Quando a imagem vem de dentro: grandes mestres e vertentes da fotografia fine art

O termo “fine art” associado à fotografia carrega diversos significados, de alguma forma conectados entre si mas que traduzem aspectos distintos da atividade. A definição mais adotada do termo, contudo, é a da fotografia fine art transcendendo a representação da realidade — o fotógrafo calibra seu jogo de luzes, cores e formas captadas como composição. A expressão do fotógrafo, como artista, fala mais alto na produção fotográfica fine art.

Nessa abordagem da fotografia — alguns a classificam como “escola” — a fronteira do documental, tão familiar ao fotojornalismo, é rompida e atira o público no mundo de sentimentos e intenções do fotógrafo. A composição é mais relevante que o contexto.

Pioneiros: rompendo a fronteira do documental

A fotografia fine art nasceu, veja você, de uma reação da comunidade da pintura à utilização de fotografias para embasar o que seria pintado. Aos poucos, experimentações em formas, luz e texturas ganharam corpo e propiciaram o surgimento de grandes mestres da fotografia fine art, como Alfred Stieglitz. A série Equivalent, produzida por Stieglitz entre 1920 e 1930, traz explorações sobre as formas e movimentos de nuvens, pontuadas pela luz, reflexos e diálogos com elementos da paisagem.

Assim como Stieglitz, seus colegas modernistas Paul Strand e Edward Weston ajudaram a consolidar a fotografia como uma forma de arte no início do século XX.

Fotos: Edward Weston e Paul Strand, respectivamente.

Outro expoente da fotografia fine art, Ansel Adams dispensa maiores apresentações. Presente no panteão dos fotógrafos mais celebrados do século XX, ele foi discípulo de Strand e colega de Weston, compartilhando técnicas e reflexões sobre a arte ainda em consolidação.

Fotos: Ansel Adams

Nudes: a exploração do corpo como elemento formal

Dentro da fotografia fine art, há uma vertente bastante consistente que lança mão do corpo humano como objeto de composição. No olhar do fotógrafo, as formas humanas transcendem a corporeidade, a identidade pessoal e tornam-se volumes arranjados em composição.

Fotos: Ruth Bernhard, Sylvie Blum, Horst P. Horst

A vibração das cores

É muito comum encontrar associações entre a fotografia fine art e o P&B: classe, sofisticação, despojamento da cor a favor de outros atributos estéticos. Mas o convidamos a desafiar esse senso comum: enquanto a fotografia em preto e branco explora a riqueza de formas, luz e textura, a fotografia colorida traz uma nova dimensão à fotografia fine art e é pródiga em excelentes produções ao longo das décadas. A produção de Ernst Haas, pioneiro da fotografia em cores, não deixa dúvidas sobre a influência que exerceu nas gerações seguintes de fotógrafos da fine art.

Fotos: Ernst Haas

Valorização do mercado

A fotografia fine art tem lugar cativo no mercado de arte. Ninguém melhor para exemplificar isso que Andreas Gursky, o festejado fotógrafo alemão cuja produção ecoa um senso estético incomum e orientado à produção fine art. Sua obra Rhein II, a fotografia vendida pelo maior preço na história, traz uma visão ficcional de um Reno moderno a partir da extração de elementos de cena, como transeuntes e fábricas na paisagem. Outra curiosidade é que, das 20 obras fotográficas vendidas pelos preços mais altos no mundo, nada menos que 7 são de Gursky.

Fotos: Andreas Gursky

Abordagens contemporâneas

Ao percorrer os parágrafos anteriores e as obras diversas e impactantes da fotografia fine art, percebemos que não há requisitos estéticos ou formais para sua realização. A manifestação é livre, sendo o único requisito a intenção expressiva do fotógrafo. Um exemplo disso são algumas produções contemporâneas, que têm trazido novas abordagens, notadamente encenadas, dramáticas e que dialogam com o discurso da sociedade. O fotógrafo Gregory Crewdson, em sua obra, utiliza essa dramaticidade em um resultado estético que inspira a narrativa. Ao ver suas obras — dentre elas a série Beneath the Roses — nos imaginamos em meio a um filme, apreciando um still de um momento-chave na trama.

Fotos: Gregory Crewdon, Beneath the Roses

Como começar?

Se você ficou tão entusiasmado quanto nós pelas possibilidades da fotografia artística, vai adorar um dos nossos próximos posts. Nele, conheceremos uma escola da fotografia fine art, os diversos cursos oferecidos e a produção dos alunos — já vamos adiantar, é incrível! Segue a gente aqui no Medium, nas redes sociais da 46º e assine nossa newsletter. Garantimos: valerá a pena!


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