Luz, câmera, desvalorização: O sexismo também acontece em Hollywood

Foto: Brigitte Bardot / Imagem retirada do Pinterest

São muitos os nichos da sociedade influenciados pelo machismo atualmente. Costumamos, até mesmo mulheres, a propagarmos ideais baseados no sexismo por termos aprendido e crescido ouvindo tais convicções. No cinema, isso não é diferente. Por muitos anos a indústria cinematográfica não foi questionada e cobrada por seus pilares preconceituosos, mas é fácil identificar a discrepância entre a representatividade de sexos nestas áreas.

Há pouco, o site Buzzfeed publicou os resultados de um teste feito sobre o assunto, direcionando-o para produções indicadas ao Oscar 2017. A pesquisa teve como objetivo denunciar a subvalorização da mulher nas narrativas cinematográficas. Os critérios usados foram que no mínimo, duas personagens femininas com nomes deveriam conversar uma com a outra durante o filme, e essa conversa não poderia ser sobre homens. Os resultados foram assustadores, revelando que dos nove indicados na categoria de Melhor Filme, apenas dois passaram no teste — Arrival (A Chegada) e Hidden Figures(Estrelas Além do Tempo).

Foto: Jennifer Lawrence / Imagem retirada do Pinterest

Além da desvalorização da mulher através do uso de personagens e enredos, o cinema apresenta, assim como na maioria das profissões, uma desigualdade gritante quando o assunto são os salários dos atores e atrizes. No início desse ano, Natalie Portman denunciou a diferença salarial em Hollywood afirmando que Ashton Kutcher ganhou o triplo de seu salário para gravar “Sexo sem Compromisso”. Infelizmente, isso não acontece em casos pontuais. No ano passado, a Forbes divulgou que Jennifer Lawrence foi considerada a atriz mais bem paga atualmente, faturando 52 milhões de dólares. Em paralelo a isso, quase o dobro foi direcionado a Robert Downey Jr, que faturou 80 milhões. Se abrirmos essa escala em maior âmbito, ao comparar a soma salarial das 10 atrizes mais bem pagas em 2016, chegamos a cerca de 200 milhões de dólares, menos da metade dos mais de 450 milhões de dólares pagos para os 10 atores mais bem pagos do ano.

Falando de quantias consideravelmente exorbitantes, podemos não nos sensibilizar por tais dados, visto que se tratam de milhões de dólares, uma realidade distante para quem assiste de fora. Porém, é importante que possamos enxergar a divergência da valorização de profissionais apenas por seu gênero, mesmo tratando-se de Hollywood.

Outras atrizes vieram a público protestar e manifestar o seu descontentamento em relação ao sexismo nos salários de produções cinematográficas, como Amanda Seyfried que afirmou ter recebido 10% do salário do colega com quem contracenava em um longa. “A questão não é sobre o quanto você aceita ganhar, mas sim quanto é o justo”, afirmou.

Patricia Arquette, ao vencer o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2015, subiu ao palco para receber o prêmio e discursou, em transmissão mundial ao vivo, sobre o tema da igualdade entre salários. Veja esse e outras falas de atrizes sobre o tema:

Discurso de Patricia Arquette no Oscar 2015
Entrevista com Robin Wright, no Insight Dialogues
Jennifer Lawrence no talk show Charlie Rose

Para completar essa reflexão, a New York Film Academy produziu, recentemente, um infográfico sobre esses e outras abordagens da desigualdade de gêneros no cinema. Confira completo, em inglês:

Texto: Rafaela Trajano/@trajanorafa *com informações das revistas Elle e Marie Claire