#UmDocPorSemana

Os Capacetes Brancos, Orlando von Einsiedel e Joanna Natasegara

Os ‘Capacetes Brancos’ são voluntários locais que oficialmente trabalham como padeiros, mecânicos ou estudantes, por exemplo. (Imagem: Divulgação)

Os conflitos na Síria acontecem há mais de cinco anos. Desde seu início, de acordo com a ONU, mais de 4,5 milhões de pessoas se viram obrigadas a fugir de suas cidades natal para proteger suas vidas e famílias e estima-se que mais de 400 mil pessoas tenham sido mortas por conta da guerra.

Em meio a esta tragédia humanitária, Os Capacetes Brancos aparecem como uma força de ajuda humanitária no fim de 2012. O grupo é composto por voluntários locais e atua em áreas controladas pela oposição armada — principalmente as associadas à Al-Qaeda — na Síria. Eles passaram a chamar-se “Defesa Civil Síria”, mas de maneira alternativa, visto que a Organização Internacional de Proteção Civil já possui uma frente de mesmo nome desde 1972. O que nem de longe tira seu mérito.

O documentário, produzido pela Netflix e dirigido por Orlando von Einsiedel e Joanna Natasegara, acompanha alguns dias de trabalho da equipe e também apresenta um pouco do funcionamento da organização — que opera com a ajuda de doações — e do treinamento dos voluntários.

Veja também: Especial El País ‘Guerra na Síria’

Por se tratar de um filme que mostra a guerra em seu estado mais visceral e com forte apelo humanitário, algumas cenas podem ser incômodas. Não no sentido de ruins, mas daquelas que mexem com o telespectador e com suas emoções. A proximidade da câmera enquanto os salvamentos ocorrem traz uma sensação de participação de tudo o que está ocorrendo. Quando, em determinado momento, os capacetes brancos retiram um bebê de um mês de dentro dos escombros, é como se quem assiste estivesse de fato presente. Em determinados momentos ele assume um tom um pouco intimista, mostrando o sentimento compartilhado pelos voluntários cada vez que conseguem salvar uma vida — ou quando não conseguem.

4,8 milhões de pessoas deixaram o país até fevereiro de 2016, segundo a ONU.

Seria presunção dizer que o documentário de quarenta minutos disponível no catálogo da Netflix dá conta da dimensão do conflito, mas ele se sai efetivo no que se propõe a fazer: apresentar o trabalho voluntário de salvamento de algumas das vítimas desta guerra. Segundo site oficial da organização, em torno de 3 mil pessoas fazem parte da equipe, trabalhando sob um lema retirado do alcorão, livro sagrado do islã, que diz que ‘salvar uma vida equivale a salvar toda a humanidade’.

Lançado no ano passado, o doc foi importante chamariz para a ação dos capacetes brancos, indicados ao Prêmio Nobel da Paz de 2016 — do qual, infelizmente, não saíram vencedores. No mesmo ano, no entanto, receberam o prêmio Right Livelihood, uma versão alternativa do Nobel da Paz.

7 perguntas para entender a guerra na Síria

É um documentário bastante sensível e que não é cansativo, nem mesmo denso — ainda que o tema seja complexo. Vale muito a pena investir quarenta minutos da semana assistindo a esta obra de enorme significado social e interesse público.

Site Oficial dos Capacetes Brancos: http://migre.me/w68Vl

Assista ao Trailer do filme:

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