Passando de fase

Tem dias que entro em colapso com o tempo, o tempo que me resta, que se esvai em forma de clichê pelos vãos de meus dedos, o tempo que não tenho e que preencho com esperas, esperanças, que bobagem! Talvez não exista, o tempo, e os relógios todos do mundo estejam sincronizados para nos enlouquecer, nos fazer definhar célula por célula enquanto a realidade muda. Talvez nada disso seja real e meu coração esteve apenas perdido em crenças absurdas que inventaram um dia para me prender, por comodismo ou distração, por diversão, sim, talvez, para iludir e tripudiar com sentimentos e emoções. E apesar de tudo, da vida que parece real demais sempre, dos sonhos que se desmantelam pelo caminho, do dito tempo que parece envolver e empurrar para frente em qualquer direção, não estou mais perdida. Sei exatamente o que quero e não tenho medo do que desejo, do que preciso. Sinto-me isenta das culpas que me foram impostas, fui sempre eu mesma, plena e louca, real e impossível, verdadeiramente eu e não quero mudar nenhuma célula de mim para agradar ou prender. E o tempo, que teima existir, passar e destruir que faça o que for necessário comigo e com o mundo, pois estamos aqui para viver através dele, apesar dele.
