Psicologia e a fuga
Quando os corpos se afastam e sabem que tomarão caminhos diferentes, mas em um ímpeto, as cabeças se voltam e beijam-se rapidamente. Depois disso, cada um para seu mundo. As cabeças miram para a frente e para o que tem de ser feito.
Acho que há muitas maneiras de definir o que é bom ou ruim. Beijos curtos são bons, exceto quando não há tempo e eles são tudo o que resta. E então a gente fica nesse ciclo de como proceder na falta de tempo em que as cabeças sabem que devem seguir seu rumo. O meu terapeuta permite que você sente ou de frente para ele, em um sofá, ou em uma poltrona a 1,4m dele, isso faz com que você, hora fique muito baixo e se sinta pequeno, ou olhe para ele lateralmente como se estivesse se preparando para partir. E é por isso que lembrei de você.
Nem todos nossos momentos resumiam-se à partidas mas parece que estávamos constantemente desejando nos encaminhar à algum lugar. Não havia o prazer da estabilidade, do silêncio. Este que sempre te incomodou e agora, quando grita seus sentimentos por não aguentar o silêncio dele olhando para você enquanto espera que haja igual um outro amor um dia agiu, eu sei que você gostaria do nosso silêncio. Eu imagino suas brigas e seus beijos de despedida agora. Em lugares diferentes e adaptáveis. Uma dose a mais de estilo. Não gostava dos nossos longos beijos durante a tarde, o tempo era curto e eu sempre iria querer mais.
Lembro-me de voltar para casa com seu gosto queimando quem eu era e me derretendo, fazendo com que eu quase batesse a bicicleta de tanto torpor. Agora ele grita com você e falei sobre isso com meu psicólogo enquanto olhava para ele lateralmente hoje.
“O que você gostaria de fazer?”
“honestamente? nada”
Honestamente? Queria que tudo regredisse a ponto de nada disso existir.
apenas eu e você, deitados na cama e você perguntando
“quando tem que ir embora?”
“não tenho”
