Revivendo o passado: Santos da década de 60.

365Esportes
Aug 22, 2017 · 6 min read

Hoje relembraremos um dos maiores (senão o maior) times da história do futebol: a equipe do Santos da década de 1960, comandada por Pelé. Em apenas uma década foram ganhados 23 títulos, sendo 2 Mundiais Interclubes (1962 e 1963), 2 Libertadores da América (1962 e 1963), 1 Supercopa Sul-Americana (1968), 1 Recopa Mundial (1968), 5 Taças Brasil, atualmente reconhecidas como Campeonatos Brasileiros (1961, 1962, 1963, 1964 e 1965), 1 Torneio Roberto Gomes Pedrosa, também reconhecido como Campeonato Brasileiro (1968), 3 Torneios Rio-São Paulo (1963, 1964 e 1966) e 8 Campeonatos Paulistas (1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968 e 1969).

Time histórico do Santos, repleto de craques. Fonte: Getty Images

A equipe base ao longo da década de 60 foi: Gilmar; Lima (Carlos Alberto Torres), Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Dorval; Mengálvio (Clodoaldo), Coutinho (Toninho Guerreiro), Pelé e Pepe (Edu). Técnicos: Lula e Antoninho.

Esse esquadrão simplesmente estraçalhou as defesas adversárias, marcando muitos gols todos os jogos, fazendo história em estádios históricos, como a Vila Belmiro, o Maracanã, o Pacaembu, e até o San Siro e o Estádio da Luz. Até uma guerra esse time conseguiu parar, quando foi excursionar pela África. Equipes do mundo inteiro tentavam desafiar o Santos constantemente, inclusive as equipes mais poderosas da Europa, sendo o Santos muitas vezes vitorioso desses confrontos.

Pelé, o maior ídolo da história do Santos. Fonte: Getty Images

Além de possuir uma equipe muito bem treinada e com muitos craques, tinha no seu time o maior jogador de todos os tempos até hoje, Pelé. Com a camisa do Peixe, o “Rei do Futebol” ficou praticamente toda sua carreira, deixando o clube apenas na reta final para jogar no Cosmos, dos Estados Unidos.

A equipe do Santos trouxe uma base bastante talentosa do final da década de 50, com nomes como Pepe, Coutinho, Dorval e Pelé, esse último artilheiro do Campeonato Paulista de 1958 com 58 gols, recorde do torneio até hoje. Esse time foi campeão paulista desse mesmo ano, ganhando também o Torneio Rio-São Paulo do ano seguinte e sendo finalista da Taça Brasil de 1959, perdendo a final para o grande time do Bahia.

Jornal relatando o título paulista de 1958 do Santo. Fonte: Acervo Santos

Durante a década de 60 poucas equipes brasileiras conseguiram fazer frente ao Santos, sendo elas Palmeiras, Botafogo e Cruzeiro, times geniais comandados pelos craques Ademir da Guia, Garrincha e Tostão, respectivamente.

Garrincha, ídolo do Botafogo e grande rival do Santos. Fonte: Getty Images

O auge dessa equipe foi nos anos de 1962 e 1963, onde ganharam a Taça Brasil, a Libertadores e o Mundial por 2 vezes consecutivas, derrotando as equipes do Penarol e do Boca Juniors nas finais de Libertadores, e as equipes históricas do Benfica e do Milan nas finais de Mundial. Benfica que tinha no seu elenco Eusébio, que rivalizava com Pelé pelotítulo de melhor jogador da época.

Final do Mundial de 1963, contra o Milan. Fonte: Acervo Santos

O esquema de jogo do Santos variava de 4-2-4 para 4-3-3, com Pelé variando entre o meio campo e o ataque, participando tanto da criação das jogadas como da conclusão delas.

Esquema de jogo do Santos, com destaque para Zito, que além de auxiliar o ataque, recompõe os espaços deixados pelos defensores. Fonte: Getty Images

Após as conquistas das Libertadores e dos Mundiais, o Santos passou a excursionar pelo mundo, expandindo sua marca e seu estilo de jogo para diversos países, dando menos atenção para a Libertadores, título que o Santos só voltou a ganhar em 2011, com Neymar. Porém o domínio estadual e nacional permanecia, mesmo com o grande número de jogos fora do Brasil.

Jornal relatando excursão do Santos na Itália. Fonte: Acervo Santos

Em algumas dessas excursões o Santos parou guerras, provocando o cessar fogo na Guerra do Congo Belga, entre as forças Kinshasa e Brazzaville, para que todos pudessem assistir Pelé e companhia jogando. A Guerra de Biafra, na Nigéria, também foi paralisada por causa de um jogo do Santos em território nigeriano.

Santos parando a guerra do Congo Belga. Fonte: Acervo Santos

Em 1969, Pelé marcou seu milésimo gol na carreira, contra o Vasco, caracterizando um fim de ciclo, pois com o passar dos anos o time vinha decaindo e perdendo espaço para os rivais. Alguns jogadores foram deixando a equipe, o clube foi criando dívidas, devido a investimentos equivocados, e isso causou a decadência dessa histórica equipe.

Milésimo gol de Pelé, contra o Vasco. Fonte: Acervo Santos

Muitos atualmente questionam os feitos do Santos nessa época, alegando que o nível do futebol era muito baixo, que eles só enfrentavam “babas”, que eles só se destacavam em campeonatos regionais. São afirmações falsas, e vou explicar o motivo.

De fato, o nível do futebol evoluiu com o tempo, mas para uma equipe ser dominante como foi o Santos ela tinha que ser infinitamente superior tecnicamente e taticamente as outras equipes. Vale ressaltar que as condições para se praticar o futebol na época eram bem inferiores as atuais, sendo os campos de péssima qualidade, as bolas e os uniformes pesados, a tecnologia utilizada para a recuperação física precária, dentre outras adversidades, e mesmo assim o Santos de Pelé conseguiu dar show em campo, conseguindo fazer jogadas mágicas e de rara técnica, massacrando seus adversários e dominando o futebol por um longo período de tempo, sendo referência para muitas equipes do futuro.

Pelé, Pepe e Coutinho, o trio artilheiro do Santos. Fonte: Acervo Santos

Sim, na década de 60 existiam diversas equipes muito fracas tecnicamente, algo não tão diferente dos dias atuais, onde cada vez mais os torneios, especialmente o Campeonato Brasileiro, estão se nivelando por baixo, com partidas de baixo nível técnico e pobres taticamente. O Santos provou sua superioridade por várias vezes, massacrando os adversários mais fracos e vencendo adversários de grande porte, como Botafogo, Palmeiras, Penarol, Boca Juniors, Benfica e Milan, equipes históricas e que marcaram época.

Não, o Santos não se destacava apenas em torneios regionais, visto que foi campeão brasileiro por 6 vezes, 2 vezes campeão da Libertadores e 2 vezes campeão mundial, tudo isso somente na década de 60. Jamais uma equipe brasileira foi tão dominante em um período razoável, e dificilmente veremos algo parecido nos dias atuais.

Santos campeão mundial de 1962. Fonte: Acervo Santos

O esquadrão da Vila é e sempre será lembrado como a melhor equipe já vista no futebol, trazendo arte e beleza ao futebol, elevando o entendimento que se tinha do esporte, sendo um marco para todos os amantes do futebol. Devemos sempre nos recordar desse time, especialmente nos dias atuais, onde a técnica está perdendo espaço para o físico no esporte, para buscarmos inspiração no mágico time santista, que quando entrava em campo dava um show que todos queriam ver.

Texto: Gabriel Lopes

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