Afinal, o Corinthians deve se preocupar com a má-fase?
Após liderar o primeiro turno do Brasileirão sem nenhuma derrota, o Corinthians iniciou o segundo turno oscilante, perdendo 2 de 3 jogos, sendo as duas derrotas em casa, para o Vitória e para o Atlético-GO, times que estão na zona de rebaixamento. Como se explicam essas derrotas? O torcedor deve ficar preocupado?
As derrotas para times que figuram na zona de rebaixamente evidenciaram defeitos do então time imbatível do campeonato. Com a perda de jogadores importantes por lesão e suspensão, como Arana, Jô, Jadson e Balbuena, o padrão de jogo da equipe foi mantido, mas as peças que substituiram os titulares não corresponderam tecnicamente o que se desejava deles, diminuindo bastante a eficiência da equipe.
O ponto mais forte do Corinthians é seu futebol coletivo. Porém para que o coletivo funcione são necessárias peças que se adequem à proposta do treinador, além de uma base de jogadores que sustentem a equipe, com liderança e técnica. Essa ausência de líderes do time ao mesmo tempo contribuiu para as derrotas, mas não é o único motivo.
Conforme o campeonato avançou e o Corinthians foi mantendo sua sequência sem derrotas, logicamente as outras equipes passaram a estudar mais a maneira que a equipe alvinegra joga, tornando cada vez mais difícil que o efeito surpresa aconteça por parte do Corinthians.
O líder do campeonato joga muito em função do erro do adversário, abdicando muitas vezes da posse de bola, visando surpreender com contra-golpes rápidos e mortais. Quando seu oponente também abdica de ficar com a bola, cria-se uma complicação na criação de jogadas por parte do Corinthians, que perde sua principal arma para vencer os adversários.
Vitória e Atlético-GO fizeram exatamente isso: jogaram completamente fechados, deixando o Corinthians com a posse de bola e esperando por uma bola parada para tentar fazer um gol. E foi exatamente isso o que aconteceu, com o Corinthians encontrando dificuldade para criar as jogadas, o que foi agravado pela grande quantidade de desfalques no time.
Essas derrotas mostram que a equipe não possui um elenco muito forte, sendo os jogadores reservas de um nível abaixo dos titulares, e que o time deve aprender a jogar com a posse de bola, propondo o jogo e criando oportunidades, mesmo com a equipe adversária fechada na defesa, pois senão o repertório da equipe ficará bastante limitado, o que futuramente poderá causar uma queda brusca de rendimento.
Mas a vantagem na liderança é bastante confortável, e com seus rivais na briga pelo título tropeçando constantemente no campeonato e dividindo atenções com outra competição, dificilmente o título escapará das mãos do Corinthians, que apesar da má-fase, tem potencial para evoluir e buscar alternativas para superar essas deficiências.

Texto: Gabriel Lopes
