Zona de conforto

Uma coisa que nunca fez muito sentido pra mim é isso das pessoas sempre terem essa aversão natural ao diferente, principalmente no caso das convivências, na aparência ou na mentalidade, em que todo mundo quer viver no tédio quentinho da sua zona de conforto com aqueles ao quais somos mais semelhantes.

Quando eu era criança era normal falarem mal ou fazerem piada de negro, não que hoje não exista, mas naquela época parece que era em todo canto que se ouvia esse tipo de coisa, isso era claro que feito na ‘covardiazinha’ de parecer educado e não falar isso perto de um negro, o indivíduo ainda dava aquela olhadinha sacana pros dois lados antes de dizer algo, e era senso comum esse mesmo ser soltar o famoso “eeeeu preconceituoso?! maginaaa, tenho até amigos que são” o preconceito não era aceito por essas mesmas pessoas mas lógico que no fundo, para elas, os brancos eram ‘mais iguais’ que os outros.

Tem aquele lance do cara alternativão que se passa por alguém que é diferente e não dá uma de machão alpha pegador na frente da mina alternativona porque ele é o alternativo diferentão, ele ‘entende’ os sentimentos dela, mas no bar com os outros amigos igualmente alternativões eles se soltam e só sai as velhas frases clichês que poderiam ter saído de qualquer outra mesa do bar cheia de homens ou grupo de whatsapp dos ‘brothers da facul’. Já vi muitos desses dizerem que amizade de verdade é só com homens e não aceitarem, ou estranharem, que você tenha amizades com mulheres.

O entedorzão de política hoje em dia é o principal, esse ser se acha porque leu 3 livros péssimos de política (isso sendo generoso porque muitos não se deram ao trabalho de ir além do facebook) e agora conheceu uma galerinha que também leu esses 3 livros péssimos e ficam trocando memes e receitinha de bolo, ficam arranjando briga com o outro time que também leu 3 livros péssimos sobre política só que de uma outra vertente ‘concorrente’, aí a briga fica perfeita, uma eterna rinha de galo ciberespacial que só dá empate, e talvez, umas porradas em algum protesto.

Os exemplos são vários, só de cabeça aqui e agora consigo pensar em mais uns cinco. Podemos ver que do preconceito, machismo, a superficialidade política, ente outros tudo tem essa mesma base comum.

Quando você acha que está certo sobre algo e não está, é aí que pra maioria das pessoas a porca torce o rabo, aí meu amigo ninguém quer admitir e aí dá-lhe voltar pro seu grupo de amigos que pensa e age que nem você, seu cérebro dá o curto-circuito e bate na sua inconsciência ‘eles me entendem, eles estão certos’ ‘comeback to mommy’ e dá-lhe voltar com o rabo entre as patas pro seu grupinho.

Não que eu nunca tenha feito algo do tipo, mas no fundo não fazia sentido pra mim, hoje eu entendo que o mais doído e doido da vida é justamente se relacionar com gente diferente, é aí que você evoluí e vê que na verdade é muito melhor do que a zona de conforto, que você vê as coisas num ponto de vista totalmente diferente e todo um leque de interações e possibilidades se abre.

A melhor parte é ver que nenhum ano é igual ao outro, olho pro meu eu de 2015 , de 2014, de 2013 e vejo que são caras diferentes, e essa linha evolutiva me leva a crer que em 2017 serei uma pessoa ainda melhor e também me dá uma perspectiva otimista do futuro.

As diferenças estão aí para somar e não para subtrair. Infelizmente quem não se permite absorver não evolui, e quem não evolui é um obstáculo para um mundo melhor e para sua própria felicidade.

E como a vida é cheia de ironias, o entendorzão de política acha que vai mudar o mundo pra melhor, mas na sua arrogância cega ele não consegue enxergar que ele é um dos principais obstáculos.

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