Eu

Antes do amanhecer eu finalmente saio do túmulo

Esqueço as ideias mortas sobre a minha necessidade

Você está dormindo, então nunca verá

Aquilo que eu me transformo com essas vozes na minha cabeça

Dizendo tudo e nada ao mesmo tempo

São as vozes dos deuses, dos demônios, dos pássaros

São as vozes das crianças, dos assassinos, dos artistas

Alguém está apertando a minha garganta e não há socorro

Não consigo gritar, o mundo inteiro está sobre mim

Se ninguém me socorrer talvez ele me estupre

E dessa relação nasça a tal besta apocalíptica

Mas se alguém me socorrer talvez ele vá embora

E eu não tenho certeza de que quero ficar aqui sozinha

Tremendo e me contorcendo na cama

O mundo acorda em mais uma manhã amarga

Eu tomei minhas pílulas e meu leite com chocolate

Eu engoli todas as vozes e o mundo inteiro

Desejei não dormir, e nem mesmo acordar

Nessa história onde o carrasco é também o condenado

A besta e o conforto se debatem na mesma pessoa:

Eu

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Elisabeth Silva’s story.