos um site responsivo em 2014, o número de inscrições mais que dobrou. 🙌
2) Coloque as informações mais importantes de forma clara, concisa e no topo do seu site.
Se os pontos principais do seu conteúdo estiverem abaixo da linha de rolagem, corre-se o risco do usuário sequer tomar conhecimento deles.
Você quer e precisa reter a atenção do visitante, assim que a página for carregada. Por sua vez, ele quer e precisa ter suas necessidades atendidas tão logo se der o acesso. Simples assim. O mais provável é que ele “passe o olho” por todo o conteúdo, antes de tomar a iniciativa de começar a ler.
3) Mantenha a finalidade de cada página clara e óbvia.
Muitos usuários que visitarão seu site podem ser iniciantes e/ou leigos no assunto que você trata ou no serviço que você oferece. Outros, podem não ter vivência digital suficiente pra entender jargões ou compreender o funcionamento de slideshows, por exemplo. Ao mesmo tempo, ninguém quer ter que aprender como o site funciona, antes de encontrar a informação que deseja. Já dizia o Major Rocha “você tem que me ajudar a te ajudar, porra. Porque quem quer rir, tem que fazer rir”. Sem mimimi nem “helpzinho”.
4) Mantenha seu site o mais acessível que puder.
Segundo a ONS, calcula-se que de 10% a 25% da população tenha algum tipo de necessidade especial, seja visual, auditiva, motora ou cognitiva. E só 2% dos sites sob domínio “.org.br” são acessíveis, por exemplo. É muita discrepância e muita gente pra não levar em consideração, não acha?
Como “neo firulista” assumido, eu não sou muito afeito ao design flat e outras tendências de mercado. Sei que tenho que usar e uso, se for uma necessidade real (levando em conta os objetivos do projeto, o público alvo etc). Não tenho nenhum problema com isso.
Da mesma forma, seja flexível. Tente pelo menos, desenhá-lo com clareza e contraste suficientes pra usuários que sofram de daltonismo, acromatopsia e discromatopsia. A velha piada, apesar de batida, é mais do que precisa nesse caso: “Em terra de cego, quem tem um olho é rei”. Além de estar fazendo um bem, você ainda vai ver como o acesso e a conversão vão aumentar. 😉
5) Crie um “caminho” pro usuário seguir.
Tente distribuir os objetos e informações numa ordem lógica que induza o visitante a fazer o que você precisa/deseja. Reduza a oportunidade de cliques desnecessários, páginas excessivas ou lentas e informações que possam gerar indecisão. Mantenha todos os pontos clicáveis com um padrão de cor e estilo, com tamanho razoável (lembre-se de que, invariavelmente, vai ter clique com o dedo) e com alguma área de reserva à sua volta.
Alguns estudos também indicam que simetria na distribuição dos objetos e informações ajudam.
6) Estabeleça uma identidade visual e mantenha sua consistência.
Faça com que sua marca, produto ou serviço seja facilmente identificados em toda e qualquer presença digital. A clareza da sua identidade será diretamente proporcional ao reconhecimento, atenção e identificação que seus usuários terão.
Diz o Google, que 83% do aprendizado online é visual e que artigos com imagem são 94% mais lidos que artigos puramente textuais.
Independente disso, estenda essa identidade ao “tom de voz” da sua marca. À maneira com que ela fala, conversa e se expressa. Tente ser autêntico e conhecer, ao máximo, a sua audiência. Você não tem que agradar a todo mundo.
Mas quem foi que disse que “tem que”? 😉