Ele confessaria qualquer coisa através de sussurros que se dissolveriam no ar assim que batesse a porta da frente, mas a verdade tem asas de borboleta e chega sempre leve tocando aqui e ali, deixando singelas marcas, porém inconfundíveis e indeléveis.

Não quero mais fazer nenhum pedido, ditar direções, mostrar meus caminhos. Agora é tanto faz, o que sobrar de nós, suor e fios de cabelos presos ao corpo, quase nada.

Às vezes quase esqueço, me escapam da memória a voz e o jeito de andar, as coisas que me prenderam e me pergunto no silêncio se já existiram nossas conversas ou se foram apenas ensaios imaginários em uma mente perplexa e disforme, desacoplada da realidade e condenada perpetuamente à ficção reconfortante.

Desisto um pouco por dia, como se fosse deixando no caminho pequenos pedaços de mim que ninguém notaria a falta, um imperfeito caminho de migalhas que serão poeira na estrada.