Foto: Karoline Barreira

Deus Buda — Templo Zu Lai

A busca do bem-estar religioso no Budismo

Desde os primórdios da humanidade, as pessoas procuram uma maneira de obterem uma boa qualidade de vida. Muitas a encontram na religião. E quando se trata de equilíbrio, alguns indivíduos procuram o Budismo, já que este proporciona saúde mental através de meditação, além de amenizar seu sofrimento físico e mental.

Quem ressalta isso é o monge Eduardo Sasaki, do Templo Jodoshu Betsuin Nippakuji de São Paulo. “As pessoas não procuram o budismo pensando em salvação, como a maioria das religiões sugere, e sim, como uma maneira de procurar equilíbrio mental”.

Shizue Yamaha, 60, aposentada e praticante da religião há trinta anos, afirma que conseguiu encontrar no budismo o equilíbrio do qual precisava para ter uma boa saúde mental. “Fiquei viúva aos 30 anos de idade. De lá para cá tive que cuidar dos meus filhos sozinha, eu trabalhava muito. Com isso, passei a ficar muito estressada e a agir por impulso, e isso trazia consequências negativas para minha mente. Entretanto, após começar a frequentar o budismo, minha vida melhorou muito. Com a meditação que a religião oferece, encontrei a paz que precisava, além de pensar mais antes de agir”.

Foto: Lais Carvalho

Shizue Yamaha fazendo reverência ao Buda, no Templo Jodoshu Betsuin Nippakuji de São Paulo

Aristides dos Santos Dias, 43, discípulo budista há dez anos, do Templo Zu Lai de Cotia, também conseguiu uma boa qualidade de vida com a religião e até mesmo melhorou de uma depressão profunda. “Com o excesso de trabalho ao qual eu era submetido, sentia fortes dores de cabeça, e com o passar do tempo acabei desenvolvendo uma forte depressão, mas terapias e medicamentos não me ajudavam. Foi quando, ao conversar com alguns amigos sobre o assunto, um deles me indicou a cura através de relaxamento e meditação, que eu encontrei me tornando budista.

“Com a prática budista melhorei da depressão”

Quando questionado o porquê do Budismo, Aristides afirmou que foi por acaso. “Pesquisei na internet sobre os assuntos relacionados a meditação e logo de cara apareceu os ensinamentos que o budismo oferece aos seus praticantes. Nesse momento, decidi ir atrás da religião e, de fato, quando aprendi a meditar, pude obter conforto e paz interior. Além disso, com a prática budista melhorei da depressão”. E completou: “Não fui eu quem encontrou o Budismo, foi o Budismo que me encontrou”.

Os ensinamentos de Buda

O Budismo é uma religião oriental, fundada na Índia por Sidarta Gautama, o Buda, no Século VI a.C. A filosofia budista é guiada pelos ensinamentos de Buda, que significa “aquele que despertou do sono da ignorância, aquele que se iluminou”.

Buda abriu mão de toda riqueza e da vida mundana para viver com os monges, e acredita que o caminho para a libertação pode ser alcançado por práticas e crenças espirituais, como a meditação e o yoga. Os budistas defendem que a consciência física e espiritual leva à iluminação e elevação, o chamado nirvana. É o plano mais alto de consciência, onde o ser está livre da dor do mundo físico.

“É possível eliminar o sofrimento se forem eliminados os apegos e desejos”

Depois de encontrar o caminho, Buda passou a proferir sua palavra para os outros monges, que se tornaram seus discípulos. Entre os primeiros ensinamentos de Buda estão as “quatro verdades nobres” ou “quatro verdades sagradas”, que têm como objetivo libertar o ser humano da dor: a verdade é que o viver é sofrer; o sofrimento tem a sua origem nos desejos do ser humano; é possível eliminar o sofrimento se forem eliminados os apegos e desejos; para eliminar o sofrimento é preciso seguir o Nobre Caminho Óctuplo (ou Oito Vias Nobres).

No Brasil, o Budismo chegou com os primeiros imigrantes japoneses, no início do século XX. Seu objetivo, a princípio, era o de atender às necessidades dos japoneses que aqui viviam. Entretanto, os ensinamentos de Buda conquistaram muitos brasileiros. Hoje, há no Brasil cerca de 250 mil budistas.

Além de Shizue Yamaha e Aristides dos Santos Dias, outros têm procurado o Budismo para suavizar seus sofrimentos. É o que aponta o monge Sasaki. “Com a experiência que eu tenho como monge, pude perceber que grande parte das pessoas que me procuram relatam algum tipo de distúrbio mental, estresse ou até mesmo depressão profunda e se tornam budistas com a esperança de se livrarem desses males, o que de fato acontece”, conclui.

Por: Karoline Barreira e Lais Carvalho

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