calças de brechó e o teu amor
Um bilhete fora a muito tempo escrito. Guardado num bolso de uma calça social e lavado diversas vezes.
Sabe, muitas pessoas perdem dinheiro, bilhetes, adesivos, cartinhas de yogi-oh, entre outros objetos de papel ou semelhantes pela lavagem descuidada. Todos nos ensinam à ter precaução ao guardar objetos, mas pouco nos é ensinado sobre retirar o objeto de onde foi guardado. Enfim, a história continua-se da seguinte forma:
Era evidente que ela estava apaixonada e que não ia se contentar com menos do que um amor tão intenso quanto o dela. Temos de admitir que ela não estava apaixonada por uma pessoa em específico, mas possuía tanto amor em si que transbordava, então se apaixonava por qualquer um. O cara da fotocopiadora foi o mais fresco peixe à ser entrelaçado pelo excesso de amor da nossa até então citada moça. Não que ela chegasse à fazer algo, mas ela observava bastante e o seguia de longe. O fotocopiador, profissão, diga-se de passagem, muito nobre e que movimenta a sociedade em um geral, percebeu que uma mulher confusa estava o observando e, com seu ego infladíssimo por isso, resolveu tentar a mulher com uma grandiosa demonstração de fotocopiação.
Levava na mesa da moça todos os dias as cópias para que ela não precisasse se locomover e cansar, sendo assim, ambos podiam e estavam livres para mutuamente se observar. Num impulso jamais visto antes e que até agora, mesmo com quatro filhos e duas ordens de restrições depois, a mulher imaginou que cometeria. Colocou um pequeno pedaço de papel no bolso do rapaz. Tão absorta em sua paixonite, apenas percebeu que não havia escrito nada no papel alguns minutos mais tarde. Já o nosso querido herói igualmente afetado, quando viu o papel em branco ficou confuso e por algum motivo sorriu. Guardou o papel em seu bolso e decidiu chama-la para sair na semana que vem. Por ser um papel em branco, provavelmente foi por procrastinação ou amor ao meio ambiente, que nosso fotocopiador não jogou o papel fora e, quando deu sua calça à um brechó, o papel acompanhou.
-posso anotar seu número? Você me perguntou
-Pode sim, só não sei se tenho papel, espere um instante. Tateei os bolsos e achei o pedaço de papel que não pertencia à mim mas que foi de grande utilidade.
Anotei meu número naquele pedaço de papel não maior que um eu te amo, lhe entreguei e esperei sua ligação pelos próximos dois dias.
